A década por capítulos [05/06]

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CAPÍTULO VII – Época 2005/2006

Jamais, alguém terá pensado que a época 2005/2006 encerrasse tamanha desilusão, como a que se viveu naquele fim de tarde de sete de Maio de 2006, dia em que o Vitória selou a sua descida aos infernos, quarenta e quatro anos depois… E, verdade seja dito, ninguém esperava tamanho desenlace no início de uma época em que se auguravam sucessos!

Desde logo, pelo regresso, como já dissemos no capítulo anterior, quase sebastiânico de Jaime Pacheco, que houvera sido despedido por António Pimenta Machado, quando se encontrava em segundo lugar na época de 1997/98. Desde então, a maioria dos associados vitorianos ansiava pelo seu retorno… ainda, para mais depois de se ter sagrado campeão nacional em 2000/2001, por um dos grandes rivais do Vitória: o Boavista!

Além de tal facto, o, suposto, bom naipe de atletas que Vítor Magalhães conseguiu recrutar para o Vitória e que se pensava que através da qualidade conseguisse suprir a mística perdida pelas saídas de homens como Palatsi, Paulo Turra, Djurdjevic ou Romeu, nunca conseguiu formar um grupo coeso e capaz de se unir em torno dos interesses superiores do Vitória! Nada mais falso…e, ainda, para mais num ano que para acerto das competições profissionais, desciam quatro equipas!

Porém, para rebater a debandada das referências no balneário, vasculhou-se por meio mundo, buscando novos reforços…

Assim, eram provenientes das diversas latitudes: do Brasil, para substituir o inolvidável Palatsi, chegava Nilson proclamado de Paredão da Arruda, em alusão às qualidades demonstradas no Náutico. Da Dinamarca, ainda que chegasse cedido pelo Arsenal londrino, era apresentado o médio defensivo, Sebastian Svard. Do Gana, arribava uma suposta pérola que prometia fazer reviver as inesquecíveis tardes do zairense N’Dinga: William Tiero, que logo antes de chegar, via a sua cabeça andar à roda, com comentários do seu seleccionador olímpico, Mariano Barreto, que dizia ser jogador para o Chelsea e, possivelmente, terá provocado o que sucederia posteriormente. Da Tunísia, apesar de ter feito a sua formação futebolística no Paris Saint-Germain e de lá ter saído rumo ao berço da nacionalidade, chegou o playmaker Selim Benachour, que era apodado de fiel discípulo de Zidane. Da Argentina, chegaria um extremo veloz, e que se dizia pretendido por meia Europa e pelos melhores clubes das pampas, Emanuel Rivas. Da Polónia, do Légia, chegaria a verdadeira estrela da companhia e o único a deixar saudades: Marek Saganowski, um dilecto discípulo de Paulinho Cascavel.

Uma verdadeira Torre de Babel que ruiria pela base…

Além destes, o mercado nacional seria, também, perscrutado em busca das melhores soluções. Do Sporting, chegaria um lateral direito que dizia pretender ganhar o lugar na selecção principal portuguesa: Mário Sérgio. De Elvas, chegaria um jovem que seria importante no futuro do Vitória, ainda que não o fosse na época, ora, relatada: Sereno, de seu nome. Dos escalões inferiores nacionais, mais propriamente de Chaves, chegaria, também, menino ainda, talvez o melhor defesa central da década vitoriana e que seria observado em Guimarães, por todo o mundo do futebol: Pedro Geromel. Do Belenenses, receber-se-ia um suposto box to box moderno e que poderia ser na equipa, o que ela carecia desde a saída de Pedro Mendes: Neca. De Braga, com alguma polémica à mistura, como não poderia deixar de ser, resgatar-se-ia o extremo Paulo Sérgio, o auto-intitulado Spice Boy português. De Felgueiras, arribaria uma jovem esperança: Pintassilgo. Para a frente de ataque, Vítor Magalhães parecia não olhar a sacrifícios para garantir os melhores a nível nacional: nomes como Dário, vindo da Académica, Clayton que houvera brilhado em Penafiel, e Manoel, que recrutado pelo Sporting ao Moreirense, era cedido aos branquinhos após o malogro que houvera sido a sua primeira passagem pelo Afonso Henriques.

Porém, a verdade saltava desde logo aos olhos dos menos iludidos… nunca nenhuma equipa nasceu de geração espontânea, muito menos feita a olho por um treinador que preferia os bombos aos violistas e um presidente que parecia sempre estar mal rodeado!

