A década por capítulos [01/02]

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Capítulo III – época 2001/2002

Depois do susto dantesco da temporada anterior, a que já fizemos referência no Capítulo II desta série de crónicas, a época ora em apreço, carecia de uma apreciação cuidada de modo a que os pretéritos calafrios fossem evitados.

Assim e após o êxito conseguido por Augusto Inácio, salvando a equipa de uma despromoção que muitos já alvitravam como certa, urgia dotar o plantel da qualidade que, como é óbvio, não existiu na equipa que realizou a temporada de 200/2001.

Por isso, chegariam, no Verão de 2001, atletas que haveriam de deixar uma indelével marca em Guimarães quer pela sua qualidade futebolística, mas também ela sua forte formação humana, transformando-se em símbolos do vitorianismo. Falamos, mais especificamente, do guardião Palatsi, vindo do Beira Mar e que estaria em Guimarães quatro temporadas, Cléber, defesa central provindo do Belenenses, que seria capitão de equipa e permaneceria em Guimarães até à famigerada época da descida, Romeu, que após o incidente com Lixa já relatado no Capítulo I desta série de crónicas, haveria de, rapidamente, entrar no coração dos adeptos e protagonizar um inolvidável momento que mais à frente daremos conta e um dos, ainda, maiores ídolos da história recente vitoriana: o Pequeno Maestro, Nuno Assis, que após empréstimo do Sporting ao Gil Vicente, chegava a Guimarães na sequência da transacção do, então jovem e promissor, Custódio… Estes homens seriam a base desta época e como já demos a entender das futuras!

Além destes, a equipa seria reforçada na defesa com o internacional sub -21 francês, vindo do Oviedo, na altura a actuar em La Liga, Rabarivony, com o central brasileiro, que seria titular indiscutível, Flamarion e o lateral ex-Gil Vicente, Bessa.

Para a zona intermédia, além dos supra citados e já destacados, chegaram Carlos André, que juntamente com Bessa e Assis abandonou o Gil Vicente, o angolano André Macanga que houvera feito furor no meio campo do Alverca – uma equipa que à época tinha nomes como Ricardo Carvalho ou Mantorras – e, ainda, saído da vizinha Vila das Aves, o médio defensivo Jorge Duarte. Para a zona ofensiva, que houvera sido uma das maiores desilusões da época anterior, para além do, já citado, Romeu, destaque para a contratação ao Belenenses do extremo rápido e codicioso, Guga, que haveria de ser uma das figuras da primeira metade da época. Além deste, chegou o brasileiro Ceará, em quem se depositavam muitas promessas e Laelson, um baixinho que actuava no Campomaiorense.

Com tantas e boas escolhas – todas gizadas por Augusto Inácio – a aposta era, obviamente, retornar aos lugares europeus, objectivo que já fugia desde a, já, então longínqua época de 1997/1998, quando o Vitória almejou um terceiro lugar e Pedro Espinha se cotou como o guardião menos batido da Europa.

Mas, tal objectivo não seria alcançado, pese embora a realização de alguns jogos positivos, indiciando que se a equipa, ainda, não estava construída possuía potencial para quando o seu processo de elaboração estivesse concluído, bater-se-ia de igual para igual com qualquer um…

E a comprovar a asserção, anteriormente, realizada atente-se nos resultados iniciais dos branquinhos: estreia caseira a perder, por duas bolas a zero, com o Gil Vicente para, seguidamente, encetar uma série de três saborosas vitórias – duas fora, em Faro e em Vidal Pinheiro, com sumptuosa exibição de Guga -, sendo que a outra foi frente ao rival figadal, no Afonso Henriques, por duas bolas a uma com golos de Cléber de livre directo e de Sion, num fabuloso pontapé de moinho que deixou Quim atónito!

Depois, novamente, a descida ao inferno… derrota inesperada nos Açores, frente ao Santa Clara, empate caseiro com a já denominada bête-noire vitoriana em Guimarães, o Paços de Ferreira, e goleada por cinco bolas a zero no reduto do futuro campeão nacional, o Sporting, numa noite em que Jardel, Niculae e João Pinto foram autênticos demónios para a defensiva vitoriana.

