A década por capítulos [00/01]

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CAPÍTULO II – ÉPOCA 2000/2001

No rescaldo da débâcle que sucedeu no final da época anterior, o, então, presidente vitoriano resolveu ser ambicioso.

Deste modo, resolveu resgatar ao sucesso brasileiro, Paulo Autuori, que, por essas alturas, ia fazendo furor em terras de Vera Cruz, depois de já ter sido adjunto de Marinho Peres e treinador principal no Berço da Nação.

Com Autuori, aconteceu (mais uma!) revolução no balneário vitoriano… Fernando Meira partiu, definitivamente, para o Benfica após as célebres negociações no escritório de Vale e Azevedo, Riva e Edmilson reforçaram o eterno rival e o guardião Pedro Espinha rumava ao Porto.

Com a perda de tão influentes elementos, era notório que o sucesso da época iria depender do olho de Autuori para as contratações do lado de lá do Atlântico, bem como da sua teórica capacidade em montar equipas competitivas… porém, o precursor da inolvidável táctica do pirilau falharia em toda a linha, sendo despedido após ter sido goleado à décima segunda jornada pelo Benfica de Mourinho.

Com o técnico brasileiro, arribaram alguns brasileiros que, efectivamente, possuíam cartel na América do Sul, mas que jamais se conseguiram adaptar ao futebol europeu… falamos da central Paulão, que conseguiu apontar três auto golos na temporada, e os avançados Maurílio, Sérgio Júnior e Manoel, dos quais se esperavam golos e inolvidáveis exibições… A juntar a estes, há a referir a contratação do guardião germânico, Tomas Tomic, do regresso do central brasileiro William, provindo de Compostela – que já houvera acompanhado Autuori no Nacional da Madeira e na sua primeira passagem por Guimarães – e a chegada no pack proveniente do negócio Meira, do malogrado Hugo Cunha.

Além destes, chegou um lateral esquerdo, proveniente do Campomaiorense, que, apesar de mal amado pelos adeptos vitorianos, haveria de se fixar por muitos anos (seis) na banda canhota vitoriana, sendo, ainda, hoje, uma referência: Rogério Matias, bem como outra referência no futebol vitoriano dos anos subsequentes, vindo do Leixões: Carlos Fangueiro.

Com tamanha amálgama de contratações e com uma pré-época sofrível era de espantar que a época pudesse correr bem… e começou logo da pior maneira, com uma derrota naquele desafio em que o insucesso jamais é admitido… em Braga, por uma bola a zero, com golo do malogrado Féher, e com Artur Jorge, logo nos minutos iniciais, a lesionar gravemente o, então, jovem Manoel impedindo-o de continuar em campo…

Com a derrota, a incapacidade ofensiva patenteada e o diagnóstico que previa um longo período de paragem para o brasileiro, o Vitória reforçou a sua dianteira… chegou o colombiano, emprestado pelo Real Madrid, Edwin Congo, que parecia querer ser o sucessor de Cascavel…puro engano!!! Na jornada seguinte, mais uma derrota e das pesadas… quatro bolas a uma e frente ao Sporting, num desafio em que nada saiu bem à equipa de Guimarães. Registe-se, o primeiro golo oficial da época que foi apontado pelo inolvidável Sérgio Júnior… talvez, um dos piores avançados dos oitenta e oito anos de história do clube. Guimarães, por estas alturas estava em ebulição e Autuori sofria as primeiras críticas… porém uma vitória clara por três bolas a uma em Alverca, com sumptuosa exibição de Maurílio, autor de um golo, parecia indicar um caminho que a vitória seguinte frente ao Gil Vicente, fazia por confirmar…

Porém, tais vitórias careceriam de continuidade e até à sua saída à décima segunda jornada, Autuori só venceria o Estrela da Amadora em casa… de permeio, sofreu goleadas no Bessa (quatro bolas a uma), em casa com o Benfica (quatro golos sem resposta) e empates inacreditáveis perante o Aves a dois, depois de estar a vencer por duas bolas sem resposta, ou o Beira Mar…

