A década por capítulos [03/04]

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CAPÍTULO V – Época 2003/2004

Nunca uma época desta década terá começado com tamanha festa, como a que agora se vai relembrar…

Com efeito, corria o dia 25 de Julho de 2003, e com pompa e circunstância, era inaugurado o remodelado Afonso Henriques, já pronto para receber os desafios do Euro 2004. O convidado para tamanha festa foram os germânicos do Kaiserslautern – cidade geminada com Guimarães – e a vitória sorriria aos branquinhos por quatro bolas a uma… Registe-se o primeiro golo que se apontou no novo estádio, ter sido de Afonso Martins, que vindo do Moreirense estreava-se de Rei ao peito.

Nesta temporada, muitos factos sucederam… a começar pela perda de Pedro Mendes que partiria para se tornar pedra fulcral no Porto de Mourinho, que se sagraria campeão europeu!

Mas, apesar de haver perdido um médio de tamanho valor, não se poderia afirmar que o Vitória iria passar pelo sufoco que viveu para garantir a manutenção, naquela que foi a última época de Pimenta Machado a comandar a armada vitoriana.

Assim, e com o intuito de cimentar o quarto lugar que brilhantemente fora conquistado no ano anterior, chegaram alguns atletas que Inácio e seus pares consideravam mais valias…jamais o seriam!
Nomes como Bruno Alves e Manuel José, emprestados pelo Porto, João Tomás, emprestado pelo Bétis, os antigos jogadores do Moreirense, Flávio Meireles e Afonso Martins, e o ex-pacense Carlos Carneiro prometiam dotar a equipa da consistência necessária para ir mais além… para se bater com os crónicos candidatos e vencê-los…

Porém, nada seria assim… e nem a vitória inicial frente à União de Leiria, com golo de Fangueiro seria o indício de uma época bem sucedida… A confirmar que nesta temporada nada correria bem, seguiu-se uma terrível série de seis jogos consecutivos sem conseguir sequer pontuar.

Durante este período, além das críticas a Inácio por ter alterado on sistema táctico que tanto sucesso tivera no ano anterior, da crescente desconfiança relativamente a nomes como Manuel José, Afonso Martins e principalmente João Tomás, a verdade é que as arbitragens assumiram contornos de parcialidade que ajudaram a explicar certos fracassos. Na verdade, quem não se lembra do golo anulado ao avançado que hoje actua no Rio Ave, no desafio frente ao Porto, e que colocava o Vitória em vantagem? Haveria de perder por duas bolas a uma, mas a verdade é que esse lance entrou para o top dos equívocos de apreciação dos árbitros no campeonato!

Com tamanha dificuldade em a equipa descolar, ao que se acrescentava estes supostos erros de quem nos últimos anos têm sucedido sempre contra os mesmos, não foi de estranhar que a segunda vitória da época, só surgisse à oitava jornada, frente ao Moreirense, e por três bolas a zero, com golos de Hugo Cunha, Bruno Alves e Fangueiro… pelo meio, para além da derrota frente ao Porto, existiram as dolorosas derrotas frente ao Benfica, no Jamor, no Bessa, em Belém e (pasme-se!) em casa com a Académica… num jogo em que o golo de Manuel José foi insuficiente para disfarçar a gritante capacidade ofensiva da equipa, que com uno Assis em má forma e órfã da visão de jogo e da capacidade posicional de Pedro Mendes era uma sombra da equipa detentora do futebol sedutor da época anterior.

Não obstante estes factos, havia que arregaçar as mangas, que nesta temporada, o quinto classificado já tinha garantido o apuramento europeu, pelo que após o quarto lugar do ano anterior, tal objectivo era obrigatório! E a equipa, assim, tentou, encetando uma série de quatro jogos sem perder… o problema é que, também, não os logrou vencer, conseguindo realizar, apenas, quatro pontos em doze possíveis e frente a adversários da estirpe do Gil Vicente (em Barcelos), Beira-Mar (em Aveiro), e intra-muros frente a Marítimo e Alverca… com tamanho desperdício de pontos em recintos supostamente acessíveis, a contestação à equipa encontrava-se ao rubro e o jogo em Vila do Conde assumia contornos de decisivo!