Após, esta descida aos infernos, novamente a ressurreição… frente a um dos rivais que mais se ansiava por vencer, em Guimarães: o Boavista… que tombaria por duas bolas a zero, graças ao tal momento inolvidável protagonizado por Romeu, que de calcanhar, talvez, tenha apontado golo da década vitoriana, entrando de imediato para o memorial dos momentos mais fantásticos protagonizado por um jogador vitoriano e garantindo o prémio de golo da época na Europa para o canal temático Eurosport… mas, antes, já o brasileiro Ceará houvera feito bailar as redes do guardião axadrezado Ricardo, que nada podia fazer perante a noite excelsa dos dianteiros vitorianos!

E do estado de euforia, o Vitória passaria, novamente, à depressão, qual estranha bipolaridade que cuja cura parecia ser desconhecida, perdendo na Madeira frente aos verde rubros.

Porém, após este desafio, o elixir parecia estar descoberto, já que nos cinco jogos seguintes os Conquistadores permaneceram invictos, conseguindo empatar na Luz frente ao Benfica e bater o Porto, em Guimarães, graças a tentos de Marco e Nuno Assis, ainda na primeira parte! Refira-se que o Vitória neste jogo actuou, pela primeira, e talvez, única vez de camisola dourada, fazendo publicidade ao então
neófito sítio da internet…eram os primórdios das técnicas de marketing e, também, das tecnologias virtuais!

Nesta altura, o entusiasmo no berço pátrio recrudescia… o sonho Europeu parecia possível… porém, a faceta de Mr. Hyde neste Vitória que tanto assumia a faceta de Dr. Jekyl como a outra já citada, haveria novamente de aparecer… e a equipa iniciaria um ciclo de resultados razoáveis intra-muros e derrotas fora de Guimarães…

Até que chegamos à jornada dezanove que pode ser definida como o início do último período dourado da época… com efeito, os onze pontos somados em cinco jogos – com três vitórias caseiras entrecortadas com dois aceitáveis empates a zero em Braga e Paços de Ferreira – pareciam indiciar a estabilização da equipa.

Puro dos enganos… a estabilização decisiva ocorreria na pior das formas, já que após este ciclo triunfante, a equipa entrou em depressão definitiva, passando os últimos onze prélios da competição vencendo apenas um jogo e somando nesse período uns míseros seis pontos. Deste espaço temporal, destaque para a derrota caseira por quatro bolas a uma frente ao Benfica.

Neste desafio, aconteceram situações lamentáveis que valem a pena ser relembradas. Assim, logo aos vinte e dois minutos, Lixa, que como já relatamos no Capítulo I se houvera lesionado gravemente, haveria de sofrer a lesão que definitivamente o arredaria dos mais sumptuosos palcos nacionais… o autor da atrocidade foi o antigo vitoriano, Zahovic, que desde que Pinto da Costa o seduziu sempre teimou em fazer a vida negra ao clube que lhe deu o ser na Europa civilizada… fosse através da fuga jamais explicada para os azuis e brancos, fosse pelos golos marcados… fosse por este acto que arruinaria definitivamente uma promissora carreira de um jovem com a mala, ainda, cheia de sonhos!

A outra situação vergonhosa prendeu-se com a utilização dos meios audiovisuais… Simão dirigiu-se ao quarto árbitro João Ferreira, para que visse uma suposta agressão de Romeu. O quarto árbitro, emente aos poderes instalados fez a vontade ao benfiquista e chamou o juiz Duarte Gomes, dizendo-lhe para expulsar o vitoriano… lamentável e visionariamente os meios audiovisuais faziam a sua primeira aparição nos campos de futebol… haveriam de voltar, na época de 2009/2010, graças a um suposto juiz chamado Soares Dias e novamente em prejuízo do Vitória… mas isso são outras histórias!

Com tantas contrariedades, o Vitória haveria de perder por quatro bolas a uma e acima de tudo veria a sua confiança destruída… bem como perdia, definitivamente, Lixa e temporariamente, Romeu, o que ajuda a justificar, apenas em parte, a derrocada final na tabela classificativa.

A única vitória deste período negro sucederia à antepenúltima jornada, frente ao Belenenses, mas já seria uma vitória digna de Pirro… a Europa era uma utopia e o décimo lugar final retratava uma época demasiado inconstante e de muita parra mas pouca uva… Aliás, só assim, se justifica as contratações dos brasileiros Alexandre Vitorino e Adelino, talvez, dois dos piores jogadores que alguma vez envergaram a camisola d’ El Rei…

Mas, a comprovar a bipolaridade desta equipa, lançavam-se valiosas bases para a época seguinte, onde a equipa apresentaria a qualidade de jogo mais admirável, que nestes dez anos, Portugal viu… mas isso já é matéria para o próximo capítulo!

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