A década por capítulos [04/05]

VOTE NOS MELHORES JOGADORES DESTA ÉPOCA, CLICANDO AQUI.

ÉPOCA 2004/2005 – CAPÍTULO VI

A temporada 2004/2005 principiava sob o signo da novidade no Vitória… após a já citada, no capítulo anterior, saída da presidência de António Pimenta Machado, ventos de mudança, obrigatoriamente, sopravam no reduto do Rei… e procurando encabeçar essa mudança, perfilavam-se dois nomes: Vítor Magalhães, à altura, ainda, presidente do Moreirense e Manuel Almeida, um dirigente do tempo do anterior presidente e que houvera saído do clube após incidentes jamais explicados no Rio de Janeiro, onde o jogador Nando foi alvejado a tiro… corria a época 1990/91, o jogador não morreria, mas Pimenta culparia o seu director desportivo pelo sucedido!

Nas eleições, vitória de Vítor Magalhães… retumbante, como as vitórias eleitorais devem ser e agitando como bandeiras o regresso de Manuel Machado ao Vitória para treinador principal, ele que quer nos escalões de formação, quer no Fafe, quer no Moreirense houvera sempre feito trabalhos meritórios e a contratação dos jogadores Milaim Rama, avançado internacional suíço, e o central sérvio do Montpellier Nenad Dzodic… Se a chegada do treinador se confirmou, os dois estrangeiros nunca haveriam de conhecer Guimarães!

Porém, não se pense que a época de 2004/2005 foi uma temporada sensaborona em matéria de contratações, já que apesar de brandir a bandeira da redução do famigerado passivo, o neófito presidente – que quebrou um reinado de 25 anos do anterior – procurou dotar a equipa de elementos capazes de atingir o que era considerado essencial, independentemente de todas as dificuldades financeiras: as competições europeias!

Para isso, apostou num misto de jogadores perfeitamente enquadrados com a realidade da Liga Portuguesa e em estrangeiros que os equacionava como mais-valias no quadro competitivo nacional. No tocante aos primeiros, nomes como o lateral/ extremo (à altura) direito vimaranense Alex, emprestado pelo Benfica e sempre apreciado por Manuel Machado, o lateral esquerdo vindo do Paços de Ferreira Zé Nando, o defesa central brasileiro, Paulo Turra, que chegou a custo zero após saída do Boavista, o extremo campeão europeu pelo Porto e cedido a título de empréstimo, Marco Ferreira e o avançado brasileiro emprestado pelo Sporting, Elpídeo Silva, eram escolhas criteriosas para um ataque eficaz aos objectivos predefinidos. Quanto aos segundos, se o central húngaro Attila Dragóner, chegado do Ferencvaros, se o chileno Braulio Leal “Chapita” descoberto no Colo Colo local e se o montenegrino Sanibal Orahovac, vindo do Estrela Vermelha de Belgrado geravam desconfiança, homens como o credenciado pivot defensivo brasileiro, que chegou do São Paulo, Alexandre Messiano e o talentoso playmaker/extremo que chegou do Coritiba, Luiz Mário, lançavam verdadeiras ondas de entusiasmo, tais as credenciais que ostentavam.

Porém, apesar disso o início da época, pouco teria de entusiasmante… o Vitória começaria por empatar a zero no vizinho concelhio Moreirense, deixando no ar que, ainda, faltava afinar muitos pormenores. A vitória caseira, frente à Académica, por duas bolas a uma, no desafio seguinte, demonstrava uma equipa a praticar um futebol enfadonho e sem capacidade de entusiasmar quem quer que fosse. Destaque, para o primeiro do golo, ter sido apontado pelo, então, jovem Moreno que após tirocínio no Taipas regressava a Guimarães, com Manuel Machado determinado em fazer dele um libero de dimensão europeia.

