À Lupa, Os Reforços…Paulo Sérgio

Os felizardos que vislumbraram Paulo Sérgio naquele Europeu de sub-19, em 2003, no Liechtenstein, certamente vaticinaram que estaríamos perante um atleta da estirpe de um Luís Figo.

Apesar de frágil fisicamente, o modo insidioso como serpenteava entre os oponentes adversários, fizeram dele uma das atracções num certame em que Portugal, apenas, soçobrou na final perante a Itália. Mas, apesar desse malogro, o nome daquele extremo, que apesar de pequeno em tamanho era futebol da cabeça aos pés, ficou, indelevelmente, marcado para todos os que seguem o fenómeno do desporto-rei.

Tanto, assim foi, que o Sporting, seu clube de formação pretendeu, imediatamente, que realizasse a pré-temporada com a equipa principal, de modo a poder ser uma das revelações da temporada.

Porém, como tantos outros jovens, que muito prometem, fracassaria no primeiro contacto com o futebol ao mais alto nível. Deste modo, apesar das qualidades que se vislumbravam nos escalões de formação serem intrínsecas, a verdade é que a alta competitividade dos escalões superiores não lhe permitiriam uma afirmação imediata.

Assim, e de modo a rotinar o talentoso jovem com as agruras do profissionalismo, os verdes de Lisboa optaram por sucessivos empréstimos do talentoso extremo. Deste modo, equipas como, respectivamente, a Académica de Coimbra, o Belenenses, por duas temporadas, o defunto Estrela da Amadora, o Desportivo das Aves, o Portimonense – ambos no segundo escalão do futebol português – puderam beneficiar dos préstimos de um atleta que muito prometia, mas pouco confirmava, muito por culpa de algumas lesões e uma evidente fragilidade física.

Destaque, para um jogo em que Paulo Sérgio, no ano da descida do Vitória às catacumbas dos escalões inferiores, em que o extremo, com a camisola do Belenenses, simulou uma grande penalidade que Lucílio Baptista apitou, igualando um jogo que o Vitória, na altura, vencia por uma bola a zero, com golo de Benachour. Com a equipa destroçada psicologicamente, e com tamanho revés, os branquinhos perderiam por três bolas a uma, enfatizando um destino que se consumaria no final do campeonato: a dolorosa descida.

Porém, entre estes fogachos de malícia ou de talento, o jogador sempre foi visto como inconsistente e arriscava-se a ser considerado um talento desperdiçado, sendo que na época 2008/2009, apenas, o secundário do país vizinho, Salamanca, acedeu contar com os seus préstimos, estando o extremo, já, totalmente desvinculado do Sporting.

E, verdade seja dito, a estada de um ano na cidade helmântica fez-lhe bem… ganhou continuidade nos jogos disputados, ganhou consistência física, além de aprender a usar a sublime técnica de que é portador em favor do colectivo.

Deste modo, depois de uma época recheada de êxito a título pessoal, regressaria a Portugal, para integrar uma equipa humilde mas com um projecto de consolidação no topo da hierarquia futebolística nacional.

Aí, tornar-se-ia num dos mais irreverentes jogadores da equipa… a sua boa técnica e boa capacidade de cruzamento permitir-lhe-iam ser um dos municiadores preferenciais dos avançados algarvios… a sua picardia, conquistada nas canchas espanholas fizeram dele um doa mais aguerridos jogadores dos rubro negros… e o retorno dos seus momentos de inspiração fizeram dele um dos alvos apetecidos do mercado, visto encontrar-se em fim de contrato.

Seria o Vitória a conquistá-lo, numa aposta que, atendendo às indicações dos dois últimos anos, tem tudo para ser bem sucedida…e o próprio Paulo Sérgio saberá, que independentemente dos êxitos obtidos no Algarve, os Conquistadores serão a montra ideal para confirmar, definitivamente, as suas potencialidades…Esperemos que sim!