A opinião de …

Um destino: JAMOR ; Um Objectivo: TAÇA DE PORTUGAL

É com natural satisfação que escrevo a crónica deste mês. Ou melhor, é com redobrada satisfação, uma vez que é um privilégio escrever uma crónica no Vitória Sempre, e maior é esse privilégio quando o posso fazer após um épico jogo que permitiu ao Vitória estar, 23 anos depois, no final da Taça de Portugal.

Épico pela qualificação e resultado, mas acima de tudo, pela postura e atitude demonstrada pelos jogadores do Vitória, que, ao contrário do verificado nos mais recentes jogos, dignificaram e honraram a camisola que envergavam, lutando até ao último minuto pela qualificação.

O futebol praticado não foi o melhor – não vem sendo há vários jogos – mas a postura dos jogadores foi digna, batalhadora, empenhada. Digna também – mas isso é uma constante –, inexcedível até, foi o apoio dos vitorianos, que mais uma vez demonstraram da justiça que é ter sido decidido, em Assembleia Geral, a retirada do número 12 em sua homenagem, pois efectivamente, e sem qualquer margem de duvida, estes são o 12º jogador.

Obviamente que agora é preciso é ganhar a Taça de Portugal. Não basta lá chegar, como o disse, e muito bem, Manuel Machado, o que é preciso é ganhar a Taça. O Vitória carece de troféus, os sócios merecem conquistas. Não chega atingirmos a final – já o fizemos por quatro vezes no passado sem termos conseguido conquistar o desejado troféu –, ou por esta via, termos atingido a Liga Europa (sem prescindir a importância económica e desportiva desse facto/resultado).

O Vitória precisa de conquistas, os sócios merecem conquistas.

E é isso que desejamos e esperamos que esta equipa, estes jogadores, e este técnico, nos possam dar. Está ao seu alcance, apesar de poder haver uma diferença substancial entre a qualidade técnica deste plantel e do plantel de umas das duas possíveis equipas que iremos defrontar na final. Mas se estes jogadores forem solidários, se honrarem a camisola como o fizeram em Coimbra, se se excederem-se na entrega ao jogo e estiverem determinados e focados no objectivo de vencer, serão capazes de nos dar a alegria que – passe a imodéstia – merecemos e de que o Clube precisa.

Naturalmente não creio, ou pelo menos assim espero, que o empenho dos jogadores esteja dependente de prémios de jogo, que a Direcção manifesta pretender dar. Acho até ser esta uma mensagem errada nesta altura, uma vez que, definitivamente temos que transmitir aos jogadores que jogar com a camisola do Vitória não é para qualquer um, e que a obrigação deles é darem tudo o que sabem e que têm pelo Clube. Naturalmente que têm que receber – e receber atempadamente – o salário que com estes foi acordado no contrato de trabalho que celebraram. Mas, da mesma forma que não se lhes desconta no salário quando eles não jogam bem ou perdem, também não deverão ser atribuídos quaisquer prémios monetários extraordinários quando ganham e cumprem com os objectivos.
Se quisermos premiar economicamente aqueles que tudo deram e bem jogaram ao longo da época, honrando em cada momento a camisola que envergaram, então renovemos-lhes o contrato, aumentando-lhes o salário, porque merecem e porque fizeram por isso. Mas só a estes, e não aqueles que pontualmente deram o seu contributo, e que envergaram aquela camisola sem a noção exacta do que ela representa, quer para eles, quer para os sócios, quer para o Clube e cidade.

Não chega ter uma massa associativa única, temos que, no balneário, e em todos os planteis, escalões e modalidades, criar um espírito de Clube – alguns chamam-lhe mística – idêntico ao existente na massa associativa, para que os seus profissionais, ou atletas amadores, conforme os casos, sejam sempre dignos da camisola que envergam, dêem sempre tudo pelo Clube e percebam que é uma honra representar o Vitória Sport Clube. Naturalmente que o Clube tem também que retribuir a dedicação, reconhecer o mérito e estar sempre presente ao lado dos seus jogadores.

Haverá sempre outro clube que possa pagar mais que o nosso, dar prémios económicos e acenar com verbas para as quais nunca teremos orçamento. Mas poucos Clubes existirão em Portugal que tenham a nossa identidade, o nosso sentido de pertença e paixão, que se confunde com a própria cidade.

É isso que existe por exemplo num clube como o Barcelona, ou na maioria dos clubes Bascos, e é isso que deve existir no Vitória de Guimarães. O espírito de Clube tem que existir no próprio plantel. E se esse existir, estou certo que, não só esta Taça, como muitos outros troféus, encherão as nossas vitrines.

No dia 22 de Maio estarei no Jamor, e nesse dia, espero fazer a festa e espero – com todos os demais – trazer a Taça para Guimarães.

Viva o Vitória! Viva Guimarães!

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