A loucura dos anos oitenta

Os jornais desportivos e o Vitória sempre tiveram uma relação um pouco conturbada (quanto mais não seja, pelo facto de estes insistirem constantemente em chamar ao Vitória Guimarães), mas o artigo publicado no jornal Record de hoje por Melo Rosa (enviado especial a Madrid) demonstra apreciação pelos branquinhos e merece ser destacado.

Em baixo poderão lê-lo na integra e recordar os tempos passados e esperar que se viva a “loucura doa anos 10” amanhã em Madrid!

“Vinte e cinco anos depois, o Vitória volta ao Vicente Calderón. Naquela época de 1986/87, o estádio do Atlético de Madrid tinha capacidade para 70 mil espectadores. “Estava um ambiente pesado, hostil”, recorda hoje Paulinho Cascavel, o mítico ponta-de-lança do Vitória que naquela temporada seria o melhor marcador do Campeonato (22 golos), numa equipa orientada por Marinho Peres que conseguiu um histórico 3º lugar.

Depois de ter ganho no Estádio D. Afonso Henriques, por 2-0 com golos de Cascavel e de Roldão, o Vitória partiria para Madrid (de autocarro até Vigo e depois de avião) “com uma certa tranquilidade”, recorda Cascavel. Entre interrupções para cumprimentar Laureta – antigo defesa-esquerdo, hoje proprietário de uma empresa de bordados que trabalha os equipamentos do Vitória – e Duarte Magalhães, assessor de Imprensa do clube, ou o actual capitão, Alex, Cascavel descreveu assim o jogo da 2ª mão da 2ª eliminatória da então Taça UEFA: “Foi muito quente; fomos recebidos com um ambiente muito pesado, na chegada ao estádio. Quando descemos do autocarro, a polícia teve de intervir, porque os adeptos ameaçaram bater e entoaram cânticos ‘morte aos portugueses’. O autocarro foi como que afogado, parecia uma ilha no meio de um mar de gente”.

Apesar de ter sido há 25 anos, não há-de faltar quem saiba de cor e salteado a equipa que Marinho Peres utilizou: Jesus; Costeado, Nené, Miguel (irmão de Basílio, hoje adjunto de Machado, que por se ter lesionado, curiosamente, com o FC Porto, não jogou nessa eliminatória), Carvalho, Nascimento, N’Dinga, Roldão, Adão, Ademir e Paulinho Cascavel.

António Jesus, treinador que há um ano faleceu, depois de um Espinho-Boavista, defendeu um penálti no Vicente Calderón, quando o jogo estava empatado. “Foi sempre o nosso capitão, não nos deixava ir abaixo, era um líder. Festejámos como se fosse um golo porque o árbitro, na segunda parte, foi muito tendencioso”, sublinha Cascavel.

Expulso aos 30′ pelo belga Constantan – nome que nunca vai esquecer -, Carvalho, na altura defesa-esquerdo da equipa de Marinho Peres, conta que “dentro do campo houve uma grande intimidação aos jogadores”. Carvalho sublinha que “eles tinham uma grande equipa; jogadores como Goicoechea ou Paco Lorente” e o facto de o Vitória ter jogado mais de uma hora com dez é sinal de que “houve muito empenho e atitude da equipa, sobretudo de Roldão”, jogador que recuou para o lado esquerdo da defesa depois do vermelho a Carvalho.

No regresso a Guimarães, “estava o estádio completamente cheio” e deram “uma volta ao Toural com imensa gente” completamente eufórica, recordaram Paulinho Cascavel e Carvalho. Foi mesmo a loucura… dos anos 80″.

Fonte: OJOGO