A década por capítulos [08/09]

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CAPÍTULO X – Época 2008/2009

A época 2008/2009 começaria sob o terrível signo da indefinição. Com efeito, devido às incertezas suscitadas pelo veredicto da justiça desportiva europeia, no tocante ao processo Apito Dourado, o Vitória principiava a época sem saber se teria entrada imediata na fase de grupos da Liga dos Campeões, ou teria de disputar uma pré-eliminatória para aceder a tal fase.

Após a decisão com impossibilidade de recurso do Tribunal Arbitral Desportivo de Lausanne, o Vitória seria notificado como co-interessado que iria ter de disputar a fase qualificativa para integrar a competição mais importante a nível europeu.

Porém, essa incerteza acarretaria a construção de um plantel com inúmeras deficiências. Assim, para colmatar a saída do menino de ouro Geromel para o FC Koln, chegaria, sob recomendação de Cajuda, o defesa central francês, provindo do Marítimo, Gregory… nunca faria esquecer o jovem brasileiro! Ademais, para a defesa, chegaria, também, o jovem Lionn vindo do Torrense.

Para o meio campo, também do Marítimo, chegaria o volante defensivo Wênio… um terrível erro de casting, que sempre demonstraria a sua incapacidade para actuar num clube com ambições europeias.

Na frente de ataque, após a saída de Ghilas, que recusou renovar contrato e partiria para o Hull City da Premier League inglesa, e a venda de Mrdakovic para a China, chegariam dois brasileiros em que se depositavam muitas esperanças: Jean Coral e Douglas.

No dia anterior, à data em que o hino da Champions tocou no Afonso Henriques, chegariam provenientes do Benfica, o extremo direito Luís Filipe e o antigo jogador vitoriano, Nuno Assis, que se lesionaria quase de imediato, mas depois de recuperado seria o verdadeiro toque de classe na equipa desta temporada e da subsequente, fazendo esquecer as infelizes cenas protagonizadas aquando do jogo com a camisola do Benfica que festejou um golo contra o Vitória como se não houvesse amanhã… após as explicações do Pequeno Genial, os vitorianos relevariam e fariam dele o seu principal ídolo!

O primeiro jogo oficial da temporada seria o referido da Liga dos Campeões, em casa. Frente aos suíços do Basileia, um empate a zero, que deixava tudo em aberto para o St. Jakob’s Park, mas já com um sério aviso de quem haveria de decidir a eliminatória, pois duas grandes penalidades indiscutíveis foram escamoteadas pelo polaco Gilewski, deixando antever o que aconteceria em Basileia.

No intervalo desta eliminatória, dar-se-ia a estreia no campeonato, com o adversário, quase, tradicional do primeiro jogo da temporada. Frente ao Vitória de Setúbal, repetiu-se o resultado do ano anterior…empate a um, com estreia de Douglas, o goleador da cambalhota, a marcar.

Seguir-se-ia a segunda mão da eliminatória europeia, em Basileia, com muitos vitorianos na bancada.

Jogo com predominância inicial dos helvéticos, que cedo se colocaram em vantagem com golo de Stocker. Porém, o Vitória, reagiria empatando, ainda, antes do intervalo, através da conversão de um pontapé da marca da grande penalidade, por Fajardo.

Ao intervalo, o Vitória estava na Champions…

Na segunda metade, os suíços arriscariam ofensivamente e a sua principal estrela, o jovem Derdiyok, aproveitando um desentendimento da dupla de centrais, Moreno e Gregory que emparceiravam devido à grave lesão sofrida por Sereno, recolocaria a sua equipa em vantagem.

O Vitória tinha de correr atrás do prejuízo, em busca do sonho… e daria tudo… com Cajuda a colocar toda a carne no assador, introduzindo em peleja Luís Filipe, Jean Coral e Roberto que haveria de ficar, indelevelmente, marcado, pelos piores motivos, por este jogo.