O Vitória haveria de o perder por uma bola a zero, com João Tomás a dois metros da baliza, com a mesma escancarada, já que Mora estava fora do lance, a rematar à barra… com tamanha infelicidade, ou imperícia como haveria Augusto Inácio de resistir? E não resistiria, sendo substituído após este prélio por Jorge Jesus, que com o seu peculiar discurso logo prometeu tirar o Felgueiras – sic – da despromoção… começava bem o auto-intitulado mestre da táctica, que na sua conferência de imprensa de apresentação trocava o nome à sua entidade patronal!

Porém, se com Inácio as coisas não se encontravam bem, com o técnico da Amadora melhor não ficariam… empate caseiro a um com a tradicional besta negra do Vitória em Guimarães – sim, o Paços de Ferreira -, derrota por duas bolas a uma no território do eterno vizinho inimigo no último jogo disputado por equipas seniores no Primeiro de Maio, e em que Pedro Henriques – esse sempre amigo das cores vitorianas – foi a estrela principal ao prejudicar o Vitória.

A primeira vitória chegaria logo a seguir num prélio frente ao Estrela da Amadora, com golo de Nuno Assis… era a primeira vitória na era de Jorge Jesus e um raio de esperança num céu, já de si, tenebrosamente negro!

Seguia-se o Sporting, no neófito Alvalade XXI… onde, apesar do golo inaugural de Romeu, o Vitória perderia por duas bolas a uma…e com Rafael a ser expulso após cotovelada que deixou Rui Jorge mais perto do knock-out que um qualquer adversário de Tyson….agressão, essa de todo desnecessária e que
prejudicaria os intentos da equipa, já que sofreria o tento da derrota após tão funesto acto!

Após o empate em Leiria a zero – um resultado positivo, atendendo à já declarada alteração de objectivos para a época -, chegou o dia 25 de Janeiro de 2004… o dia em que a morte visitou o reduto do Rei!

O adversário era o Benfica…o Vitória de Jorge Jesus batia-se com alma frente ao Benfica de Camacho que, ainda, procurava acercar-se do Porto de Mourinho…

Em dia de intempérie, o nulo parecia ser um resultado positivo… até que aos cinquenta e nove minutos, o espanhol resolver arriscar retirando o, então, extremo João Pereira para introduzir em jogo o avançado húngaro Fehér, um homem que sempre fez do Vitória a sua presa favorita no quem em golos dizia respeito!

Até ao período de descontos nada sucederia… o Vitória, de forma coesa como nessa época não se vira, mantinha os lisboetas afastados do seu último reduto e simultaneamente ameaçava as redes de Moreira! Porém, já depois de Olegário Benquerença ter indicado os minutos de desconto de tempo, Fehér divide
uma bola com Abel junto à linha de cabeceira e centra para Fernando Aguiar marcar um imerecido golo…protestavam os vitorianos que a bola houvera saído pela linha de cabeceira com Olegário a prejudicar claramente o Vitória – atendendo aos factos sucedidos na presente época de 2010/2011, convém realçar tal situação .

Acicataram-se os ânimos que, porém, haveriam de ficar petrificados poucos segundos depois, independentemente de cores clubísticas ou erros de arbitragem… O magiar que houvera entrado meia hora antes, após receber um amarelo do árbitro por queimar tempo, sorria para todos e caí no chão… fulminantemente morto e fazendo esquecer as incidências de um jogo que tudo tinha para fazer correr muita tinta… Para além da dolorosa derrota, a certeza de uma morte de um jovem no estádio Afonso Henriques doía ainda mais, independentemente da cor que trajava.

