A opinião de…

MEMÓRIAS DA TAÇA

Na crónica de hoje duas oportunidades se me ofereciam: Ou falar do actual momento vitoriano ou do transcendente jogo de domingo que nos pode dar o apuramento para a desejada final do Jamor.
Optei por falar da Taça.
Porque para falar do outro assunto teria de o fazer de forma que não contribuiria para a convergência de esforços necessária para levar de vencida a Académica.
Vamos então falar da taça de Portugal de futebol.
A única que ainda podemos ganhar nesta época desportiva depois dos insucessos no voleibol e basquetebol que impediram aquilo que poderia bem ser o ano das três Taças.
E falarei da taça recordando as duas anteriores presenças do Vitória na final e nas quais estive presente nos estádios.
Sim, nos estádios, porque uma foi nas Antas e a outra no Jamor.
Em 1976 o Vitória tinha uma excelente equipa.
Das melhores que recordo ter visto jogar.
Bastará recordar nomes como Rodrigues, Rui Rodrigues, Osvaldinho,  Almiro, Abreu, Tito ou Rui Lopes para perceber a dimensão da equipa.
Do outro lado estava um Boavista, treinado por José Maria Pedroto e com Valentim Loureiro como director do futebol, a iniciar uma meteórica ascensão no futebol nacional que viria a acabar muitos anos mais tarde da forma que todos sabemos.
Também ele, Boavista, com um lote de excelentes praticantes.
João Alves, Salvador, Francisco Mário, Botelho, Mané.
Os do Bessa tinham conquistado um sensacional segundo lugar no campeonato enquanto o Vitória se quedara por um sexto lugar bastante aquém do que o valor da equipa prometia.
Acontece que essa final estava “inquinada” por algo acontecido na época anterior.
O célebre, e ainda hoje, falado “caso Garrido”.
Quando adeptos vitorianos em fúria por uma arbitragem miserável, que ultima jornada nos roubara o apuramento europeu (precisamente face e a favor do Boavista), sequestraram António Garrido nos balneários do então estádio municipal durante longas horas após o fim do jogo.
Tendo inclusive queimado o carro do árbitro.
Garrido era, pois, o ultimo árbitro do planeta a dever arbitrar essa final.
Pois foi o escolhido.
Com a aquiescência da direcção vitoriana convencida da boa fé do sujeito.
Soube-se depois que era intenção da FPF nomear outro árbitro mas que terá sido o próprio Garrido a pedir para arbitrar a final.
Percebeu-se depois porquê.
Recordo desse jogo várias coisas.
Uma tarde de imenso calor.
O topo sul do estádio das Antas repleto de milhares e milhares de vitorianos em número largamente superior aos adeptos adversários.
Uma bela exibição do Vitória que a perder desde muito cedo (dois golos de Salvador magistralmente lançado por Alves em jogadas de contra ataque) soube reagir e ir em busca do “prejuízo”.
Marcaria um golo, em bela jogada de Rui Lopes, e veria um vigarista chamado Garrido roubar-lhe três claríssimas grandes penalidades que seguramente teriam dado outro dono á Taça.
Cometidas sobre Tito, Pedrinho e Almiro.
As duas primeiras na grande ares do topo norte, precisamente no lado oposto ao qual estavam os vitorianos, mas que se viam bem á distância.
A terceira na grande área do topo sul, bem á frente dos nossos adeptos, e que ainda hoje considero das mais evidentes grandes penalidades que vi num estádio de futebol.
Almiro entrou na área, contornou o guarda redes, e quando se preparava para fazer um golo fácil foi simultaneamente agarrado por Carolino e Botelho.
Ficou literalmente suspenso no ar manietado pelos adversários.
Garrido, o grande vigarista, a dois ou três metros de distância nada assinalou.
Estava consumada a vingança do acontecido em Guimarães na época anterior.
Essa Taça era nossa.
Foi-nos roubada por um vigarista sem vergonha chamado António Garrido.
Em 1988, no Jamor face ao Porto, tudo foi diferente.
O Vitória vivia a ressaca de uma época fraquíssima, em que com uma boa equipa ia descendo de divisão, e chegou á final ainda a respirar de alívio por ter evitado a despromoção.
Isto depois de na época anterior ter feito aquela extraordinária campanha que ainda hoje recordamos com saudade.
Pela frente tinha um Porto fortíssimo, que fora campeão europeu no ano anterior e já se tinha sagrado campeão nacional nessa época, e que tinha feito no campeonato exactamente o dobro dos pontos do Vitória.
66 pontos para o Porto e 33 para nós; a diferença entre primeiro e 14º classificado.
Isto num campeonato em que o triunfo ainda valia dois pontos.
O Vitória tinha tido, pois, uma época atribulada com várias mudanças de treinador (Rene Simões, António Oliveira) e chegara ao Jamor com o adjunto José Alberto Torres a treinador principal!
E uma das imagens que recordo dessa final é precisamente no período de aquecimento ver Ivic e o estado maior portista, na saída dos balneários, a assistirem aos exercícios da sua equipa enquanto o treinador do Vitória procedia ao aquecimento do guarda-redes!
Foi um jogo sem grande história, em que a deslocação de adeptos de ambas as equipas ficou aquém do esperado, e que se viria a resolver com um solitário golo de Jaime Magalhães.
Foi também a última vez que o Vitória chegou á final.
Nestes 23 anos decorridos, e pese embora as várias oportunidades tidas, a verdade é que nunca mais lá chegamos.
Sem às vezes, recordo a meia-final com o Amadora em que fomos eliminados em Guimarães com um golo de um jogador por nós emprestado, percebermos como tinha sido possível ficarmos pelo caminho.
Domingo, em, Coimbra teremos mais uma oportunidade.
Face a um adversário que nos é inferior e entrando em campo com a vantagem, curta mas importante, conseguida no jogo de Guimarães.
Estou certo que apoio dos adeptos não vai faltar.
Prevêem-se cerca de 7.000 o que nestes tempos de crise é um sinal claro de confiança na equipa e de disponibilidade para com sacrifícios á mistura a apoiarem, levarem ao colo se preciso for, rumo ao Jamor.
Da equipa espera-se, pede-se, exige-se que saiba estar à altura da camisola que veste, do emblema que defende, dos adeptos que a acompanham.
Chega de erros.
Basta de disparates.
Deixem-se de experimentalismos e invenções que só nos prejudicam.
Domingo é para entrar com a melhor equipa possível.
Guarnecendo o banco com os melhores disponíveis que não sejam titulares.
E é entrar para ganhar não para defender o resultado.
Nós, pelo menos nós, vitorianos merecemos.
Queremos estar na final.
Com o Vitória… Rumo ao Jamor
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