Último minuto e as esperanças pareciam inexistir… porém, na esquerda, Luciano Amaral ganharia a linha de fundo e centra para a área… Roberto, em antecipação, ganha a bola cabeceando-a para a baliza de Costanzo, que impotente, apenas, segue o seu rumo triunfal para as redes… era o golo da Champions… dos seis milhões de euros…de um sonho lindo… que, vilmente, seria espoliado por um árbitro auxiliar holandês, Hans Tem Hoove, com a concordância do juiz principal, Pieter Vink, que viram o que jamais existiu… Roberto estava, mais de um metro, para trás do último defesa! Era um dos maiores escândalos da história do futebol mundial e um roubo de seis milhões de euros!

A equipa, porém, reagiria bem a tamanha desilusão e na ressaca do sonho venceria na Pérola do Atlântico, com golo de Roberto a garantir os três pontos!

Logo em seguida, viria a primeira derrota do campeonato… por duas bolas a zero, em casa, frente ao Nacional da Madeira de Manuel Machado, com Gregory e Sereno – que após a expulsão só actuaria passados muito meses, devido a cirurgia – expulsos e a equipa reduzida a fanicos e desprovida de capacidade para fazer valer os seus créditos!

Viria, posteriormente, mais uma vitória extra-muros, na Trofa, por três bolas a uma, com Douglas a dar a cambalhota por duas vezes, para de enfiada receber o odiado inimigo e empatar a zero… o Vitória ganhava fora, mas em casa demonstrava uma exasperante incapacidade, apenas, realizando dois pontos em nove possíveis!

Entretanto, sucederia a primeira eliminatória da última edição da Taça Uefa.. ao Vitória, que caíra na competição devido à habilidade de Tem Hoove, calhara em sorte os ingleses do Portsmouth. Em Inglaterra, derrota por duas bolas a zero, com sublime golo de Lass Diarra e outro de Defoe… Porém, com o resultado em uma bola a zero surgiria o momento da eliminatória, pois Fajardo desperdiçaria uma grande penalidade que poderia ter dado um novo rumo à eliminatória… mas, mais uma vez, a sorte nada quis com o Vitória.

Em Guimarães, na segunda mão, sublimes noventa minutos do Vitória, que na primeira parte igualaria a eliminatória com golos de Douglas e João Alves… e um tempo regulamentar que demonstrou, claramente, que o Vitória era melhor que os Pompeys.

Porém, no prolongamento a equipa pereceria fisicamente…e após um golo anulado a Flávio Meireles, Crouch mataria a eliminatória, ganhando de cabeça ao pequeno Andrezinho e desfeiteando Nilson… o outro golo do gigante, que empataria o desafio, seria uma mera assinatura da certidão de óbito, a nível europeu, do Vitória…

No campeonato, a campanha dos comandados de Cajuda estava longe de ter o fulgor da temporada anterior… ao empate a um em Belém, sucedeu a derrota caseira por duas bolas a uma com o Benfica e derrota por duas bolas a zero no Porto, onde Douglas haveria de se lesionar gravemente, condicionando o sucesso da época, e deixando por preencher, até hoje, as inúmeras promessas que deixara no ar nos primeiros desafios… Tudo parecia acontecer ao Vitória!!!

Em casa, a carreira continuava titubeante e o empate a zero frente à equipa que já não perde em Guimarães há dezoito anos confirmava a tendência… pena nos desafios fora de casa, o fulgor de início de temporada ir, paulatinamente, desaparecendo e o Vitória perdia por duas bolas a zero em Alvalade, na estreia de Vítor Bastos a titular no onze.

No dia oito de Dezembro chegaria a primeira vitória caseira frente ao Leixões, que por essas alturas era a equipa surpresa da prova, contando por vitórias todos os jogos disputados fora de portas… Porém, um golo no último minuto de Fajardo levaria a alegria ao D. Afonso Henriques que festejava, em Dezembro, a primeira vitória caseira dos branquinhos!

Porém, a carreira de equipa tardava a entrar em velocidade de cruzeiro… empatando a zero na Figueira da Foz, para de imediato vencer em Vila do Conde por quatro bolas a duas, na única grande exibição de Luís Filipe com a camisola vitoriana, para voltar a não ganhar em casa, empatando a zero com o Estrela e perdendo em Coimbra… maior irregularidade que esta deveria ser impossível e assim era impossível a ansiada aproximação aos lugares europeus!

Estávamos em Janeiro e atendendo a estas flutuações, urgia reforçar a equipa… ao plantel chegariam Milhazes, defesa esquerdo proveniente do Timisoara da Roménia, Custódio que actuava no Dínamo de Moscovo, e dois avançados que seriam, talvez, das maiores desilusões da história vitoriano: o português Cícero que acompanhou Custódio do Dínamo moscovita e o angolano Santana Carlos, uma das mais caras contratações da história, e que regressaria ao Petro de Luanda, passado um ano, sem sequer apontar um golo.

Esperavam-se melhorias substanciais com as contratações supra citadas… mas nada mais falso!

Entretanto em Setúbal, Nuno Assis dava um recital de futebol, apontando um hat trick, ajudando o Vitória a vencer por quatro bolas a duas…para em seguida, sob chuva diluviana, os branquinhos vencerem o Marítimo por duas bolas a uma!

Pensava-se ser o click para um fim de época que permitisse o almejar da Europa; objectivo delineado no início da época, mas três derrotas seguidas (na Choupana, no inimigo e (pasme-se!) em casa com, o posteriormente, despromovido Trofense fariam lembrar que a equipa era incapaz de ir mais além e o próprio Cajuda demonstrava fragilidades técnicas e tácticas jamais reconhecidas.

Porém, a equipa daria mais um safanão ao mau momento, vencendo em casa o Belenenses – apenas a terceira vitória caseira em vinte e uma jornadas – por três a um, para em seguida atingir o momento alto da época, vencendo o Benfica de Quique Flores, em plena Luz, por uma bola a zero, graças a golo de Roberto, que entraria numa senda goleadora que jamais haveria de ter em Guimarães.

A derrota posterior em casa com o Porto, a que acresceu a horrenda lesão do jovem Lionn, apenas, confirmaria a atroz incapacidade da equipa actuar em casa; local, onde seria eliminada nos quartos de final da Taça, pelo quase insolvente Estrela da Amadora!

A partir desses dois momentos, a época cingir-se-ia a um penoso arrastar, longe do glamour da época passada e totalmente afastada da luminosidade vivida na época transacta… de um ano para o outro tudo mudaria, e verdade seja dita, com culpas de todos: da direcção que não cuidou reforçar a equipa atendendo aos grandiosos feitos que a mesma poderia alcançar; do treinador que pensando-se pairar sobre todos os demais, assumiu uma postura de semi-deus no clube, olvidando que o Vitória era uma estrutura e já existia antes dele e continuou a existir após a sua partida; e dos atletas que cedo demais resignaram-se ao oitavo lugar que ocupariam no final da competição, sem demonstrarem vontade suplementar em alterar a situação.

Assim sendo, a época que poderia ser a do passo decisivo rumo à afirmação, cingia-se a um doloroso penar que, apesar de tudo, terminaria de forma menos agra… a vitória por três bolas a duas frente à Académica, numa das raras vitórias da época no Afonso Henriques, era a fraca mas possível consolação!

Desiludido, Cajuda colocaria o dedo na ferida, em entrevista polémica… selava o seu destino no final da época, e era-lhe proposta a rescisão. Deixava, apesar de tudo, a recordação de ter sido o técnico que resgatou o Vitória das catacumbas do inferno… apesar do forte sentimento de gratidão que os vitorianos deveriam e devem ter para o técnico algarvio – talvez o mais importante da década pelo seu sentido de missão, coragem, abnegação e capacidade para colar os cacos quando a equipa vegetava na Liga de Honra – um novo ciclo ir-se-ia iniciar… mas isso serão as cenas relatadas no próximo capítulo.

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