A década por capítulos [07/08]

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CAPÍTULO IX – Época 2007/2008

A época de 2007/2008, que ora vamos relatar, foi a temporada denominada de Regresso do Rei.

Sob o comando de Manuel Cajuda, que houvera sido o grande obreiro, da escalada da equipa das catacumbas da II Liga até à promoção, a equipa iniciava os trabalhos com o firme propósito de comprovar a trajectória ascendente que houvera feito no ano anterior, honrando os pergaminhos de quarto maior clube português.

Para esse propósito, chegaram alguns homens a Guimarães, com o intuito de reforçar a equipa. Deste modo, as contratações do defesa central sérvio, Radanovic, vindo do Hajduk Kula, do brasileiro Márcio Martins, do lateral direito, ex Vila Nova, Andrezinho e do lateral esquerdo, Luciano Amaral, serviam para reforçar um sector defensivo que perdera Franco, mas acima de tudo Rissutt, que alegando oferecerem-lhe melhores condições económicas, assinara pelo Boavista.

Para a zona intermédia, as indicações de Manuel Cajuda a Emílio Macedo da Silva centraram-se na qualidade e no conhecimento que tinha dos atletas a contratar, pois a aposta recairia, maioritariamente, em atletas que já haviam sido orientados por si. Deste modo, a Guimarães chegaram João Alves, vindo do Sporting num contrato de aquisição tripartida, em que os leões, Braga e Vitória dividiam, percentualmente, os direitos do atleta, Alan, emprestado pelo Porto, Fajardo, proveniente da Naval 1ºde Maio e o extremo Carlitos, que chegava após uma experiência fracassada no Belenenses.

Para a frente de ataque, após a debandada geral dos componentes deste sector, as apostas recairiam no desconhecido sérvio, vindo do Maccabi Tel-Aviv, Milijan Mrdakovic e no brasileiro que um dia fizera dupla de ataque com Ronaldinho nas selecções mais jovens do escrete, Felipe Tigrão e que procurava relançar a sua carreira no futebol europeu.

A época começou do modo como houvera acabado a anterior… sem derrotas, estreando-se em casa empatando a um com o Setúbal, graças a um golo de Fajardo. Um resultado sensaborão e que deixava dúvidas relativamente ao real valor da equipa.

Porém, seguir-se-ia um ponto extremamente saboroso… na Luz, perante o Benfica, o Vitória faria uma exibição plena de personalidade, empatando o jogo a zero… era a demonstração que o Rei queria fazer figura. Destaque neste jogo, para a lesão grave do central Danilo – que lhe custou toda a época – e possibilitaria o aparecimento de uma das melhores duplas de defesas centrais de toda a história do clube: o duo composto pelos jovens Sereno e Geromel, que haveriam de encantar meia-Europa, graças à sua capacidade futebolística e complementaridade e seriam uma das traves-mestras do sucesso que a época se revestiria.

Seguiu-se um empate a dois frente ao Leixões, no reduto dos também recém-promovidos, para, finalmente, chegar a primeira vitória da temporada… frente ao Nacional da Madeira, por uma bola a zero, graças a grande golo de Tiago Targino!

A vitória inicial faria a equipa perder os receios… seguir-se-iam mais duas vitórias, goleando a Naval na Figueira da Foz por quatro bolas a uma e vencendo de, forma bem saborosa, graças a um golo de Geromel, o eterno e odiado rival… o Vitória à sexta jornada estava em segundo lugar e mantinha-se invicto.

Até que chegava o desafio frente ao Sporting, em Alvalade… os Conquistadores demonstrando uma sólida personalidade, atemorizam os leões de Paulo Bento e ameaçarm o golo por mais de uma vez… Porém, o árbitro Jorge Sousa faria o que sempre fez nesta época: prejudicar, de forma reiterada e descarada, o Vitória. Deste modo, fez vista grossa, a uma clara falta sobre Moreno e que abriria as portas do triunfo aos lisboetas… uma vergonha, como tantas que vão grassando no futebol português e que facilitaria a missão dos rivais vitorianos.

