A década por capítulos [09/10]

VOTE NOS MELHORES JOGADORES DESTA ÉPOCA, CLICANDO AQUI.

CAPÍTULO XI – Época 2009/2010

Com a saída de Cajuda, em declarado litígio com Emílio Macedo da Silva, era necessário começar a construir a casa do zero…

Para garantir tal desiderato, nada melhor que apostar num treinador com fama de ser um corredor de fundo, formando equipas a longo prazo, tal como, de certo modo, o treinador algarvio fizera. A aposta recaiu, assim, no antigo adjunto de Carlos Queiroz nas selecções jovens, Nelo Vingada.

Com o treinador que chegava com um discurso ambicioso, chegariam alguns jogadores com os quais se procurava dotar a equipa da consistência necessária para retornar à Europa.

Nomes como o defesa lateral direito vimaranense proveniente do Wolfsburg Alex, o central brasileiro emprestado pelo Atlético Paranaense Gustavo Lazzaretti, o jovem central Tiago Alencar, o, também, central cedido a título de empréstimo pelo Benfica Leandro Silva e o lateral esquerdo paraguaio chegado do 12 de Octubre David Mendieta, eram apresentados com o intuito de reforçar a defesa; ela que na época anterior houvera sido uma das principais pechas da equipa.

Para a zona medular a aposta recaiu no médio ofensivo, ex Paços de Ferreira, Rui Miguel e nos extremos Kamani Hill, um americano que veio do Wolfsburg com Alex, e Jorge Gonçalves, que após o falhanço rotundo no Racing Santander era cedido a título de empréstimo.

No ataque, a aposta recaía no retorno na sua máxima força de Douglas, que se houvera lesionado no ano anterior no Dragão e que, após reabilitação, ansiava recuperar a veia goleadora demonstrada até esse fatídico momento. Haveria de fracassar nos seus intentos para prejuízo da sua carreira e dos objectivos vitorianos que sofreriam devido à sua seca goleadora.

Com Nelo Vingada ao leme a época começaria de modo, absolutamente, decepcionante. Com efeito o empate a zero em Setúbal – o jogo de abertura tradicional, mas desta feita no recinto rival – perante uns paupérrimos sadinos comandados por Carlos Azenha, deixava, desde logo, antever o pior. O Vitória, naquela tarde de dezassete de Agosto, foi uma equipa com carência de ideias e de fio de jogo… uma desilusão para quem prometia tanto desde os primeiros treinos da pré-época!

No jogo seguinte, frente ao Benfica, a costumeira fortuna encarnada no reduto vitoriano… Com Targino, ele que fora recuperado após a rescisão de Cajuda, em grande, o Vitória poderia ter sido o primeiro carrasco do futuro campeão nacional; porém a imperícia do avançado alentejano conjugada com a total ausência de fortuna impediram golos na baliza de Quim. No último minuto, Ramires, após Pedro Proença apitar uma falta inexistente sobre Coentrão, bateria de cabeça Nilson deixando no ar um profundo travo de injustiça…o Vitória, finalmente, actuava de modo convincente, mas perdia!

Seguia-se a terceira jornada, em Paços de Ferreira, apesar do empate a zero, o Vitória continuaria a denotar a principal lacuna desta época: a concretização… mas, também, a absoluta incapacidade em articular movimentos ofensivos que fizessem perigar o último reduto adversário… Perante milhares de vitorianos, na capital do Móvel, mais do que o resultado a exibição seria uma profunda desilusão.

Com Vingada cada vez mais a ser contestado, chegaria a única vitória do seu consulado. Perante uma Naval 1º de Maio, ainda em profunda crise de identidade, o Vitória venceria por três bolas sem resposta com golos de Roberto – autor do primeiro golo da temporada -, Lazzaretti e Flávio Meireles. Vingada passava a respirar melhor, mas seria o seu estrebuchar, já que nos três jogos seguintes, apenas, realizaria um mero ponto – empate em casa a dois frente a União de Leiria -, sendo despedido após derrota por duas bolas a zero na Choupana.

Mais do que a crise de resultados, com, apenas, uma vitória em sete jogos, a falta de atitude demonstrada pela equipa aliada a uma total falta de voz de comando do treinador conduziria ao desenlace previsto.

Com tamanha crise, era necessário escolher um novo técnico de modo rápido e eficaz, mas que acima de tudo, garantisse alguma consensualidade na massa associativa. Tentando responder a todas estas premissas, a escolha, após aturadas negociações, recairia em Paulo Sérgio, então treinador do Paços de Ferreira, e que demonstrava ambição e capacidade para outros voos.

A sua estreia ocorreria num desafio para a Taça, frente ao Feirense, que o Vitória venceria por três bolas a uma, marcando encontro, na Luz, frente ao Benfica.

