A opinião de…

TAÇA DE PORTUGAL: UMA EXIGÊNCIA, UMA OBRIGAÇÃO!

Novo jogo, nova possibilidade de alcançarmos o terceiro lugar ou consolidarmos a nossa posição, nova derrota. Não sei se os jogadores do Vitória não gostam de jogar no início do mês, se ainda não receberam o salário e se isso os desmotiva, ou se é o azar da primeira semana do mês, ou se tudo não passa de mera coincidência as várias derrotas sofridas na primeira jornada do mês (é coincidência certamente, estas derrotas não são arbitrárias ou fortuitas, não dependem de razões esotéricas, têm claramente responsáveis), mas o que é certo é que já foram várias as derrotas na primeira semana do mês.

Manuel Machado afiançou antes do jogo que iria preterir do futebol espectáculo, para ganhar os pontos. Quanto a preterição do espectáculo Manuel Machado e os jogadores do Vitória cumpriram a promessa. Aliás já o vêm fazendo há muito. Não houve espectáculo. Quanto aos pontos, mais uma vez desperdiçamos uma oportunidade de ouro. E só não é mais grave porque, felizmente para nós, os nossos adversários directos têm também ciclicamente perdido pontos.

Aliás, se não fosse o mau desempenho dos nossos adversários directos, o Vitória nem o 5º lugar, ex aequo com o Paços de Ferreira, ocupava. Não nos podemos iludir. O Vitória tem sido inconstante, não apresenta um bom futebol (só o faz a espaços e durante alguns minutos) como nos acostumou no passado – que começa a ser longínquo –, tem um plantel desequilibrado, alguns dos jogadores parecem desmotivados e sem garra, o seu técnico varia tacticamente o jogo de forma incoerente, ora montando uma equipa incompreensivelmente ao ataque contra um Benfica motivado e com porventura o melhor ataque do momento – sofrendo em consequência dessa insensatez uma derrota humilhante –, ora joga com uma equipa de tracção atrás com equipas que só se limitam a colocar o autocarro à frente da baliza.

Também têm existido factores externos como as arbitragens e a falta de sorte – até os campeões precisam dela –, mas têm sido mais os factores internos a dar origem a vários maus resultados desportivos perante adversários claramente mais fracos. E já não falo aqui da política de contratações, ou da falta dela, por parte da Direcção, que ainda agora vendeu inexplicavelmente o Ricardo, quando a equipa mais precisa dele para dar equilíbrio, estabilidade e liderança a um sector que vive, desde inicio da época, em constante turbulência e instabilidade. Os factores económicos e a incapacidade desta Direcção resolver os problemas financeiros – o que é inexplicável porque o principal objectivo delineado por esta Direcção, no anterior e actual mandato, era o saneamento financeiro, e a capacidade financeira era o alegado principal trunfo de Emílio Macedo nas campanhas eleitorais, tendo inclusivamente convidado para a sua equipa directiva elementos que, apesar da inexperiência no dirigismo desportivo, tinham publica capacidade financeira, o que poderia ser uma mais valia, nomeadamente junto das instituições financeiras – não podem constantemente hipotecar os objectivos desportivos da equipa, porque sem vitorias e troféus e sem participações em competições europeias, o Vitória, para além de não corresponder as legitimas expectativas dos seus sócios, também perde encaixe financeiros e valor, nomeadamente em termos publicitários e de direitos televisivos.

Sem prescindir, tendo em conta, como supra referi, o mau desempenho dos nossos adversários directos, a nossa actual boa classificação (apesar de tudo) e o grande apoio da massa associativa – que deve fazer sentir à Direcção, equipa técnica e jogadores o descontentamento pelos maus resultados e inexistente programação desportiva da época (que não se pode repetir no próximo ano), mas também deve continuar a apoiar e incentivar o seu Clube e os seus atletas –, é ainda perfeitamente possível, se também a equipa técnica e jogadores se empenharem e honrarem a camisola que envergam, atingirmos alguns dos objectivos traçados, nomeadamente classificarmo-nos em “lugar europeu” e acima de tudo, atingirmos a final da Taça de Portugal, e vencermos este troféu. O Vitória merece ter esse troféu, o Vitória precisa desse troféu.

A Direcção, a Equipa Técnica e os Jogadores têm obrigação de dar ao Clube e seus associados, e à própria cidade, esse troféu.

Pedro Miguel Carvalho

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