Mas, apesar disso, a equipa não se deixaria abater arrancando para uma série de sete pontos em nove possíveis: vitória por duas bolas a um, em Guimarães, frente ao Leiria, graças a um golo de última-hora do antigo júnior, e entretanto contratado pelo Porto, Rabiola, vitória na Madeira, com golo de Ghilas, e empate caseiro, como habitualmente sucede, frente ao Paços de Ferreira…apesar deste último percalço a equipa demonstrava estar cimentada nos lugares cimeiros, graças a uma absoluta solidez defensiva e a uma eficácia letal na hora de alvejar o adversário.

Até que chegaríamos ao jogo, no Bessa, frente a um Boavista, que já agonizava em termos financeiros… uma segunda-feira à noite em que o Vitória seria derrotado por três bolas a duas! Homem do jogo: o inenarrável Lucílio Baptista que só à sua conta escamotearia três grandes penalidades aos branquinhos… e, ainda, arranjaria tempo para inventar uma a favor dos axadrezados que lhes garantiu o triunfo: imerecido… tal a diferença de qualidade demonstrada pelas equipas!

Além do ponta de lança Lucilio, destaque para a noite negra do central vitoriano Radanovic, que substituindo Sereno, jamais se conseguiria encontrar, facilitando a vida, já de si simplificada pelo trabalho dos árbitros, aos dianteiros adversários.

A vitória seguinte, por duas bolas a uma, frente à Académica, serviria, apenas para demonstrar que os ânimos vitorianos não se estilhaçavam facilmente… a equipa continuava unida e firme no propósito de fazer história e nem mesmo a derrota seguinte por duas bolas a zero no Dragão, numa fantástica romaria protagonizada pelas gentes de Guimarães, faria atemorizar os ânimos, ainda para mais sendo a equipa que mais batera o pé ao, já, destacado líder… não fosse Olegário Benquerença, virar a cara para o lado contrário quando a bola centrada por Quaresma, e que daria o golo inaugural de Sektioui, ultrapassou a linha lateral e outro resultado, certamente, sucederia!

A vitória no final do ano por uma bola a zero frente ao Belenenses confirmava que 2007 houvera sido um ano pleno de êxitos, com meras quatro derrotas: em Olhão, ainda na Honra, e as três que sucederam no escalão principal.

O ano de 2008 principiaria com um dos mais sui-generis jogos de futebol da história do jogo. Na Amadora, o Vitória cedo se adiantaria no marcador por Mradakovic praticando um futebol do mais fino quilate e deixando antever mais golos… Todavia, uma noite infeliz de Geromel, e quatro (!) bolas nos ferros da baliza de Nélson ditaram a derrota… refira-se que o Estrela fez três remates durante o jogo e marcou quatro golos, graças a um auto-golo do central brasileiro e (pasme-se!) com Hélder Cabral, dispensado por Cajuda, também a apontar um golo e a fazer uma exibição digna de um lateral esquerdo de topo mundial… o Vitória, esse, tinha a consolação de ter feito a melhor exibição da temporada; algo de pouco valor prático, atendendo às inacreditáveis incidências do desafio. A primeira volta da competição acabava de modo inusitado…

Neste primeiro mês de 2008, o plantel seria reforçado, com o intuito de tentar estabilizar a equipa nos lugares cimeiros. Deste modo, a Guimarães chegariam provindos do J. Mallucelli o médio Paulo Henrique e o extremo Marquinho. Para a frente de ataque, a escolha recaía no matador Roberto, que por esses dias, no Varzim, era dos melhores marcadores da Liga de Honra.

Logo no início da segunda metade da competição, o Vitória arrancaria um precioso triunfo sobre o seu homónimo de Setúbal, por uma bola a zero… uma vitória importante para estabilizar a equipa e para atenuar os efeitos da posterior derrota caseira frente ao Benfica por três tentos a um.

