A Condição…

Artigo 270º Código Civil (Noção de Condição) – As partes podem subordinar a um acontecimento futuro e incerto a produção dos efeitos do negócio jurídico…

Surgem, hoje, num matutino desportivo, notícias que Emílio Macedo da Silva houvera obrigado o actual treinador, Rui Vitória, a inserir uma cláusula no seu acordo de renovação com 0 Paços de Ferreira, que poderia ser libertado para o Vitória.

Aliás, a mesma notícia dá conta que o presidente vitoriano prometeu, na altura, ao técnico que ele seria o próximo treinador do clube.

Ora, tais factos, no debutar de uma época desportiva, têm, obrigatoriamente de ser considerados como gravíssimos. Na verdade, e independentemente de se admirar ( ou não, como é o meu caso) Manuel Machado,  a verdade é que tal atitude acarretou um risco desnecessário para o bom sucesso da época e custou, quiçá, ao Vitória uma Supertaça Cândido de Oliveira e um apuramento europeu, ou alguém acredita que Manuel Machado não sentia, subrepticiamente, o chão a fugir-lhe dos pés?

Para isso, mais valia convidá-lo para sair no fim da pretérita época, após a humilhação no Jamor, ao invés de o cozinhar em lume brando…

Efectivamente, ao demonstrar desde cedo, nesta época, que Machado (já) não era a sua aposta, Emílio optou apenas esperar pelo desenrolar da dita condição, para cumprir o seu objectivo: despachar o homem que apresentou, um dia, como sua bandeira presidencial e que só não treinou o Vitória no regresso à Liga principal, por culpa do fenómeno de empatia e popularidade entre os sócios aliado ao sucesso que obteve chamado Manuel Cajuda e cumprir a promessa que fizera ao técnico de outro clube.

A ajudar para facilitar-lhe o quadro, a contestação que Manuel Machado sofreu por parte dos associados, o que fez com que a sua saída fosse uma decisão benvinda pela grande maioria e que para alguns, de memória curta, significará um imprescindível balão de oxigénio para continuar a dirigir os destinos do clube.

Entretanto, Manuel Machado como já referimos com o chão a fugir-lhe, sem poder utilizar os jogadores que considerava imprescindíveis para o sucesso nos árduos desafios iniciais, e sem sequer ter uma palavra a dizer nos atletas a escolher para reforçar o clube, viu-se na contingência de abandonar o barco…e permitindo que a dita condição de futura e incerta passasse a presente e certa… mas, isso, já havia sido despoletado por quem comprometeu os objectivos iniciais, mas talvez mais importantes, da época vitoriana.

E por fim uma pergunta: com que moral vocês trabalhariam, sabendo que o vosso sucessor já estava escolhido e a sua entrada era uma questão de tempo?

P.S. – Curioso, também, é o timing da novidade… em semana de jogo com o Benfica e após o Vitória ter goleado o Nacional!

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