Com tamanha incapacidade em fazer a equipa descolar e sabendo da tradicional impaciência de Pimenta Machado com os treinadores, chegou-se ao momento da rescisão… mas, se a equipa parecia resignada em campo, pior ficaria com a escolha do novo técnico. Com efeito, Álvaro Magalhães, que foi resgatado ao Gil Vicente depois de óptimas épocas realizadas em Barcelos, nunca foi um técnico que conseguisse assimilar a mentalidade vitoriana… resistiria no cargo, apenas, dez jogos e só conseguiu vencer um jogo, em Campo Maior, por uma bola a zero, graças a golo de William… nos outros nove, apenas almejaria quatro pontos, sendo que durante este período o Vitória sofreu alguns desaires inaceitáveis: empate em casa com o Alverca a dois, goleada em Barcelos por quatro bolas a uma, ou
derrota caseira por duas bolas a uma com o Salgueiros serão bons exemplos para tal constatação…

Durante o consulado de Álvaro, realce para a contratação do holandês, Romano Sion, que se haveria de revelar determinante para a manutenção, graças aos golos que apontou na metade da época em que participou! Com tamanho descalabro, ao presidente só restava uma coisa: apostar tudo de modo a evitar uma descida… e para grandes males, grandes remédios que, obviamente, não passavam por um homem mediano e sem carisma como Álvaro Magalhães. A aposta residiu no técnico que à data ostentava o título de campeão nacional, após ter levado o Sporting ao título, depois de dezoito anos de espera… Falamos de Augusto Inácio, por essas alturas no desemprego, após ter sido goleado por três bolas a zero pelo Benfica de Mourinho, e ansioso por se reabilitar futebolisticamente… consegui-lo-ia, sendo que é, sem dúvida, a par de Cajuda, um dos treinadores da década no Vitória!

Mas, a tarefa avizinha-se dantesca… o Vitoria jazia no penúltimo lugar da classificação a doze jogos do fim da competição… e, acima de tudo, Álvaro deixara a equipa em fanicos… ainda para mais, o primeiro jogo seria na Vila das Aves contra um concorrente directo na pugna da manutenção…

Inácio, porém, foi um verdadeiro dinamizador… mobilizou os vitorianos para se dirigirem à vizinha cidade em peso…prometeu vitórias… arriscou, apostando em Vítor Nuno em detrimento de Tomic na baliza, colocando o extremo Nandinho a lateral direito, e apostando no ataque… teria a sua recompensa no quarto de hora final, com três golos sem resposta e uma vitória no seu debutar por números mais esclarecedores que a exibição!

Seguiu-se o Porto… num jogo de futebol de altíssimo quilate, como poucas vezes se viu nessa época, o Vitória conseguiu um empate a dois. Neste jogo, realce para Rogério Matias que após apontar um auto-golo, redimiu-se com um golo que, ainda, hoje é recordado por todos que assistiram ao prélio… foi o momento da confirmação de um jogador que parecia ter medo em vestir a camisola do Rei!

Mas, nem tudo seriam rosas… e as derrotas seguintes frente a Beira- Mar e em casa com o Leiria, voltavam a enegrecer um cenário, matizado pela vitória na Amadora… refira-se que o grande problema, nesta temporada, foi o desempenho intra-muros, onde o Vitória apenas venceu por quatro vezes e duas nos dos últimos jogos.

Porém, a decisão e a recompensa para este sprint final, apenas, chegaria nos últimos quatro jogos… com a vitória em Paços de Ferreira, graças ao único golo do ex-penafidelense Abel com a camisola vitoriana, perante milhares de vitorianos, e com as vitórias (finalmente) em casa perante o Campomaiorense, (por três golos sem resposta) e na última jornada perante o Farense a dez minutos do fim (golo de Sion) e quando no estádio já se temia que um volte-face no desafio que opunha o Alverca ao Campomaiorense atirasse o Vitória para a Liga de Honra…Porém, o golo do holandês haveria de acalmar os espíritos assegurando a manutenção.

Porém, desta época conturbada, realce-se para o lamento de nada ter sido aprendido… épocas mais tarde os mesmos erros sucederam e com contornos, ainda, mais gravosos… porém, isso serão cenas de outros capítulos.

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