Seguia-se o Leixões… um adversário incómodo e que se colocou cedo em vantagem… porém, no último quarto de hora, a actuar com dez homens devido a expulsão de Sereno, o Vitória daria a volta ao jogo… na sua estreia de branco Marquinho empataria a partida, para Roberto, logo de seguida, estrear-se, também, a marcar de Rei ao peito… uma reviravolta especial, perante um adversário que sempre terá prazer em causar engulhos aos homens de Guimarães!

Por estas alturas, jogava-se em Setúbal os quartos de final da Taça… numa história já vista, a nossa equipa haveria de ser desfeiteada no desempate por pontapés da grande penalidade, após empate a um nos tempos regulamentares… má sina!

Posteriormente, viria o Nacional… em jogo que era para começar no Sábado, mas devido ao intenso nevoeiro da Choupana só se realizaria no dia seguinte… os vimaranenses perderiam por uma bola a zero e assistir-se-iam a lamentáveis cenas protagonizadas pelo treinador sérvio Jokanovic, tentando agredir Manuel Cajuda e demais elementos da equipa técnica vitoriana…

O Vitória venceria, logo após, a Naval graças a um golo de Desmarets, para de enfiada ir arrancar um ponto a Braga, onde voltaria a ser seriamente prejudicado pela arbitragem… o golo limpo de Mrdakovic, que bateu inapelavelmente Kieszek, seria, incrivelmente, anulado por Paulo Costa!

Até que chegaria, talvez, o momento alto da época… a recepção ao Sporting num verdadeiro inferno branco… os atletas, esses seriam sublimes, vingando as atrocidades cometidas por Jorge Sousa na primeira volta. O triunfo por duas bolas a zero, graças a golos de Sereno e Fajardo confirmavam que o Vitória era a melhor equipa do campeonato, excepcionando o Porto que, destacadamente, liderava a prova… Mas, obviamente, mais não poderia ser exigido a uma equipa e a um treinador que no anterior disputavam o segundo escalão do futebol português!

Após esta vitória, a equipa técnica resolveu, finalmente, assumir os seus propósitos europeus… e em campo, os jogadores corresponderam! Onze pontos em quinze possíveis, e, apenas, a dor de deixar escapar dois pontos em Paços de Ferreira quando já ninguém o alvitrava… porém, o bis de Wesley – sempre os antigos atletas a complicarem as contas – mesmo em cima da hora, impossibilitaria a conquista de dois pontos que iriam cimentar um impensável, à partida, segundo lugar e concomitante acesso à Champions.

Os restantes pontos seriam desperdiçados em Coimbra, frente à Académica, num empate a zero.

Seguia-se o Porto e perante fantástica enchente, uma dolorosa derrota que em nada comprometia o objectivo de fazer história… entretanto, no mesmo dia, Lucílio Baptista resolvia fazer de Liedson e ajudava o Sporting a vencer o Marítimo e assumir o segundo lugar da tabela!

No jogo seguinte no Restelo, e entalado entre Sporting e Benfica, o Vitória não conseguiria tomar de assalto o segundo lugar… o empate a um sabia a pouco e deixava a equipa em terceiro lugar. Porém, Jorge Sousa, novamente teria papel fundamental em tal insucesso… negando um golo limpo aos branquinhos com o árbitro auxiliar – como as imagens televisivas comprovariam – a piscar-lhe o olho, como aquiescendo a malabarice realizada, e perdoando a expulsão de Rodrigo Alvim, após atroz entrada sobre Carlitos que saiu directamente para o hospital… Estranho, para um juiz que, ainda, no recente jogo frente ao Beira-Mar expulsou Edson sem qualquer perdão!! Mas, a verdade é que o juiz portuense seria dos principais inimigos vitorianos na época ora recordada…

No último desafio, vitória clara sobre o Estrela da Amadora, por quatro bolas a zero, e a consolidação de um terceiro lugar inesperado no início da época…

Guimarães voltava a sair à rua para festejar o apuramento para a pré-eliminatória da Champions e com expectativa de entrada directa, aguardando a decisão do Comité Disciplinar da UEFA relativamente ao processo em que o Porto era acusado de corrupção… mas, independentemente, disso importava era festejar o regresso em força de um dos maiores clubes do futebol nacional!!

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