A opinião de…

A SORTE PROTEGE OS AUDAZES

Mais uma jornada, mais uma oportunidade perdida.
Falta de sorte dirão alguns. Tivemos oportunidades mas não marcamos, dirão outros. O Setúbal marcou na única vez que foi à baliza, dirão ainda outros.
Tudo verdade. Mas não é a verdade completa.

A verdade é que o Vitória não ganhou, porque não quis.
Porque foi uma equipa medrosa, porque não teve ambição, porque não quis abordar o jogo como verdadeiros profissionais devem abordar: para ser melhor que o adversário, a cada lance, a cada jogada.
A verdade é que, à excepção do golo, o Vitória poucas oportunidades teve nascidas de lances de ataque planeado. E mesmo o golo, nasce de um contra-ataque puro, em que beneficiamos do facto de apanhar o adversário em contra-pé.
A verdade é que o Vitória, desde que marcou o golo, deixou de jogar futebol. Começou a jogar com o relógio, a deixar o tempo passar, a tentar marcar só mesmo se, por casualidade, uma oportunidade surgisse.
Por isso sofreu o golo no final. Mesmo em cima da hora, qual murro no estômago.
Azar? Talvez. Mas merecemos esse azar!
A sorte e o azar não são meras casualidades relacionadas com o destino.
A sorte merece-se e o azar evita-se.
E o Vitória não mereceu, ao longo do jogo, a sorte que poderia ter tido de não sofrer aquele golo nos descontos, marcado por aquele que se estava mesmo a ver nos iria marcar… o jogador que nós emprestamos ao nosso adversário.
Há coisas que só acontecem mesmo ao Vitória…

Quanto ao resto da época não sei muito bem o que esperar.
Não esqueço as palavras que aqui disse o Manuel Machado, e que recordo “se confiarmos na capacidade do Machado, se estivermos conscientes de que ele sabe o que está a fazer, se lhe concedermos o benefício da dúvida, vamos dar espaço para que mostre a sua capacidade na organização e estruturação de equipas, de que só o Vitória sai a ganhar”.
Mantenho esta posição. O Manuel Machado a única vez que treinou o Vitória ficou em 5º lugar, sensivelmente a posição que agora ocupa. Ainda está em todas as frentes, com possibilidade de disputa dos objectivos. Temos que confiar até final. Mas que diabo, tentem lá jogar futebol ao menos um bocadinho, para não tornar as nossas idas ao estádio penosos sacrifícios como têm sido.

Uma coisa é certa, se nesta época em que o Braga atinge e consolida objectivos europeus que fazem com que deixem de olhar para cima para nos verem em termos de palmarés europeu, e em que o Sporting se apresenta com a pior equipa dos últimos 10 anos, se nesta época não conseguirmos o 3º ou 4º lugar, será muito mau sinal no que respeita ao posicionamento relativo do Vitória no panorama do futebol nacional.

FINANCIAMENTO DAS MODALIDADES

Venho a este assunto, para reforçar aquela que foi uma opinião sempre por mim manifestada, desde que a actual Direcção resolveu reformular a forma de financiamento das modalidades ditas “amadoras”, mas que de amadoras já pouco têm.

Sem entrar em demasiados pormenores, direi apenas que as modalidades no Vitória, desde sempre, viveram com meios próprios. Isto é, a capacidade de angariação de fundos dos seus seccionistas e demais dirigentes, e a força do emblema do Vitória, determinava a extensão e o alcance dos projectos desportivos, com orçamentos grandes ou pequenos, mas eram orçamentos dimensionados às receitas que efectivamente conseguiam obter. Eventualmente acrescidos, como sempre defendi também, de uma percentagem de comparticipação do clube (não inferior a 10% e não superior a 20%), após aprovação do orçamento de cada secção.

A Direcção surgiu com a ideia peregrina de concentrar em si própria a gestão de todos os recursos financeiros gerados por todas as secções, distribuindo por todos novamente, por critérios que desconheço pelo que não me cabe aqui abordar.
À partida, o anunciado propósito de controlo da organização Vitória Sport Clube é meritório.
O problema potencial disto – disse-o na altura – é que deixaríamos de contar com a capacidade financiadora dos seccionistas, não porque relaxam na obtenção de receitas, mas porque estão impedidos de o fazer, essa deixa de ser uma preocupação de cada secção. Para além disso, a gestão de cada secção, no que respeita a pagamentos e cumprimento de demais deveres, ficaria mais distante dos atletas, porque concentrada na Direcção, em vez de estar naqueles dirigentes mais próximos dos atletas.
Mas o pior de tudo isto é que para que todo este esquema mais burocrático funcione, a Direcção tem que contratar muito mais pessoas, tem que onerar o orçamento do Clube, para suportar o funcionamento de secções que deveriam suportar-se a si próprias, como sempre sucedeu e com grande sucesso. A Taça de Portugal no voleibol e o Campeonato Nacional do Voleibol foram obtidos sob este sistema de gestão.
Agora veio a público a voz do responsável pela secção de Basquetebol, Dr. António Lourenço, a confirmar isto que aqui digo, e pelas piores razões (aparentemente há salários em atraso a alguns atletas).

Sempre aprendi que devemos saber viver com os nossos meios, com aquilo que geramos.
Viver acima das expectativas leva as famílias, e tem levado o país, ao estado em que está.
Compreende-se a necessidade de concentrar num só órgão dirigente a política de compras e contratações, impedindo a instalação de um clima de desorganização.
Mas este esquema é potencialmente explosivo, porque torna o nosso Clube mais burocrático (um pouco como o Estado), porque as secções passam a apresentar orçamentos dos quais ninguém sabe à partida se poderão ser cumpridos do lado das receitas, o que pode implicar que o clube tenha que “tapar esses buracos” criando uma situação de sustento das modalidades, que não é boa prática de gestão, e que os próprios responsáveis das modalidades não quererão, pois assumem compromissos cujo cumprimento acaba por não depender de si próprios.

Guimarães, 16 de Março de 2011

André Coelho Lima
Sócio nº 3181

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