A opinião de…

FORMAÇÃO

Creio que muito do futuro do futebol português, se quisermos que ele sobreviva enquanto tal, passa pela adopção de uma correcta política de formação nos clubes de molde a podermos cumprir o nosso desígnio de um futebol essencialmente exportador de talentos.

Ninguém, pelo menos com um mínimo de conhecimentos na matéria, terá dúvidas quanto a isso.

E quando me refiro a um futebol exportador de talentos (como Futre, Ronaldo, Figo, Rui Costa ou…Bebé) falo, naturalmente, da exportação de jovens talentos portugueses dada a sua conhecida capacidade dos para a prática do futebol.

Só assim, formando para vender, os clubes portugueses poderão ultrapassar os seus crónicos problemas de tesouraria e alcançarem o equilíbrio financeiro que lhes permita ambicionar outros patamares competitivos.

Mas para isso os clubes tem de fazer opções.

Ou querem ganhar todos os anos campeonatos dos escalões jovens, nem que para isso se socorram de uma autêntica “sociedade das nações” que desvirtua tudo o resto, ou então fazem uma opção clara pelo “produto” nacional e criam condições para que esses jovens triunfem na sua passagem da formação para o futebol sénior.

Por mim não tenho duvidas.

Os títulos que quero ver ganhar no futebol de formação do Vitória não são campeonatos que podem permitir a glória momentânea de quem os ganha (e os 10 minutos de glória que satisfazem egos pouco ambiciosos) mas sim o aproveitamento todo os anos de dois ou três atletas para a equipa sénior.

Se a par disso for possível ganhar títulos excelentes. Mas nunca devem ser a prioridade.

É certo que o Vitória disputa campeonatos com regras definidas, que dele não dependem, e a que terá de se adaptar.

Como por exemplo a inexistência de um campeonato de reservas ou a possibilidade de as equipas B disputarem a liga de Honra o que seria a continuidade do percurso de formação ideal para os seus jovens talentos.

Nada podendo fazer sozinho nessa matéria o clube tem de encontrar soluções para os jovens que sobem a seniores.

Lá iremos mais adiante.

Há contudo outras regras que o clube pode contornar dentro de umas filosofias de formação e de um projecto desportivo de médio prazo.

Refiro-me á contratação de estrangeiros para os escalões de formação.

Da qual discordo em absoluto.

É verdade que a legislação, aprovada no Parlamento como é regra de qualquer democracia, permite essa contratação.

Mas também há legislação a permitir, por exemplo, a mudança de sexo!

E ninguém é obrigado a fazê-la (livra!) embora a lei o permita.

Há ,isso sim,quem o faça por opção.

Opção!!!

Daí o defender que o Vitória não deve enveredar por esse caminho de contratar estrangeiros para suprir esta ou aquela lacuna.

Devem é trabalhar mais e melhor para suprirem essas lacunas com jovens portugueses.

Dá trabalho ?

Pois dá.

Mas é para isso que os responsáveis da formação são pagos.

Para trabalharem.

Defendo uma organização para o futebol do Vitória assente numa hierarquia clara.

Um vice presidente responsável por todo o futebol.

Das escolinhas á equipa profissional.

Um director desportivo que em consonância com o referido vice-presidente, e debaixo da orientação do presidente, trace a orientação desportiva do clube.

Incluindo a política de cedência de jogadores para rodagem.

Que deve ser prioritariamente feita a clubes da Liga de honra e da II B.

Jamais da III divisão.

Porque é um escalão competitivo onde os jovens mais depressa se “estragam” do que apreendem alguma coisa.

Depois um director técnico para a formação.

Com conhecimentos científicos na metodologia de treino, na organização dos escalões de formação, na educação dos atletas enquanto homens.

É uma área demasiado importante para estar entregue a curiosos.

Esse director técnico será também o responsável pela escolha dos técnicos para o futebol de formação.

Procurando estabelecer um protocolo com uma faculdade de motricidade humana de molde a que esta cedesse ao clube alguns dos seus melhores licenciados na área do treino, da preparação física e capazes da tal educação cívica e humana a par da técnica.

Formar jogadores mas também cidadãos.

E dentro desse princípio construir um estilo de jogo (como fazem Ajax ou Barcelona) em que os jogadores dos iniciados aos seniores jogam sempre da mesma forma.

O que naturalmente facilita a sua integração na equipa profissional.

Depois os espaços.

Entendo que o complexo desportivo existente devia ficar totalmente afecto ao futebol de formação.

Construindo o clube um centro de estágio para o futebol profissional fora da cidade.

E no espaço existente no complexo seria de construir um Lar para os jogadores de molde a permitir que aqueles que são de fora de Guimarães permaneçam juntos.

Com todas as vantagens facilmente perceptíveis

Acima de tudo parece-me que o Vitória deverá ter uma estrutura pequena mas altamente profissional e competente a tratar da formação.

Com critérios objectivos, do treino á contratação de jogadores portugueses de outros clubes, eliminando todos os factores e critérios aleatórios.

Penso que boa parte do futuro do Vitória como grande clube do futebol português passa pela forma como encarar e apostar nos escalões de formação.

Porque só formando bem conseguirá aproveitá-los na equipa principal.

E só colocando-os a jogar na Liga terá montra para os mostrar ao futebol europeu.

Repito o que já atrás escrevi.

A qualidade da formação de um clube não se afere só pelos títulos nacionais ou pelo número de jogadores convocados para as selecções jovens.

Afere-se, essencialmente, pelo aproveitamento que a equipa profissional faz dos seus escalões jovens.

Ter jogadores da formação nos seniores são os “títulos” mais importantes para quem olha para o Vitória como um todo.

E sabe que a floresta é sempre mais importante que qualquer arvore.

Ou arbustozito…

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