E, logo nos primeiros jogos, tal raciocínio seria confirmado. Na verdade, as quatro derrotas nas quatro jornadas iniciais demonstravam que a equipa tardava em sê-lo efectivamente e Jaime Pacheco parecia emaranhado nas teias que ele próprio ajudara a tecer.

Com efeito, se a derrota em casa por duas bolas a zero com a recém promovida Naval – que acabou com nove jogadores, apesar do árbitro ser Soares Dias – parecia ser um mero acidente de percurso, tal certeza seria confirmada com o percalço por três bolas a uma em Vila do Conde – onde Saganowski apontou o primeiro golo da época, num total de doze na competição interna nacional -, a que se seguiu a única derrota frente ao odiado rival nos últimos trinta anos na cidade onde nasceu Portugal e um desaire por três bolas a uma em Belém, onde Lucílio Baptista foi a estrela principal inventando uma grande penalidade que esbateu a vantagem precoce conseguida através de um golo de Benachour.

Pelo meio, a deserção do ganês Tiero, que, ainda hoje não se sabe a razão, e ainda se espera a devida indemnização pela quebra injustificada do vínculo contratual… só jogaria no primeiro jogo da pré-época, em Felgueiras, para sair lesionado ao intervalo! Ficaria famosa a rábula protagonizada por Vítor Magalhães a mostrar em Assembleias Gerais os faxes enviados pelo Comité de Apelo da FIFA dando razão ao Vitória e obrigando o Asante Kotoko, clube do jogador, e o próprio atleta à indemnização, sob pena de impossibilidade de ser inscrito… nada mais utópico! Tiero acabaria mesmo por regressar a Portugal, passados dois anos, mas para ser adversário do Vitória, actuando pela Académica!

No meio destas constantes desilusões, surgiria a alegria de eliminar o Wisla de Cracóvia, numa grande noite de Benachour, que terá marcado um dos golos da década na primeira mão em Guimarães – o Vitória venceria por três bolas a zero -, para no frio da Polónia, Saganowski trair os seus compatriotas, garantindo a primeira vitória vitoriana fora de portas em jogos europeus em oitenta e oito anos de história. Porém, a entrada na fase de grupos da Taça UEFA, onde emparceiraria com o Zenit São Petersburgo, Sevilla, Besiktas e Bolton era um mero fait-divers atendendo às preocupações que já sobressaíam na Liga Nacional.

Porém, o primeiro êxito lá chegaria… à quinta jornada, frente ao Marítimo, e com golo do inevitável Saganowski. Parecia ser o prenúncio para a ansiada recuperação.

Porém, não seria assim… apesar do bom jogo realizado frente ao Benfica, a derrota por duas bolas a uma seria uma realidade… apesar de Targino ter empatado a contenda num voo espectacular de cabeça a igualar a contenda após o golo de Miccoli, uma bola rematada por Simão e desviada no corpo de Pintassilgo iludiria Nilson… a sorte, para além de outros factores, teimava em virar as costas ao Vitória!

O Vitória de Jaime Pacheco, ainda, tentaria levantar a cabeça, vencendo em Setúbal com mais um golo do matador polaco, mas novo encontro, na cidade-berço, com o Paços de Ferreira traria mais um resultado infeliz com os castores: uma derrota por duas bolas a zero e a gritante incapacidade de descolar dos últimos lugares a ser evidente!

Seguir-se-ia mais uma derrota em Coimbra, para, posteriormente, almejar-se a terceira vitória do campeonato, em casa, frente ao Gil Vicente, por duas bolas a zero com tentos de Benachour e Paulo Sérgio.

Este desafio antecedeu uma das mais impressionantes manifestações clubísticas de uma equipa nacional num jogo europeu, no estrangeiro. Com efeito, foram milhares que viajaram desde Guimarães até Sevilla para acompanhar a equipa no desafio europeu, perante os homens de Nérvion… todavia, na primeira metade o futuro vencedor dessa edição da competição já vencia por três bolas a zero e o golo de Benachour foi um mero lenitivo numa jornada decepcionante!

