À Lupa, Os Reforços…Issam El Adoua

O Magrebe sempre foi um autêntico viveiro de bons atletas…

Recordamos, sem grande esforço de memória, os argelinos Lamouchi, Ziani, o nosso bem Ghilas, ou mais remotamente Rabah Madjer… ou os marroquinos Bouderbala, Chaouch, Naybet ou Hadji!

E, verdade seja dita, parece que o Vitória, desde a pretérita temporada descobriu esse imenso filão, muito por culpa, também, de uma boa rede de contactos existente no Norte de África, em especial em Marrocos! No ano anterior chegaram provenientes do WAC Casablanca, Faouzi e o maliano N’Diaye e este ano após inúmeras observações, o scouting vitoriano fixou-se em Issam El Adoua, que apesar de na pretérita temporada ter actuado no Kuwait no Al Quadisa, ainda, goza de excelsa reputação na Casablanca das mil e uma noites.

Nascido em 1986 e formado como já vimos no WAC. ao lado de Faouzi, desde cedo demonstrou aptidões para actuar nas zonas mais recuados do terreno. O seu forte sentido posicional aliado à sua contundência física cedo fizeram dele um dos preferidos da exigente e fanática torcida dos Rouges et Blancs, alcunha pela qual são conhecidos os marroquinos. Ademais, a sua polivalência que lhe permite actuar a volante defensivo, sempre com capacidade para filtrar o jogo à frente da defesa bem como exercer funções na primeira fase da transição ofensiva faziam dele um activo valiosíssimo e pronto a embarcar rumo à Meca de qualquer jogador africano: a Europa, mais especificamente França.

Aí, chegaria em 2009 para actuar no Lens. Porém, os sang et or encontravam-se, e encontram-se, ainda, num momento decadente da sua história, e apesar desse ter sido o ano do retorno ao Championnat. Porém, atendendo à instabilidade que a equipa vivia, bem como à pressão dos apaixonados adeptos que fazem do Félix Bollaert um verdadeiro inferno, a aposta recaiu sempre em homens mais experimentados, principalmente o tunisino Ala Yahia e o camaronês Chelle, à data capitão de equipa e a voz mais influente nas catacumbas do balneário. Assim, com pouca hipóteses de jogar, haveria de ser cedido ao Nantes da Ligue 2, onde raramente foi opção para o treinador Gentili.Ainda, assim actuaria em oito desafios, algo de parco para quem chegava aos Canaris com a mala cheia de ambição.

No final da época, deu-se o retorno ao Oriente…mais, propriamente ao Kuwait, ao Al Quadsia. Aí, num futebol com menos endurance competitivo, em que os dianteiros não têm a agressividade e o élan mortífero dos europeus, voltou a ser feliz. Tornou-se numa das peças chaves da equipa que haveria de vencer a Kuwaiti Premier League e a Kuwait Federation Cup, despertando, novamente, a cobiça europeia.

Seria o Vitória a resgatá-lo e a fazê-lo chegar cheio de ambição de provar que o malogro da aventura gaulesa foi um mero percalço…e que a qualidade demonstrada por terras do Oriente é intrínseca ao atleta e não dependente do menor índice competitivo dos intervenientes! A ver vamos…