Entretanto, para o campeonato, Paulo Sérgio estreava-se empatando a um, em casa, frente ao Sporting, com golo de Rui Miguel no derradeiro minuto, para em seguida estrear-se a perder, em Coimbra, frente à Académica de Villas Boas, por duas bolas sem resposta.

De seguida, o jogo que não se joga, ganha-se… o derby dos ódios figadais, desta feita com o inimigo, ao invés do Vitória, invicto e liderando a tabela classificativa. Numa grande noite vitoriana, os Conquistadores demonstrariam, que apesar das deficiências ofensivas, possuíam equipa para os postos cimeiros. Um golo fabuloso de Desmarets, abateria os forasteiros e deixava em gáudio os vitorianos por terem feito tombar o rival, destruindo a arrogância com que encararam o derby.

Entrava o Vitória num dos seus períodos áureos da época…logo em seguida, um feito que demonstrava as infindas capacidades da equipa: vitória em plena Luz, para a Taça de Portugal, com golo de Lazzaretti e um feito na época 2009/2010: é que nem Everton, nem Liverpool, nem alguém conseguiriam vencer no terreno do Benfica; apenas, o Vitória de Paulo Sérgio que caminhava, paulatinamente, para os objectivos traçados.

Entretanto no balneário, e com alguma complacência da direcção, o ambiente ia-se degradando. Sereno recusava-se reiteradamente a renovar contrato dando a entender que o seu futuro passaria por outras cores, que se supunham serem azuis e brancas. Desmarets, após o excelso golo que abatera o inimigo, firmava igual propósito. Andrezinho afirmava o seu desejo em continuar, mas propunha valores exorbitantes para colocar a sua assinatura no contrato redigido por Emílio Macedo da Silva. Lazzaretti, o esteio da defesa e que fizera olvidar completamente o desastrado Gregory – vendido para o Gijón por seiscentos mil euros, num dos melhores negócios feitos pelo actual presidente, atendendo à qualidade (ou falta dela) demonstrada pelo francês -, apesar de, publicamente, afirmar o seu desejo em continuar em Guimarães, tinha na tenacidade do presidente do clube que detinha o seu passe uma inimiga, já que ou Vitória avançava com os quinhentos mil euros pedidos, ou nem sequer haveria discussão. Com tamanha ebulição interna, seria natural que as dificuldades passassem para o terreno de jogo… mas por estas alturas da vitória em Lisboa, estes factos, ainda, constituíam preocupações embrionárias.

Seguir-se-ia, mais, uma vitória, desta feita, em Olhão, por duas bolas a zero, para de imediato, apesar do bom jogo efectuado, o Vitória perder por quatro bolas a uma frente ao Porto. Resultado injusto, mas como no desporto-rei ganha quem marca mais, nada haveria a fazer…

Entrariam os Conquistadores, após este insucesso, na melhor fase da época. Na verdade, dez pontos em quatro jogos – com vitórias em Belém e nos Barreiros e sucesso caseiro frente ao Rio Ave e empate caseiro frente ao Setúbal – faziam a equipa atingir o ambicionado quinto lugar, posto que ocuparia quase permanentemente até à última jornada do campeonato.

Entretanto, chegávamos a Janeiro e o plantel receberia reforços: para o lado esquerdo da defesa e do meio campo chegavam dois brasileiros: o lateral esquerdo Bruno Teles, chegado do Juventude, e a ala defensivo Renan Garcia, proveniente do Fortaleza. Para o centro da defesa, chegava um central com fama de goleador, e que haveria de confirmar os seus créditos: Valdomiro, que regressava a Portugal, após experiência na Arábia Saudita. Para extremo esquerdo, acautelando a mais do que provável saída de Desmarets no ocaso da época, Fábio Felício, à altura sem clube, chegava a Guimarães.

Em sentido inverso, abandonariam o clube Tiago Alencar, David Mendieta, Kamani Hill e Santana Carlos, que após um ano sem marcar qualquer golo, retornava à base sem deixar qualquer saudade… O angolano, confirmaria a teoria que um jogador é caro se não apresenta rendimento; no seu caso, seria exorbitante, tal o profundo desacerto das suas exibições.

Entretanto, durante estas remodelações, o Vitória dirigia-se a Vila do Conde em jogo da Taça de Portugal, pleno de esperanças. Perderia nas grandes penalidades, após empate a dois no tempo regulamentar, e com o árbitro Pedro Henriques – mais uma vez, ele! – a prejudicar seriamente as ambições dos branquinhos, inventando grandes penalidades e anulando um golo limpo a Targino… era o início da perseguição arbitral à equipa!

