À Lupa, Os Reforços… Siaka Bamba

Dizia Jorge Valdano, aquando dos tempos de treinador do Real Madrid, que para aquilatar da capacidade de um jogador bastaria vê-lo dar os primeiros toques na bola.  E se tal asserção é verdade, a mesma aplicar-se-à ao marfinense Siaka Bamba, resgatado esta época ao Feirense e onde se revelou pedra fundamental na zona medular dos fogaceiros.

E não se pense que o jovem – 21 anos – africano teve vida fácil… fugido do país Natal para França, de modo a acalentar o sonho de uma vida melhor, o seu destino seria um clube dos escalões amadores gauleses, onde atendendo às circunstâncias com que se deparava na terra natal, se revelava uma autêntica panaceia para o manancial de dificuldades até, então, vividas.

E aí, haveria, apesar da sua parca idade, de sobressair… tanto que, surpreendentemente, conseguiria um lugar nos escalados pelo seu país natal para disputar o mundial sub-17. Aí, haveria de revelar as inúmeras qualidades que já se encontravam na forja: qualidade de passe, bom sentido posicional e um inesgotável pulmão que o fazia assemelhar-se a um polvo capaz de chegar a todo o lado.

Com tamanhas qualidades, seria um emigrante flaviense radicado em França a propô-lo ao Chaves…afinal, tratava-se de um jovem necessitado de todo o suporte, quer psicológico, quer financeiro, quer desportivo para progredir. E, nós, vitorianos sabemos como Chaves pode ser um viveiro inesgotável de jovens jogadores com qualidades…assim, de repente, recordamos Riva, Toñito, o malogrado Carlos Alvarez, ou, mais recentemente, Geromel.

Em terras de Flávia sucedeu com Bamba o mesmo que aos nomes citados… a sua qualidade refulgiu e rapidamente era dono do meio campo dos seniores, mandando nele e tornando-se rapidamente no nome mais falado de uma equipa que fez da Liga Orangina um elevador...pois foi promovida e imediatamente desceu de divisão, sendo que, porém, o marfinense teve a sua tarde de glória ao pisar o Jamor no jogo da final da Taça de Portugal, que os homens do Marão perderiam por duas bolas a uma.

Todavia, a excelsa carreira dos outsiders na Taça de Portugal fez despertar as atenções para aquele médio incansável que era a base para permitir que homens veteranos como Castanheira ou Carlos Pinto fizessem diabruras… e que a Taça fosse um subterfúgio para um desastroso campeonato que culminou de forma impensada atendendo à razoável qualidade da equipa!

Aí,a  surpresa…apesar de, constantemente, se alvitrar que o talentoso médio estaria de malas aviadas para clubes de maior nomeada, chegando-se a falar, inclusivamente, de nomes como Corunha ou Benfica, a verdade é que assinaria pelo Feirense, que à data se assumia, declaradamente, como um dos mais fortes candidatos à subida.

E aí, orientado pelo antigo vitoriano Quim Machado, o talento do africano sublimou-se… aliado aos predicados supra mencionados, juntou a capacidade de aparecer em zonas de finalização, muito por culpa do sua inesgotável resistência física. Além da capacidade de recuperar bolas, e beneficiando do bom entendimento com o seu  parceiro de meio campo, André Fontes, assumiu-se como o primeiro elemento capaz de organizar os processos ofensivos dos homens do Marcolino de Castro, sendo uma das peças mais basilares de um êxito que já se ansiava há cerca de 20 anos.

Chega, agora, ao Vitória, ainda, com todas as qualidades mencionadas por polir… um diamante em estado bruto e necessitado de lapidar e ainda com a inocência africana bem vincada…mas, não se duvide, que tendo paciência o marfinense será daqueles com que se terá de contar… Para já chega ao Vitória com o sonho de se consolidar nos sub 21 dos elefantes, onde já é internacional, para um dia quem sabe entrar em campo ao lado de Drogba, Gervinho ou os manos Touré na selecção principal…a ver vamos, sendo certo que esse seu êxito pessoal seria, também, o êxito do Vitória.