A opinião de…

A INTERMITÊNCIA NAS EXIBIÇÕES DO VITÓRIA

Não é meu hábito, caros leitores, intrometer-me em análises e comentários técnico-tácticos dos jogos do nosso Vitória. Primeiro, porque “a tenda quer-se com quem a entenda” e depois, porque respeito muito a árdua e, por vezes, incompreensível tarefa dos treinadores profissionais de futebol.

Contudo, porque há em cada um de nós, espectadores assíduos e atentos, uma tendência quase impulsiva para a crítica, vou fazê-lo, expondo-me, naturalmente, ao livre arbítrio de melhores e mais consistentes opiniões.

A minha primeira impressão no final deste último jogo com o Paços de Ferreira, comum, de certeza, à grande maioria dos mortais, foi a de que o nosso Vitória não fez tudo que estava ao seu alcance, para ganhar esta partida e somar mais três pontos que nos fixava, sem mais, no terceiro lugar da Liga Sagres.

Não tenho dúvidas e acho que ninguém tem, que os nossos jogadores e o seu treinador quiseram muito ganhá-lo. Mostraram atitude, empenho e grande determinação. E até as substituições, penso eu, foram bem feitas, aliás, qualidade superior de Manuel Machado. Só que não vencemos, e eu continuo a afirmar o óbvio – não fizemos tudo o que estava ao nosso alcance.

E é, precisamente, aqui que entronca o grande paradoxo – a verdadeira PAIXÃO que é o futebol.

Se os caros leitores repararem com mais atenção, a frase ou expressão mais usada na imprensa desportiva (escrita, vista e falada), para justificar a perda de pontos, é a velha máxima: não foi feito tudo o que estava ao alcance de … E tudo isto é muito discutível. Daí, e agora já viram, eu ter muita relutância em entrar  nestes caminhos, muitas vezes enviezados, das análises e comentários técnico-tácticos de um jogo de futebol. Já chega a quantidade de “treinadores de bancada” que por aí proliferam.

Voltemos, de novo, ao Vitória-Paços de Ferreira. O que aconteceu, de facto, neste jogo? O Faouzi não fez o 2-0 quando se encontrou completamente só na frente do guarda-redes adversário, e depois o João Paulo fez uma coisa extraordinária, colocou a bola na cabeça de um avançado do Paços para este empatar o jogo. E lá “se foram mais dois pontos”. Esta é a análise simplória e factual do encontro.

Mas, eu não quero ir por aí. Quero antes chamar a atenção dos caros leitores para a explicação, obviamente pessoal, da intermitência nas exibições do nosso Vitória. Notem que eu falo de exibições, não falo de pontos. Porque neste capítulo “estamos conversados” – temos 22 pontos e caminhamos, estou certo, para a obtenção de um lugar que nos dê acesso a uma competição europeia que é, de resto, o grande objectivo desportivo do clube.

Sobre as exibições – ora agradáveis, ora menos agradáveis, mas nunca brilhantes – o problema reside, principalmente em dois factores. Os nossos médios rematam muito poucas vezes à baliza e ainda não foi encontrado o tão badalado número 10. Porquê? Não sei.

Como se têm apercebido, a tarefa do treinador tem sido enorme, as tentativas de formação do meio-campo “são mais que muitas”. Há jogos onde esta situação é melhor disfarçada, há outros onde a fragilidade vem toda ao de cima. Vamos andando e mostrando a raça, que é o símbolo deste povo e desta terra.

PS: Aproveito para dar um grande abraço ao colega de crónicas Luís Cirilo, pelo excelente desempenho no Porto Canal. Não deve ser fácil “aguentar” aquele individuo de lá de Trás-da-Morreira.

Alfredo Magalhães
Sócio nº 1580

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