A década por capítulos [99/00]

De hoje até ao final do ano, a AVS irá recordá-lo dos momentos mais marcantes da década que ora finda…
Aquele golo que jamais esqueceu…aquela vitória do Vitória que o marcou… as polémicas … as alegrias… as tristezas… nomes e números de dez anos marcantes na história do clube!

Capítulo I – ÉPOCA 1999/2000


A análise da última década vitoriana daria quase um filme… daqueles com um enredo deveras minucioso, para no fim tudo terminar no status quo inicial.

Assim, e começando esta análise, ainda na década anterior de modo a seguir a votação que por estes dias ocorre no fórum , diremos que a época 1999/2000 foi uma temporada marcada por surpreendentes momentos: agradáveis no início da época e dolorosos a partir de Março e que, ainda, hoje permanecem um pouco obscuros.

Com Pimenta Machado presidindo aos destinos do clube e Quinito a treinador, o balneário vitoriano fruto do malogro europeu sofrido na época finda – em Alverca, com derrota por duas bolas a uma – sofreu uma verdadeira revolução. Deste modo, nomes históricos como Vítor Paneira ou Gilmar abandonaram o clube, deixando o balneário órfão dessas incontornáveis referências.

Para suprir tais lacunas e escudando-se, pela primeira vez, nos problemas originados pelo passivo financeiro, a aposta residiu na cantera, mais propriamente, nos jovens talentos que haviam realizado o seu tirocínio em Felgueiras (Fernando Meira, Pedro Mendes e Lixa) e outros, ainda, provenientes do Fafe (Carlos Lima e Rego). Entrecortada, com esta aposta na irreverência, Pedro Espinha, uma das maiores referências de sempre das redes vitorianas manteve-se no plantel, bem como o raçudo sueco Soderstrom.

Para a frente de ataque e com o intuito de substituir Gilmar chegou um goleador provindo do Belenenses, de seu nome Brandão, que apesar de pouco dotado tecnicamente, haveria de atingir uma marca de golos que até hoje, ainda, não foi 2 batida: dezasseis tentos e, também, o desconhecido cabo-verdiano, provindo do Beneditense, Jairson.

Atendendo a tais factos, a desconfiança dos adeptos vitorianos no início da época era avassaladora… sentia-se a falta de referências no balneário e questionava-se o traquejo (ou a falta dele) dos elementos do plantel.

Porém, no início da época, as dúvidas e os medos pareceriam infundados… o empate inicial a um em Setúbal, com golo de Edmilson, traduziu-se numa verdadeira injustiça e a senda subsequente de bons resultados pareciam querer dizer que o projecto de aposta na juventude iria ter êxito… de premeio chegou a primeira derrota só à quinta jornada, no Bessa.

Todavia, seguiu-se um dos jogos, talvez, mais inolvidáveis da época… em Braga, onde o Vitória goleou por quatro bolas a duas, num magnífico solo de Lixa que pela banda esquerda vitoriana torturou o espírito de José Nuno Azevedo, oferecendo o bis a Brandão, o primeiro golo como sénior no Vitória a Pedro Mendes e provocando um tento na própria baliza de Odair.

O entusiasmo brotava em Guimarães… e o jogo seguinte com o Porto, sob intempérie torrencial, demonstrou que a equipa tinha atitude e querer, pois este jogo, que ficou marcado pela gravíssima lesão de Lixa, terminou num empate a um, com o golo vitoriano a ser apontado por Geraldo, e com a equipa a conseguir vencer todas as adversidades.

Todos os sonhos eram possíveis… mesmo, após, da confirmação que a coqueluche que em poucos meses chegou à selecção sub-21 iria estar longo tempo impossibilitada de dar o seu contributo à equipa…

Apesar disso, a equipa mantinha-se na luta… buscando, segundo Quinito assumia, um improvável lugar europeu! E como ponto alto dessa pugna, a vitória sobre o Benfica orientado por Heynckes por duas bolas a uma… com golos de Brandão e Riva… e de virada!

Outras vitórias retumbantes se seguiriam como aquela contra o Boavista por duas bolas a zero, com um golo do outro mundo de Preto, ou a goleada ao Setúbal por quatro tentos sem resposta… ou a vitória caseira sobre o Braga, por um tento sem resposta, graças a mais uma tropelia de Brandão!

Porém, a casa que tão rápido foi construída, ainda mais depressa, desabaria… Meira, o baluarte do eixo defensivo, rescindiria, de candeias às avessas com Pimenta Machado, por não lhe ter sido permitido sair no mercado de Inverno… Quinito seguiria o mesmo caminho por razões, ainda, hoje dúbias…

E de um momento para o outro, aquele perfume de bom futebol passou a ser uma mera recordação e as derrotas uma realidade… a equipa perdeu no balneário o sentido de união e querer que a caracterizava e nos últimos oito jogos do campeonato, somaria dois míseros pontos fruto de empates em Vila do Conde e em casa com o Salgueiros…

A época que prometia, a certa altura ser bestial, redundaria num mísero sétimo lugar a sete pontos do Boavista que foi quarto classificado e pasme-se… atrás de Gil Vicente e Marítimo…

Pimenta, prometia a sete ventos, que tudo mudaria para melhor… no próximo capítulo veremos o quão ele estava enganado!

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Photos @ Glórias do Passado
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