A seguir a esta vitória, confirmou-se o pior dos cenários… a equipa encontrava-se longe de estar formada, os processos de jogo estavam pouco rotinados e Manuel Machado parecia resignado… as derrotas, em Braga, frente ao eterno rival por uma bola a zero com golo de João Tomás, que houvera trocado o Vitória pelo rival e aqui não dera uma para a caixa, a que se seguiram as derrotas caseiras frente a Porto (por uma bola a zero) e Benfica (por dois a um) e na Choupana frente ao Nacional – por um tento sem resposta – demonstraram uma equipa incapaz de fazer frente a equipas da igualha que almejava alcançar…

Assim, a vitória por duas bolas a uma frente ao Gil Vicente, com golos de Silva e Braulio Leal, foi uma verdadeira panaceia no mar de tormentas que a época se ameaçava revestir… tormenta, essa, que regressaria com a derrota por uma bola a zero em Setúbal, o que fez a contestação a Manuel Machado atingir um nível ensurdecedor.

Porém, lentamente a situação retornaria aos eixos… a equipa, de modo lento mas seguro encontrar-se-ia com os bons resultados, empatando três jogos consecutivos (todos a um, em casa com o Marítimo e Leiria e em Vila do Conde), para arrancar para um ciclo posterior de três vitórias (fora no Estoril e em Penafiel e em casa com o Belenenses).

Em seis jogos, a realização de doze pontos poderia ser classificada como a certeza da estabilização da equipa em patamares condizentes com a sua real valia…

Destaque, também, para a estreia em Penafiel de um jovem de nome Tiago Targino, que por essas alturas, fazia furor numa equipa de juniores que contava com nomes como Guilherme Cascavel, Pedro Borges, Juni, Diogo Cunha, entre mais alguns promissores… Estreia, essa, que foi observada por milhares de vitorianos que viajaram até à cidade duriense para observarem uma concludente vitoria por três bolas a uma e a colagem aos lugares europeus!

Seguia-se o Sporting num jogo que atendendo à subida de forma da equipa era para vencer… não o seria, não obstante o golo inaugural de Silva!

Para isso, além da exibição fora de série de Carlos Martins, autor de dois golos, Pedro Henriques – sempre ele! – prejudicou escandalosamente o Vitória, falseando a verdade desportiva…o Vitória perderia por quatro bolas a duas e acima de tudo sentia na pele que não bastava ser melhor do que os adversários…

Chegava-se a Janeiro e no intuito de se realizar o forcing final para almejar a Europa, Vítor Magalhães dotava a equipa de novas soluções: além da definitiva promoção ao plantel sénior de Tiago Targino, chegava emprestado do Porto o extremo taipense César Peixoto… Porém, como nunca há bela sem senão, Nuno Assis, que chegara, como já vimos aquando da transacção de Custódio para o Sporting, era vendido ao Benfica, via Dínamo de Moscovo, por seiscentos mil euros, obrigando a equipa a procurar outras soluções dentro do plantel para substituir o Pequeno Génio.

Janeiro, esse, que começaria mal… a derrota por duas bolas a uma com o Boavista, em pleno Bessa, e a eliminação da Taça de Portugal, no Bonfim, frente ao Setúbal por três bolas a uma – uma tradição, nesta década de estórias – relegariam para segundo plano a vitória sobre o Beira-Mar – na estreia de Targino a marcar com a camisola do Rei – e mais um empate caseiro… desta feita, contra o Moreirense… clube que havia formado o presidente, treinador e alguns jogadores que por esses dias actuavam no Vitória!

Assim, por alturas do jogo de Coimbra, Guimarães encontrava-se em ebulição… Manuel Machado cansado das críticas – algumas justas, outras infundadas pois a democracia jamais permitirá afrontas no capítulo pessoal – apresentaria a demissão após tal malogro na prova rainha do futebol português… Vítor Magalhães rogava-lhe calma e pedia-lhe que orientasse a equipa no jogo seguinte que seria com a Académica… de modo a que pudesse escolher o novo treinador com parcimónia… Atendendo à amizade que os une – unia? – Machado anuiu… e numa fria noite de Sábado, apresentou um Vitória rigoroso e cínico, como há muito não se via. Os golos de Marco Ferreira e, novamente, do jovem Targino acalmaram os ânimos e após novos pedidos do então presidente, Machado acedeu manter-se no lugar, mas sempre lembrando o sucedido nas semanas anteriores e que ditaria a sua saída de treinador da equipa principal no final da época… quiçá, o maior dos erros, de tantos, que Vítor Magalhães cometeu na sua passagem pelo Vitória!

