A opinião de…

RESPIRAR FUNDO

Fomos derrotados. Sem apelo nem agravo.
Daqui, como diz a minha gente, “para a frente é que é o caminho

O Vitória entrou numa parte decisiva desta época 2010/11.

Ainda estamos em jogo na Taça de Portugal, nas meias-finais, com a 1ª mão vencida em casa por 1-0. Estamos em 4º lugar no Campeonato, ocupando um lugar europeu, a 4 pontos de 3º classificado e seguidos de perto pela concorrência ao lugar europeu. E estamos ainda com duas vias para o atingir, o campeonato, pela via classificativa, ou a Taça de Portugal, onde um apuramento para a final assegura imediatamente uma qualificação europeia.

Esta época teve altos e baixos. Tivemos um primeiro terço do campeonato fulgurante, descemos depois dramaticamente em termos exibicionais, e mesmo em pleno âmago dessa descida na qualidade do futebol praticado, conseguimos obter uma série de resultados menos maus, apesar dos desaires caseiros com Paços de Ferreira e Naval.

Entretanto o Vitória reforçou-se, e tem já a jogar alguns dos seus novos reforços.

Esta é a altura de parar para respirar fundo.

Esta é a altura de perceber que estamos tão perto ganhar tudo, tão perto quanto estamos de perder tudo.

Esta é a altura em que temos que perceber que dependemos de nós. Apenas de nós. Dos nossos jogadores, da sua valentia, da sua vontade, do seu profissionalismo.

A equipa teve retoques importantes, designadamente no meio-campo, que todos vínhamos dizendo ser o sector mais deficitário da equipa. A contratação do Renan, apesar de não ser um trinco de origem, permite que tenhamos um jogador que – ao menos – quando recebe a bola, volta-se para o sentido de jogo ofensivo, roda sobre si próprio, põe a bola a circular. O João Pedro, dá para perceber que é um jogador de outra dimensão, que se se conseguir adaptar facilmente, nos poderá ser útil nesta ponta final do campeonato.

E tenho que saudar a integração, à última da hora, do Rafael.

Mas continua a haver coisas que não consigo perceber no Vitória…

A venda do Ricardo.

Foi uma boa venda, foi um excelente encaixe financeiro, diria mesmo extraordinário para a valia e idade do jogador em causa. Mas a questão que se deve colocar é: que equipa que esteja ainda a lutar por objectivos neste campeonato, dispensa um jogador, um central, que é titular em praticamente todos os jogos? Que equipa se sujeita a fazer o resto da época com apenas 3 centrais, sendo todos eles escolhas até este momento preteridas pelo treinador em face do Ricardo, que sempre assumia a titularidade?

Que o negócio é bom, é objectivamente, mas sem perdermos de vista as condições negociais pontualmente vantajosas ou desvantajosas, a verdade é que o Vitória é um clube de futebol, antes de ser um entreposto de venda de jogadores.

O seu objectivo é vencer, e não vender.

Às vezes parecem-me ligeiramente baralhadas estas prioridades.

Isto, particularmente num ano em que o Bebé rendeu ao Vitória o maior encaixe da sua História, ou seja, em que a necessidade urgente de encaixe financeiro é menor por força do encaixe extraordinário proporcionado com a venda daquele jogador.

Outra situação é o empréstimo do William.

Temos três pontas-de-lança, um claramente titular, outros dois para disputar o segundo lugar, dispensamos um, a seguir, não surpreendentemente, aparecem notícias insistentes que demonstram alguma insatisfação do Douglas, dando como certa a sua saída, seja para Braga, seja para o Brasil, ou seja, corremos o risco de só termos um jogador com que possamos contar verdadeiramente, pelo que, começando a época excedentários em pontas-de-lança, corremos o risco de ter que rezar para que o Edgar não se lesione e ficarmos sem jogadores para aquela posição.

E depois a política de fomento e aposta nos jogadores da formação.

O Vitória estava urgentemente necessitado de trincos. Tem o Dinis que foi titular em todos os escalões de formação, que serviu para as selecções nacionais, só não serve para o Vitória. Para o Vitória, é muito novo. Serve o Renan, e – pasme-se – até o Rafael Crivellaro, que tem 21 anos, mas esse, como vem do Brasil, a idade já não é problema.

Meus caros amigos,

Tudo isto são desabafos, de quem tenta perceber e sobretudo identificar antecipadamente, as razões que muitas vezes estão na base de alguns insucessos, que depois se atribuem sempre à bola na trave ou ao árbitro. Nós já temos muita gente contra nós, vamos tentar nós próprios não tomar decisões que nos criem mais problemas para resolver.

O importante agora, como dizia no início, é o toque a reunir.

É a concentração final das tropas, para que estejam cientes de que o objectivo está ao seu alcance, que só depende deles.

Esta época pode ainda ser de excepcional brilho, podemos atingir o 3º lugar, e podemos vencer a Taça de Portugal. Pode ser uma época Histórica!

É nisto que devemos agora concentrar o nosso pensamento. Sobretudo os jogadores.

Por mim, confio totalmente na gestão humana e motivacional do Prof. Manuel Machado. Tenho a certeza que saberá manter e gerir índices de confiança, estou igualmente certo que saberá proteger a equipa tacticamente, mesmo nos seus piores momentos exibicionais, como ainda recentemente sucedeu.

Resta agora, nos jogadores, ser incutida esta humildade, e também espírito competitivo.

Querer ganhar. Querer vencer. Querermos ser os melhores.

E esse desafio, começa já esta 6ª feira…

Um grande abraço a todos!

André Coelho Lima
Sócio nº 3181

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