Antes dessa aventura andaluz, já o Vitória havia sido derrotado por duas bolas a uma em São Petersburgo, graças a uma arbitragem vergonhosa de um juiz sérvio, que expulsou Medeiros e apontou a respectiva grande penalidade após mergulho de Arshavin… os grandes jogadores são, também, grandes artistas! O golo de Kerzhakov na primeira metade agudizaria, ainda mais o quadro de preocupações. Na segunda metade e após o golo apontado, novamente, pelo tunisino a reduzir distâncias, o árbitro anularia, inexplicavelmente, outro ao Vitória, que garantiria um mais do que merecido empate… efeitos das arbitragens, numa Cortina de Leste que, só, aparentemente deixaria de existir!

Em casa, o empate frente ao Bolton soou, também a desilusão, pois quando Saganowski bateu Jaaskelainen, nos minutos finais, ninguém pensou que os ingleses tivessem capacidade para resistir… todavia, o génio do senegalês El-Hadji Diouf e a capacidade concretizadora do português Ricardo Vaz Tê empatariam a partida; este seria o único ponto que os Branquinhos conquistaram na fase de grupos da Taça Uefa. No outro prélio caseiro, a derrota frente o Besiktas, por três bolas a uma, traduzir-se-ia numa mera formalidade, em que a única nota digna de registo traduziu-se em mais um golo do polaco que, ainda, hoje desperta saudades no D. Afonso Henriques.

Quanto ao campeonato, esse continuava sendo uma imenso desilusão… após a derrota em Alvalade, seguia-se a União de Leiria em casa. Para a generalidade dos apreciadores era o jogo decisivo para a recuperação e mesmo nas declarações dos atletas essa realidade estava bem alicerçada… Porém, a equipa não conseguiria conviver com essa pressão e cairia, estrondosamente, perdendo por três golos sem resposta – resultado feito na primeira metade, sendo que aos cinco minutos, o Vitória já perdia por duas bolas a zero – e para cúmulo com o abono de família polaco expulso por meter as mãos à bola, provocando uma grande penalidade de onde adviria o terceiro tento, apontado por Paulo César que seguiu a sina dos mal-amados no Berço… incapaz de facturar no Vitória, letal nos demais clubes contra os vitorianos!

Com tamanho descalabro e com a equipa plantada no penúltimo lugar, caiu, finalmente, um mito. Jaime Pacheco seria despedido, provando que em Guimarães os regressos dos técnicos jamais resultaram… Assim foi com Jorge Vieira, com Marinho Peres, com Quinito, com Autuori e era assim com o técnico em que um dia Pimenta Machado resolvera apostar, após ter levado a União de Lamas a empatar às Antas…

Ainda para mais, o desafio seguinte seria frente um Penafiel que era a única equipa que se encontrava atrás do Vitória. Orientada por Basílio Marques, que assumiu as funções de treinador interino, a equipa venceria por um golo a zero, graças a um petardo de Benachour, no último minuto!

A esperança renascia e mais ardente ficaria, na estreia de Vítor Pontes, que por estas alturas era o treinador da moda e conotado como o discípulo mais fiel do então The Special One, graças a um empate a um no Bessa…um golo fabuloso da estrela da companhia, Saganowski, garantiria um merecido ponto e a certeza da evolução da equipa, que nem a derrota caseira com o Porto, por duas bolas a zero afectaria!

Chegávamos a Janeiro…e Vítor Magalhães, na ânsia de evitar o temido descalabro, cometia mais um pecado capital: reforçava a equipa com seis jogadores. Apesar de se notarem lacunas na mesma, a verdade é que tamanha alteração do plantel levou a que o Vitória quase efectuasse uma pré-época em competição. Com efeito as entradas imediatas no onze do lateral direito Vítor Moreno, proveniente do Estoril, do lateral esquerdo moçambicano Paíto emprestado pelo Sporting, do médio centro brasileiro Otacílio que se encontrava no desemprego após a experiência em Leiria, de Wesley que houvera brilhado no Penafiel e chegava emprestado pelo Alavés, do extremo direito espanhol Gallardo chegado do Sevilla e do avançado gabonês Antchouet, que tal como Wesley, vinha emprestado do Alavés.

O Vitória construía uma equipa nova na abertura do mercado, o que nunca deu bons resultados. A confirmar isso o empate caseiro frente ao Rio Ave, após o empate a zero na Figueira da Foz.

O desafio frente aos vilacondenses revestir-se-ia de uma particularidade… seria o único em que Gallardo actuaria, no campeonato, pelo Vitória… passados uns dias sairia do clube por circunstâncias nunca explicadas, mas com muitos boatos à mistura! A experiência lusitana do andaluz durava menos de um mês e o Deportivo abraçava-o em La Liga…

Na sequência deste jogo, mais uma dolorosa derrota frente ao eterno inimigo… o golo de João Tomás – novamente, ele, que no Vitória não acertava, e a fazer o que Paulo César também fez – seria mais do que suficiente para abater os ânimos vitorianos… se bem que a bola cabeceada por Saganowski à barra era digna de merecer melhor sorte!