A vitória seguinte, por um zero, sobre o detestado rival, Braga, reforçaria esse capital de confiança, mesmo que a equipa pouco tivesse produzido… valeria, o remate de Cléber e a preciosa colaboração do guarda-redes, Paulo Santos.

O empate a zero no Porto, confirmaria essa realidade… a equipa não era espectacular, mas encontrava-se imbuída do mais puro resultadismo transalpino…e no fundo, era isso que interessava para ir escalando posições, rumo ao objectivo…

Seguia-se o Benfica, jogo lembrado por muitos, mas não pelo resultado… esse, seria desfavorável ao Vitória por duas bolas a uma … mas, quem esqueceu os festejos inusitados de Nuno Assis após apontar um golo à sua antiga equipa? Obteria a redenção uns anos depois, quando de regresso ao Castelo do Rei, tudo deu pela causa vitoriana… Ou, quem, já esqueceu o fabuloso uppercut que Rafael desferiu em João Pereira, quando este provocantemente, festejava a sofrida vitória por duas bolas a uma, já que o golo de César Peixoto de nada adiantou? Mais uma vez, crucificar-se-ia um atleta vitoriano, olvidando-se que o benfiquista provocou aquele gesto de raiva por uma vitória injusta… custar-lhe-ia, ao menos, uns molares e uns caninos!

Porém, tais atitudes reforçariam, definitivamente, o seio de grupo vitoriano… que, apesar do posterior empate caseiro a um com o Nacional, arrancaria para uma série em que faria dezasseis pontos em dezoito possíveis… só, o empate em casa com o Rio Ave estragaria o pleno. Nesta série, destaque para a vitória em Barcelos, por três bolas a uma, numa Sexta-feira nocturna de frio glaciar e com milhares de vitorianos nas bancadas, e para a vitória na Madeira por duas bolas a uma, com bis de Alex, encetando na Pérola do Atlântico uma série de vitórias consecutivas que só esta época seria interrompida!

Nem mesmo as posteriores derrotas, fora, frente a Belenenses e Sporting, entrecortadas por um sofrido triunfo frente a Penafiel em casa por duas bolas a uma, fizeram a equipa descolar do almejado quinto lugar…

E assim, se atingiu a relembrada tarde de catorze de Maio de 2005… dia em que Vitória e Boavista se enfrentavam, com a certeza que quem vencesse carimbava o passaporte rumo às competições uefeiras…

Perante um record, à data, de 26.056 espectadores, o Vitória entrou determinado em demonstrar que queria retornar às competições europeias, após um hiato de sete anos…Contando com o apoio frenético que provinha das bancadas, o golo precoce de Romeu e o tento no minuto final de Luiz Mário, selariam a consecução do sonho de retornar à Europa do futebol.

Destaque, também, neste jogo para as despedidas de Palatsi, Romeu e Djurdjevic… homens que marcaram uma década em Guimarães e cujas ausências seriam notadas de modo extremamente doloroso nas seguintes épocas…

No final do jogo, Manuel Machado com a noção do dever cumprido, anunciava a sua saída do Vitória… Vítor Magalhães, aceitava a decisão do técnico, e prometia a contratação de Jaime Pacheco – à data, um regresso sebastiânico -… Mal ele sabia, o erro colossal que acabava de cometer, ao qual acrescia a permissão para os atletas supra citados, bem como Paulo Turra e Luiz Mário procurarem novos rumos para prosseguirem as suas carreiras… mas isso, já serão histórias para o próximo capítulo!

  Categories: