A década por capítulos [06/07]

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CAPÍTULO VIII – Época 2006/2007

A temporada 2006/2007 prometia ser penosa para todos os apaniguados vitorianos… com efeito, após o rotundo falhanço em que redundara a época transacta, a equipa iria ter de enfrentar uma nova realidade: a Liga de Honra… algo que já há quarenta e quatro anos não sucedia!

Para tal missão, e atendendo às sempre depauperadas finanças do clube, o presidente Vítor Magalhães, que houvera sobrevivido a uma Assembleia-Geral das mais quentes que se realizaram no clube, apostava em Luís Norton de Matos para treinador principal, consumada a rescisão com Vítor Pontes.

Tendo o plantel sofrido uma verdadeira sangria com a saída de inúmeros atletas, urgia reconstrui-lo… para isso, atendendo à falta de condições monetárias a que se aliava o conhecimento que o novo treinador possuía dos escalões secundários franceses, a aposta primordial recairia nesses atletas que, por uma razão ou por outra, andariam perdidos nesses campeonatos inferiores. Deste modo, no Verão de 2006 chegaram a Guimarães, nomes como: Dembelé, lateral direito proveniente do Poissy, Momha, lateral esquerdo que chegava do Laval, Nemouthé, extremo direito que actuava no Paris FC, e os que marcariam de modo mais vincado os vitorianos: o extremo esquerdo, Yves Desmarets que actuava no Les Lilas e o avançado argelino, Kamel Ghilas, antigo jogador do Cannes.

Além desta aposta numa verdadeira Legião francesa, alguns atletas a jogar em Portugal seriam contratados. Assim, o guarda-redes, Nuno Santos, chegaria a Guimarães para competir pela titularidade com Nilson. Na defesa, as apostas a nível nacional passariam pela recuperação de Sereno, após um ano de empréstimo ao Famalicão, no central brasileiro, que actuava no Santa Clara, Danilo e em Franco, antigo central goleador do Rio Ave. Para o meio campo, o jovem Pelé, que saltava dos juniores, era a grande esperança, sendo que o brasileiro Brasília, vindo do Leixões, possuía um atestado de qualidade inegável, muito por graças à sua capacidade para cobrar bolas paradas. Na frente de ataque, ressaltavam as contratações de Henrique, também proveniente do Leixões, Fábio Hempel que tinha fama de goleador em Setúbal e Edgar Marcelino, formado nas escolas do Sporting e que actuava na Holanda, no Roosendaal. Bacari, que vinha de Famalicão, seria o back-up destes homens golo.

Apesar da sangria que o plantel houvera sofrido, a verdade é que até o mais renitente dos adeptos, pensava que esta descida ao inferno, seria uma mera formalidade rumo ao lugar que é de direito do Vitória e onde tem sempre de estar: a Primeira Liga…. Porém, nada seria assim tão simples!

É verdade que o Vitória iniciaria a competição vencendo tranquilamente o Vizela, em casa, por duas bolas a zero, com golos de Ghilas e Brasília, logo no primeiro quarto de hora de jogo. Mas, porém, o pior chegaria nas jornadas subsequentes: derrota na Póvoa frente ao Varzim, derrota caseira frente ao, também, despromovido Penafiel – com golo de Clayton, a confirmar que os antigos jogadores vitorianos têm uma especial apetência em marcar aos branquinhos – e, pasme-se, derrota dolorosa em casa do Olivais e Moscavide, por duas bolas a um e com Moreno a ser expulso de cabeça totalmente perdida, atendendo às dificuldades que a equipa parecia sentir para se impor a adversários de igual, incomparavelmente, inferior.

Por estas alturas, já Vítor Magalhães era bombardeado com críticas, deixando antever que a vitória na Assembleia Geral em que se decidiu o seu futuro, fora uma vitória de Pirro. Norton de Matos, esse, era qualificado como, potencialmente, bom observador de talentos, mas péssimo treinador. E mesmo alguns nomes como Dembelé, Nemouthé, Fábio e Henrique começavam a sentir a pressão de jogar num clube com os pergaminhos do Vitória… e esse era o argumento utilizado para justificar os desaires: os jogadores sentiam uma imensa pressão para ganhar e não se encontravam, ainda, adaptados ao futebol que se praticava neste escalão.

Com o clube em ebulição, chegaria a segunda vitória na competição… frente ao Chaves, em casa, com golo madrugador de Henrique. Porém, a equipa praticava um futebol sensaborão e, acima de tudo, via os principais rivais a manterem distâncias.

O posterior empate, a um, em Barcelos, frente a um Gil Vicente despromovido, administrativamente, por culpa do caso Mateus, parecia indiciar que a retoma era efectiva… o golo de Fábio Hempel nos instantes finais da contenda, colocava um cunho de justiça no marcador e demonstrava que os processos de jogo já se encontravam adequados às particularidades da competição em que a equipa estava envolvida.

Seguir-se o melhor período da equipa sob os desígnios de Norton de Matos: onze pontos em quinze possíveis, com especial realce da vitória sobre um dos mais fortes candidatos, o Leixões no seu próprio reduto, Com efeito, os golos, no ocaso da partida, de Moreno e Tiago Targino selaram a colagem do Vitória ao pelotão de frente; aproximação essa, que não seria mais evidente, por culpa do empate a um, em casa, com o também candidato Feirense.

Até que chega o dia 11 de Novembro de 2006; dia da estreia do Vitória na Taça de Portugal, em Mafra, clube da Segunda Divisão. O Vitória cairia, estrondosamente, perdendo por duas bolas a uma e Norton de Matos via-se de novo no epicentro de um verdadeiro cataclismo.

Com tamanha contestação, a produção da equipa cairia a pique, novamente, demonstrando-se que a inquietação exterior traduzia-se na irregularidade exibicional da equipa e na perda de pontos que poderiam ser preciosos… O inferno estava mesmo a sê-lo e já se temia que em Maio o Vitória não pudesse celebrar a sua redenção!

Na verdade, as derrotas por cinco bolas a três em Vila do Conde, em tarde infeliz do guardião Nuno Santos, que substituíra Nilson lesionado, e em casa com o Gondomar – ainda que entrecortadas com a vitória em Portimão, por três bolas a uma – fizeram a corda partir para o lado mais fraco… Norton de Matos era despedido e para o seu lugar falava-se em Manuel Cajuda…por alturas do Natal de 2006, no Berço nada havia para festejar!

Manuel Cajuda chegaria, após uma fracassada aventura no Egipto, longe de imaginar que haveria de tocar os píncaros da Lua em Guimarães. Quase, em simultâneo, fruto de uma ensurdecedora contestação, Vítor Magalhães bate com a porta antecipando as eleições que se deveriam realizar só em Junho desse ano. Porém, antes disso, tentaria o mesmo golpe de rins do ano anterior, quando quase adquiriu meia equipa no mercado de Inverno. Nesse Janeiro efervescente, para além de Cajuda, aterrariam no Berço, o lateral direito Rissutt, proveniente do Fluminense, o médio centro Paulo Adriano vindo do AEK Larnaca do Chipre, o internacional do Benim, Tchomogo, já apalavrado no tempo de Norton de Matos e o brasileiro Anderson Costa, cedido a título de empréstimo pelo Dínamo de Zagreb… era uma nova equipa com um novo técnico, que tentava o milagre de escalar postos atrás de postos, até almejar os lugares de promoção. Ao invés, partiam sem fama nem glória, os franceses, Nemouthé e Dembelé, o lateral esquerdo Pinto, e os avançados Fábio Hempel e Edgar Marcelino.

Mas, a nova equipa e o novo treinador não teriam um início fácil… a derrota no jogo inaugural em Olhão – terra natal de Cajuda, que se estreava no banco vitoriano -, seguida de mais uma desilusão em Vizela, antecipavam o cenário de cataclismo. Para mais, a agitação decorrente do período eleitoral parecia ainda turvar mais os espíritos, com três listas a perfilarem-se, encabeçadas, respectivamente, por Emílio Macedo da Silva – que era membro da lista de Vítor Magalhães e dela saíra em litígio – , o repetente nestas andanças António Rodrigues e André Pereira.

Em plena campanha eleitoral, Cajuda somaria o primeiro ponto à frente dos destinos do Vitória, frente ao Varzim, em casa, com Ghilas a desperdiçar uma grande penalidade. Apesar do resultado não ser positivo, a verdade é que o treinador algarvio, desde logo, afirmou ter ganho uma equipa…e como ele teria razão!

No jogo seguinte, em Penafiel, com a equipa no décimo segundo posto do segundo escalão do futebol português, Cajuda alcançaria a primeira vitória como treinador do Vitória… O resultado seria dois a zero e os golos vitorianos apontados pelo lateral esquerdo Momha, num estranho cruzamento que enganou Avelino, e pelo vimaranense Nuno Mendes, que desentendendo-se com o seu guardião, apontaria um auto-golo.

Porém, esta vitória que, isoladamente, nada valeria seria o arranque para uma cavalgada imparável… o Vitória não mais conheceria a derrota até final da época! No total seriam doze jogos sempre a pontuar e que se consubstanciariam numa caminhada gloriosa!

Intra-muros, o Afonso Henriques transformar-se-ia um reduto inexpugnável, onde, apenas, o, também, promovido Leixões empataria, bem como no jogo do Regresso do Rei, a Olhanense. Fora, a equipa, apenas, empataria na Feira.

Mas, durante essa epopeia, mesmo antes do jogo em Chaves, onde milhares de vitorianos rumaram, já, crentes na recuperação, o actual presidente, Emílio Macedo da Silva, vencia as eleições. Imediatamente, rumaria ao Municipal flaviense, onde veria Flávio a apontar o golo da vitória, para gáudio dos adeptos que apoiaram incondicionalmente a equipa.

Posteriormente, beneficiando da quebra do Rio Ave, que perderia em Guimarães por três bolas a zero, com excelsa exibição do, ainda, júnor, Rabiola, o Vitória aproximava-se dos lugares desejados… haveria, ainda antes desse prélio com os homens comandos por João Eusébio, de retardar o zénite dessa escalada ao empatar em casa com o Leixões perante trinta mil espectadores – marca máxima na II Liga – para logo a seguir obter o mesmo resultado na Vila da Feira…

Mas, recuperaria de imediato, vencendo na Trofa com golo de Otacílio, batendo do modo supra citado o Rio Ave e goleando o Portimonense por seis tentos sem resposta… beneficiando de mais um desaire dos homens de Vila do Conde que ficaram sem pilhas nas últimas rondas!

Aquando da deslocação a Gondomar, a dúvida era se a festa do regresso seria realizada na terra do major, ou só na semana seguinte em Guimarães… seria fora de portas, graças à derrota por duas bolas a zero dos vilacondenses em Olhão, e uma vitória por igual score dos branquinhos, com golos de Ghilas e Brasília!

À chegada a Guimarães, um mar de gente vitoriava os obreiros de uma recuperação hercúlea…ao Toural, acorreram velhos e novos para vitoriarem todos os elementos que cerrando os dentes, conseguiram fazer da utopia a realidade, arregaçando as mangas e colocando o Vitória no seu devido posto… A festa foi inesquecível e a certeza da saída do inferno constituía um verdadeiro alívio para os que até altas horas da noite celebraram!

No último desafio, com um estádio à pinha, o empate a um frente à Olhanense seria, apenas, o mote para lançar o mote que o Rei estava de Regresso… para sempre, dizemos e esperamos nós!

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