Com o panorama cada vez mais negro, os adeptos resolveram tentar ser, no seu máximo expoente, o décimo segundo jogador… a um treino assistiram mais de três mil vitorianos no intuito de motivar os atletas para a partida com o Belenenses! Os intentos seriam gorados quando Nilson ofereceu uma bola a Romeu para colocar os azuis em vantagem. O antigo avançado vitoriano, quase em lágrimas, não festejaria o golo chegando a virar-se para a bancada, desculpando-se por tal afronta…era esta a mística que houvera sido vilmente escorraçada do nosso balneário, que por estas alturas estava preso por arames! O Vitória reagiria e Dário e Saganowski colocariam os Conquistadores com uma vantagem que não conseguiriam segurar, graças ao golo do empate obtido por Ruben Amorim. Mais um balde de água gelada caía sobre todos os vitorianos…

Porém, após este desaire surgiria o melhor período vitoriano na prova… à vitória por uma bola a zero na Madeira frente aos verde rubros, mais uma cortesia de Saganowski, seguir-se-ia o jogo do Cordão Humano… o dia em que Guimarães saiu à rua para apoiar os seus Conquistadores e logo antes do prélio contra o Benfica. A iniciativa daria resultado e graças a uma – talvez, a única – grande exibição colectiva, os vitorianos venceriam com golos de Svard e Neca.

A manutenção era possível e ainda para mais com a Taça de Portugal a servir de brinde… A eliminação do Benfica, em plena Luz, com golo de Dário e uma portentosa exibição de Nilson – no fundo, a primeira grande exibição de muitas do guarda-redes vitoriano – faziam acalentar o sonho de atingir a final da prova, bastando para isso derrotar o outro Vitória, no seu reduto.

Seguiu-se o empate no Nacional a um, graças a um golo resultante de uma grande jogada individual de Wesley… o Vitória começava a levantar a cabeça do pântano em que se encontrava envolvido e a vitória por quatro tentos sem resposta frente ao Setúbal, com hat-trick de Sagan, eram a melhor prova disso e ainda para mais na antecâmara do jogo da Taça…

Até que sucedeu o momento chave da época… esse mesmo jogo da Taça… nunca tantos carros com cachecóis pretos e brancos fizeram a A1 a um dia de semana… eram cerca de seis mil vitorianos que num dia de intempérie se fizeram à estrada para apoiar a equipa… um espectáculo impressionante, a dúvida se não estaríamos em Guimarães, apesar da longa viagem, tal a profusão de caras conhecidas pelas margens do Sado!

Jogo sensaborão nos noventa minutos e que conduziu ao concomitante prolongamento…logo no início o momento mais desejado… cabeçada de Saganowski – quem mais poderia ser ? – a sobrevoar o brasileiro Rubinho e a colocar o Vitória em vantagem…a loucura num dos topos do Bonfim! Até que chegou aquele malfadado último minuto que ainda assola os pesadelos dos vitorianos… a falta inexistente sobre Adalto de Vítor Moreno… o livre marcado… a confusão na área…e o toque final de Auri a levar o jogo para as grandes penalidades, quando o sonho estava perto… demasiado perto para ser desperdiçado!

No desempate através da marcação de grandes penalidades, a sorte voltaria a virar as costas ao Vitória, apesar de Nilson ter-se oposto com sucesso a duas transformações… mas, o Vitória desperdiçaria três com Paulo Sérgio, no último, a atirar displicentemente para as mãos do guardião brasileiro que seria herói graças à inépcia do vitoriano… O sonho morria naquele momento, bem como a época!

Em profundo estado de ressaca psicológica, a equipa jogaria em Paços de Ferreira uma cartada decisiva rumo à manutenção… o golo no penúltimo minuto de Antchouet parecia querer demonstrar que, apesar de se notarem debilidades no estado mental da equipa, algo de miraculoso ainda poderia suceder… Logo a seguir ao golo do gabonês, no intuito de segurar três preciosos pontos, Dragóner substitui Dário… No único minuto que está em campo e na única vez que toca na bola, o húngaro acerta-lhe mal com a nuca e bate inapelavelmente Nilson, fazendo uma auto-golo…Que equipa teria resistência e estofo psicológico para dar a volta a tantas contrariedades? O Vitória, certamente, que não!

