À Lupa, Os Reforços…Jean Barrientos

Do Uruguai, vem, até ao momento, o reforço mais dispendioso da história vitoriana.

Jean Pierre Barrientos, nascido e criado em Montevideu, há vinte anos, traz consigo, além desse pesado fardo – seiscentos e setenta e sete mil euros -, a esperança de se tornar num nome incontornável na época 2011/2012 vitoriana.

Revelado no Racing da capital celeste, desde muito jovem se tornou imprescindível na equipa, sendo pedra basilar na equipa que garantiu a classificação para a Copa dos Libertadores da América 2010, após conseguir o vice-título na liguilha classificatória para a competição mais relevante da América do Sul.

Aí, apareceu um médio ofensivo moderno e de refinados meios, com preponderância para a construção ofensiva da equipa que, apesar de não conseguir o apuramento para a fase seguinte, revelar-se-ia extremamente competitiva, não tivesse nos seus genes a mítica garra charrua, celebrizada desde a celeste olímpica de 1924 e 1928 e do bicampeonato mundial de 1930 e 1950, onde el gran capitán Obdúlio Varela, possuía no seu ADN algum componente que renegava a derrota… e desse ano de 1950, desde o famigerado Maracanazo quando o Brasil, na sua própria casa, chorou, o futebolista uruguaio assumiu em si esse espírito de picardia!

Além disso, nessa fase, numa equipa da qual, também, constava o antigo jogador vitoriano, Santiago Ostolaza, vislumbrou-se no franzino corpo do jovem, um traçado suave de um playmaker em potência, mas com imensas lacunas a lapidar! Apesar disso, a sua possibilidade de desde zonas recuadas pegar no jogo e como um maestro de batuta em riste pautar o jogo distinguiram-no dos demais, tornando o seu futebol uma lufada de ar fresco num conjunto de lutadores empedernidos e partidários da célebre máxima antes quebrar do que torcer!

Após a saída da Libertadores, os cerveceros – alcunha do Racingafundar-se-iam… as boas palpitações de 2010 não se confirmaram e a equipa haveria de penar para garantir a manutenção na Liga Uruguaia… mas, porém, a capacidade de remar contra a maré do jovem Barrientos seria determinante, já que a sua capacidade de criar desequilíbrios no último terço do terreno foi o ponto determinante numa equipa deveras previsível!

Seria descoberto pelo Vitória…e, aqui, chega com a esperança de assumir o papel de chefe de uma orquestra orfã de um maestro desde a debandada de Nuno Assis, o Pequeno Mágico! Tarefa dantesca, mas possível, de quem se auto-define como uma espécie de Cristian Rodriguez, ainda que o seu jogador favorito seja Maurício Pereyra, jovem atleta celeste que na presente época se transferiu do Nacional Montevideu para o calcio, mais propriamente para os gialloblu do Parma.

Quanto a Barrientos a dúvida residirá, essencialmente, em conseguir lidar com as expectativas, bem como lidará com a tradicional adaptação que muitas vezes compromete a afirmação dos sul americanos nas ligas europeias… caso consiga superar esses problemas, poderá ser um caso sério…A ver vamos…