A opinião de…

CÓDIGO DE ÉTICA E CONDUTA

Em pleno século XXI o futebol profissional é uma indústria demasiado séria, que move tantos interesses e emoções, para não ser encarada pelos diversos agentes com o máximo de seriedade e rigor.

E um grau de exigência tão elevado que comece por ser aplicado a questões internas de cada clube antes de ser exigido em relações externas.

São já vários os clubes, em países em que indústria futebol é leva muito a sério, que adoptaram códigos de conduta interna aplicáveis a todos quantos trabalham ou dirigem o respectivo clube.

Dirigentes, técnicos, atletas e funcionários ninguém está dispensado de se orientar por regras claras.

Entendo que a modernização do Vitória, na qual todos estamos empenhados cada um a seu nível de intervenção, terá necessariamente de passar pela adopção de um código de conduta e ética que torne claros todos os procedimentos, todas as atitudes, toda a representação externa do clube.

Os jogadores, tantas vezes a face mais visível do clube, para além do regulamento disciplinar próprio dos departamentos desportivos tem de ver acentuada a tónica da responsabilidade que é vestir a camisola do Vitória.

Pelo que é de lhes exigir um comportamento social irrepreensível (até pelo exemplo que são para os mais jovens), uma disponibilidade completa para servirem o clube e um comportamento desportivo pautado por valores de ética e respeito pelos adversários.

Aos técnicos, até pela sua função de liderança, para além do respeito pelos valores atrás referidos será ainda exigível que os transmitam de forma assertiva aos seus atletas desde os escalões de formação ou quando ingressem no Vitória.

E esses valores devem incluir também regras claras quanto á forma como se relacionam com a imprensa, com a valorização prioritária do clube a que estão ligados em cada entrevista concedida e até á sua correcta denominação.

Tem de existir uma linha de comunicação clara para toda a gente que fale em representação do Vitória.

Mas é em relação aos dirigente que entendo que esse código deve ser aplicado com maior rigor e escrutínio por parte dos sócios. Porque quem dirige uma colectividade como a nossa tem de fazê-lo de forma absolutamente exemplar e no âmbito do quadro estatutário existente no clube e aprovado pelos sócios em assembleia-geral.

Entendo, a exemplo do que se verifica noutros clubes do futebol da 1ª divisão europeia, que é obrigatória a existência de uma separação clara e inultrapassável entre a vida profissional dos dirigentes e as várias actividades do clube.

Sabemos que na actualidade os estatutos do Vitória não permitem a profissionalização dos dirigentes eleitos pelo que, naturalmente, eles têm as suas profissões, os seus negócios ou as suas empresas.

Tem é de manter tudo isso longe do clube.

E por isso defendo, sob pena de perda de mandato, que a quem integrar os órgãos sociais do clube ficará absolutamente vetado qualquer relacionamento comercial com atletas, funcionários, técnicos ou outros assalariados ao serviço do Vitória.

Seja para vender um jornal, um fato, uma viagem, um automóvel ou uma casa!

Da mesma forma, e no interesse primeiro de quem ocupa cargos e não quer suspeições sob a forma como o faz, terá de haver a absoluta proibição de o clube realizar qualquer actividade de índole desportiva ou social (ainda que a titulo gratuito) em espaços para o efeito e pertencentes a membros dos órgãos sociais.

Defendo ainda que a partir do momento em que alguém é eleito como dirigente do Vitória, seja qual for órgão, deve preencher uma declaração de interesses que ficará em sigilo na posse do Conselho de Jurisdição e da qual constem todos os relacionamentos comerciais que tenha com dirigentes de outros clubes (ou com os próprios clubes) que disputem com o Vitória campeonatos profissionais das diversas modalidades.

Poderão estas exigências ser consideradas como exageradas?

Admito que sim.

Mas como ninguém é obrigado a ser dirigente do Vitória creio perfeitamente admissível que quem se candidate a membro dos órgãos sociais do clube entenda que há um código de conduta e ética para cumprir. Que defende o clube e aqueles que o quiserem servir sem qualquer sombra a pairar sobre eles.

Quem não estiver disposto a aceitar estas e outras regras de conduta, até pela respeitável posição de preferir ter o Vitória como cliente a servi-lo como dirigente, terá de ficar fora dos órgãos sociais.

Sujeitando-se a regras transparentes de mercado, nomeadamente concursos públicos para fornecimentos de bens e serviços a partir de certo montante, e disputando de forma transparente com outras empresas o estatuto de fornecedor do clube.

E, caros amigos, vamos ser muito claros:

Para instituirmos no Vitória um código deste género não dependemos de ninguém. Nem da Liga, nem da Federação, nem tão pouco do governo.

Dependemos apenas de nós próprios e da vontade de em próxima revisão estatutária fazermos consagrar estes princípios como norma orientadora do clube nestas matérias. E estou certo que se assim for será bom para todos.

Para os sócios que verão reforçada a transparência com que o clube tem de ser governado e para os dirigentes eleitos que sabem que á luz do cumprimento desse código ninguém levantará duvidas e suspeições sobre o exercício da gestão.

Desejo a todos os membros da Associação VitóriaSempre e a todos os adeptos do Vitória um Feliz Natal e um 2011 cheio de sucessos pessoais, profissionais e vitorianos.

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