Seguir-se-ia o empate caseiro a um com a Académica, numa clara manifestação de incapacidade para vencer e a deslocação a Barcelos onde apesar do tento de Cléber e da expulsão de Gregory – dois velhos amigos que segundo rezam as crónicas se travaram de razões quer nos túneis do Afonso Henriques quer nas catacumbas do Cidade de Barcelos – o Vitória foi incapaz nos cinquenta minutos que esteve em vantagem no marcador e em superioridade numérica de matar o jogo… sofreria o tento do empate, novamente no ocaso da partida (aos noventa e três minutos), por João Vilela.

Em seguida a derrota caseira com o Sporting anunciava o pior dos cenários e obrigava a uma vitória em Leiria. Perante milhares de adeptos e com mais uma absurda carga policial, o Vitória faria uma primeira metade de jogo de alto gabarito… só que a bola recusava-se a beijar as redes de Costinha, mesmo quando Benachour o ultrapassou! O golo de Cadú da Silva, durante a segunda metade, apenas, confirmaria que a sorte nada queria com os homens de Guimarães!

Seguiam-se dois jogos no Afonso Henriques, vitais para as já ténues esperanças… o primeiro com o último classificado, o Penafiel, seria facilmente ultrapassado por três bolas a uma, com golos de Benachour, Saganowski e Wesley. Após o seu golo, o tunisino que após o seu regresso da CAN nunca mais rendera o que havia feito na primeira metade da época, levou o indicador à boca mandando calar quem fizera dele um ídolo e até a vénia lhe fazia… não seria perdoado e independentemente da manutenção ser alcançada ou não viu o seu destino traçado naquele momento! Apesar de tudo, a vitória era uma lufada de ar fresco… a primeira após a goleada ao Setúbal e já tinham passado seis jogos… seis desafios comprometedores para o objectivo de evitar a descida aos infernos!

Seguia-se o Boavista… o jogo do tudo ou nada e em que tudo correu mal… ao golo precoce de Paulo Jorge, ainda responderia o Vitória com um fabuloso tiro de Paíto… mas era insuficiente e com o próximo jogo no Dragão só mesmo um milagre serviria!

Não aconteceu… no jogo da festa do Porto, novamente, campeão e após muitas teorias da conspiração o Vitória perderia por três bolas a uma… mas, com a certeza que o árbitro Hélio Santos decidira arruinar qualquer tipo de desiderato na luta (ínfima) pela manutenção ao anular um golo limpo a Antchouet, que seria o empate a dois… mas, já se sabe, do mórbido prazer dos árbitros lusos em prejudicar o Vitória!

O último jogo de tão funesta caminhada seria em casa com o Estrela… numa manifestação ímpar de amor a um clube e a uma causa o estádio encheu-se, ainda que as esperanças do êxito da manutenção fossem semelhantes às de um moribundo escapar ao destino final… Porém, para isso, o Vitória teria de vencer o seu jogo… nem isso conseguiria, perdendo por uma bola a zero com golo de Semedo… se nos últimos nove jogos da Liga o Vitória só venceu uma, fazendo sete pontos em vinte e sete possíveis como haveria de evitar a despromoção?

Do recinto de jogo, os atletas fugiram rapidamente… das bancadas, os indefectíveis adeptos, chorando, entoavam um arrepiante Vitória até Morrer que haveria de tocar fundo quem assistiu…

No final da época e com o argumento que não pretendiam actuar em escalões inferiores a maior parte dos atletas, bem como Vítor Pontes abandonariam o barco, o que Vítor Magalhães agradeceu atendendo aos salários principescos que auferiam e ao parco rendimento desportivo demonstrado… os que ficaram, feridos no orgulho, prometeram levar o Vitória de novo para o seu lugar de direito: a Liga principal.

Apesar de não ser parte deste capítulo, diremos que conseguiram, sendo ainda hoje ídolos dos melhores adeptos do mundo. Com efeito, nomes como Nilson, Flávio ou Geromel tornaram-se verdadeiros modelos e embaixadores da causa vitoriana… mas isso seria pelos feitos futuros que não são para antecipar neste capítulo que já vai longo… Os outros, bem os outros, depois de sair do Vitória terá existido algum que tenha conseguido singrar no mundo do futebol? Responda o leitor, enquanto não chega o próximo capítulo…

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