Seguia-se o Boavista, em Guimarães também…rival figadal, que sabendo do estado de nervos vitoriano tudo fez para que o jogo se transformasse numa guerra… os seus jogadores, com a complacência de Martins dos Santos, provocavam as bancadas, insultavam, queimavam tempo e nem o golo de Rafael – que terá feito, talvez, a sua melhor exibição coma a camisola do Vitória – ajudou a acalmar os ânimos…

No final do mesmo, com o empate a um no marcador e com Palatsi expulso, o guardião axadrezado, William Andem, lembrar-se-ia de provocar as bancadas despoletando uma revolta que se justificava por tantas atrocidades cometidas contra o Vitória e os seus adeptos… Porém, como sempre os únicos apontados a dedo seriam os adeptos vitorianos e ao guardião camaronês quase se fazia uma colecta para custear as supostas e fingidas lesões que apresentou, supostamente provocadas pelo arremesso de objectos… nada mais falso, mas o suficiente para fazer as delícias da imprensa escrita deste país e para abrir um processo disciplinar ao Vitória que haveria de ter um epílogo extremamente conveniente para os nossos detractores, como à frente veremos.

Entretanto, a época corria com o empate a um na Académica (golo de Rafael) e com o resultado do processo disciplinar a chegar: o Afonso Henriques era interditado e o Vitória teria de jogar na Maia, onde perderia frente ao Belenenses e num jogo vital para os seus propósitos da manutenção venceria o Nacional por duas bolas a uma com tentos de Vinícius (que houvera chegado em Janeiro para reforçar o ataque) e Guga.

Pelo meio a derrota no Dragão por três a zero serviu, apenas, para confirmar o quão difícil estava a ser assegurar a manutenção, o que a derrota caseira com o Gil Vicente, apenas, ajudou a confirmar.

Seguiu-se, porém, o ciclo decisivo para a manutenção…a equipa apoiada pelos melhores adeptos do mundo, encheu-se de brios e fez dez pontos em doze possíveis (empate no Marítimo, vitórias caseiras frente o Beira Mar e Rio Ave e vitória em Alverca).

Este jogo em Alverca, apesar de se ter disputado, a uma Sexta-feira à noite, contou com cerca de dois mil vitorianos nas bancadas, que vibraram quando Nuno Assis desfeiteou Yannick, tornando mais próximo o objectivo da manutenção; objectivo, esse que esmoreceria na derrota por um golo sem resposta, em Paços de Ferreira, perante nova multidão de vitorianos.

Seguiam-se os três jogos decisivos: Braga, em casa, Estrela da Amadora, fora e Sporting em casa.

No primeiro frente ao eterno inimigo, um golo do improvável Rogério Matias levaria ao delírio os vitorianos… por vencerem aquele jogo frente a contendor tão odiado e por darem um passo mais seguro rumo à manutenção.

Seguidamente, na Amadora e perante uma das maiores invasões de vitorianos a um reduto rival, a equipa respondeu à altura e graças a um golo de Flávio Meireles brindaria aqueles que fizeram centenas de quilómetros com uma justa vitória.

Chegava-se ao jogo final…o Sporting com a certeza que uma vitória garantiria a manutenção, ou então na pior das hipóteses, uma conjugação favorável de resultados que permitisse a manutenção no escalão principal! Aconteceria a segunda hipótese, já que o Vitória perderia por duas bolas a zero, e salvar-se-ia da descida devido à derrota do Alverca em Moreira de Cónegos e da vitória do Braga em Belém…

Porém, este último desafio ficaria marcado pela decisão peregrina da Liga de Clubes, numa tentativa de prejudicar o Vitória, de realizar o jogo à porta fechada, por causa dos acontecimentos do jogo com o Boavista… vozes de protesto fizeram-se sentir… manifestações prometeram-se… mas, seria um oportuno recurso com efeitos suspensivos a permitir que o Vitória actuasse com o apoio dos seus adeptos!

No final da época, a certeza de uma manutenção sofrida consubstanciada num décimo quarto lugar entre dezoito equipas, com meros trinta e sete pontos.

Logo em seguida, Pimenta Machado em conflito com a Câmara e em desacordo com a atribuição das verbas dos fundos comunitários para as obras do estádio abandonaria o clube, alegando cansaço e problemas do foro familiar, fechando um ciclo que começou em 1982…

A partir daí, os intervenientes entraram pelos nossos dias adentro…porém, isso serão histórias para futuros capítulos!

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