Depois deste desafio, Sereno abandonaria o clube, vendido ao Valladolid por trezentos mil euros… sabendo que era impossível a renovação, Emílio Macedo da Silva venderia o atleta aos espanhóis, garantindo algum capital. Confirmar-se no final da época que, efectivamente, o seu destino era o Porto.
Entretanto, a malapata com a arbitragem continuava… na Luz, derrota por três bolas a uma. Porém, com o resultado a um, graças aos golos de Aimar e Nuno Assis, Elmano Santos – outro grande amigo do Vitória – faria vista grossa a uma bárbara agressão de Javi Garcia a Valdomiro. Aplicando as regras, seria grande penalidade a favor do Vitória e o espanhol expulso… nem uma coisa, nem outra e o Vitória perderia o jogo na segunda parte. Porém, não obstante estes factos, a direcção continuaria estranhamente silenciada, e nem sequer pediria aos adeptos para não acompanharem a equipa…enfim, diferenças de mentalidade e de postura!

Além disso, Targino que, supostamente, já houvera assinado com o adversário, lesionar-se-ia seriamente nos ligamentos cruzados… o Vitória deixava de poder contar com os seus préstimos desportivos e, ainda, via gorar-se um negócio que poderia dar alguma solvência financeira aos seus cofres.

Após este jogo, o Vitória continuaria numa senda de irregularidade, já que após a derrota caseira frente ao Paços de Ferreira por duas bolas a uma – um resultado clássico, onde se demonstrou o fado vitoriano contra os amarelos, já que dominaram o jogo, tiveram mais do que oportunidades para resolver o jogo e perderiam-no em dois remates -, seguiu-se um empate gelado na Naval, a zero, para vencer o Leixões, em casa, por duas bolas a zero, com golos de Valdomiro, o central goleador, e Rui Miguel.

Este desafio seria o prenúncio para a aproximação vitoriana ao quarto lugar, ocupado pelo Sporting de Carvalhal. Com efeito, vencendo o Leiria, na cidade do Lis, por uma bola a zero e derrotando o Nacional, em Guimarães, por dois tentos sem resposta, o Vitória chegava a Alvalade em condições de vencendo, ocupar o lugar que na altura era dos leões. Perderia, porém, por três bolas a uma, com um jogo de duas faces: após uma paupérrima primeira parte em que perdia por três bolas a zero, com muita infelicidade do central brasileiro Lazzaretti, uma segunda parte sublime quase faria chegar o milagre… Porém, apenas, Valdomiro – mais uma vez, ele – acertaria nas redes de Rui Patrício, já que os remates de Douglas, Andrezinho e companheiros esbarraram nos postes! Sinais da incapacidade da equipa em materializar em golos o muito caudal ofensivo gerado…

O Vitória perdia e demonstrava que mais do que se preocupar com o quarto lugar, importava segurar o quinto!

Quinto posto esse confirmado pela vitória, nos últimos minutos, em casa frente à Académica, com golo de Rui Miguel.

Entretanto, Emílio Macedo da Silva vencia nas urnas Manuel Pinto Brasil e era reeleito presidente do Vitória, pese as inúmeras críticas com que teve de conviver durante o seu anterior mandato!

Seguia-se o jogo que quase decidiria a época… em Braga! Com uma arbitragem vergonhosa, escandalosa e tendenciosa de Artur Soares Dias, o Vitória, apesar de se ter colocado em vantagem com golo de Rui Miguel, haveria de perder por três bolas a duas. Mas, todavia, enumere-se, a título de memória futura, os erros do juiz portuense, todos em prejuízo do Vitória:
1- Moisés joga de cabeça a bola dentro da grande área. Não seria grande penalidade, mas o árbitro, sem denotar qualquer dúvida, apontou-a. Porém, após longa conversa com o seu auxiliar, anularia a decisão. Pela segunda vez – recordemos que a primeira fora a suposta agressão de Romeu a Simão na época de 2001/2002 e já lembrada no Capítulo III desta série – os meios audiovisuais serviam para prejudicar o Vitória…
2- Após o golo inaugural de Rui Miguel, o árbitro inventa uma suposta mão de Alex na grande área, o que possibilitou o empate de Alan. A bola esbarrou na mão do vimaranense, e jamais o lateral fez com qualquer movimento tendente a tal ocorrência.
3- Grande penalidade inexistente conducente à expulsão de Valdomiro, quando o avançado adversário não estava em clara posição de fazer golo, e o adversário em vantagem por duas bolas a uma.
4- Na grande penalidade que apontou, correctamente, sobre Roberto e que possibilitaria a Andrezinho empatar a contenda, mostraria a segunda cartolina amarela ao peruano Rodriguez. Porém, ao arrepio das normas emanadas pelo Internacional Board, não expulsou o central adversário, deixando-o permanecer em campo, apesar de admoestado duplamente com a cartolina amarela.
5- No último minuto, dos oito (!) dados de compensação, após Renteria escorregar desajeitadamente na área aponta para a última das grandes penalidades com que abateria o Vitória. Não contente com o feito, expulsou Andrezinho pela falta cometida, quando o único jogador vitoriano nas imediações do lance era Flávio Meireles. Para completar o ramalhete, inclemente, mostrou o cartão vermelho a Desmarets e ao então capitão João Alves por, supostas reclamações… como se o capitão não se pudesse abeirar do árbitro!

Com tamanho desacerto era impossível obter melhor resultado… e obviamente o Vitória perderia o desafio. Havê-lo-ia de protestar, utilizando os meios jurídicos à sua disposição, mas não teria provimento nas suas reclamações… para que se atingissem dezassete pontos com que os vizinhos foram presenteados na temporada 2009/2010, o Vitória era espoliado, vergonhosamente, de três!

Este desafio marcaria a equipa, que de enfiada, empataria a um, em casa com o Olhanense, com Olegário Benquerença, no último minuto, a descortinar uma grande penalidade cometida por Renan! Independentemente da justiça do lance, verdade se diga, que nas meias finais da Champions no desafio que opôs o Inter ao Barcelona, em lance semelhante sobre Milito nada apontaria… mas, tendo o Vitória em liça há sempre que apitar em desfavor dos vimaranenses!

Por estas alturas, Paulo Sérgio era confirmado como treinador do Sporting a partir da época 2010/2011. Para isso, os leões pagariam aos branquinhos a soma de seiscentos mil euros. Este facto, faria com que o balneário se desintegrasse, completamente, já que para além dos jogadores que já sabiam que não iriam continuar na época seguinte e que por isso se abstinham de arriscar em jogadas divididas não ousando lesionar-se, o Vitória passava a contar com um treinador que a meio da semana de trabalho se reunia com Costinha, director desportivo do Sporting, para definir o futuro da sua próxima equipa, olvidando a sua, ainda, entidade patronal e falando do seu futuro patrão para os jornalistas dentro das paredes vitorianas com a complacência directiva… com tanta permissividade, a casa teria, obrigatoriamente, de ruir!

E desabaria completamente… já que a equipa nos últimos quatro jogos, apenas, venceria em casa perante o, já, despromovido Belenenses por duas bolas a zero, com golos de Andrezinho e Nuno Assis, o seu último golo de branco vestido.

A Europa, apesar de tantos erros, chegou a estar à distância de uma vitória. Em Vila do Conde, era esse o objectivo. Porém, uma paupérrima exibição da equipa e a arbitragem habilidosa de Bruno Paixão impossibilitaria a ocorrência de tal feito. Não satisfeito, o juiz setubalense expulsou Douglas, depois do apito final, e admoestou com amarelos Nuno Assis, durante a segunda parte, e no último minuto Nilson e Lazzaretti… cartões cirúrgicos, já que eram os jogadores em risco para a última jornada, e que desde logo ficavam impossibilitados de disputar o desafio decisivo perante, o, também, contendor a um lugar europeu, Marítimo.

Porém da direcção nem uma palavra de repúdio se ouviria… a resignação era mais do que evidente.

No último desafio, o tal frente ao Marítimo onde o empate bastava, atendendo aos resultados conseguidos por Marítimo e Nacional na penúltima jornada, o Vitória até se colocaria em vantagem, com (mais um!) golo de Valdomiro. Porém, com a equipa desfalcada, com a pouca ambição do treinador, com jogadores com a cabeça nos futuros contratos, com substituições mal feitas, com Marquinho a enjeitar a responsabilidade de marcar um golo ao que viria a ser o seu futuro clube, oferecendo a bola a Roberto em vez de alvejar as redes de Pessanha, o Vitória haveria de consentir a reviravolta dos madeirenses que venceriam por duas bolas a uma, com um bis de Kléber.

O Vitória acabava a época em sexto lugar… Paulo Sérgio saía sem honra nem glória para o desafio que lhe houvera toldado a mente desde Abril… muitos atletas abandonavam o clube sem honra, nem glória…e Valdomiro, viperino, colocava o dedo na ferida: é complicado quando alguém tem a cabeça noutro lado a partir de uma dada altura… o brasileiro, frontalmente, indicava o problema vitoriano na última fase da época e que houvera custado o desejado lugar europeu…

Entretanto, atendendo à rejeição de renovação de contratos por parte de alguns atletas, bem como o desinteresse na continuação de outros e ainda a dispensa de outros tantos, o plantel vitoriano sofreria ( mais uma) uma nova renovação… a que vamos acompanhando na presente época!

  Categories: