A opinião de …

PRESENTE, REPETIÇÃO DO PASSADO??

SOMOS O NOSSO PASSADO. O NOSSO PASSADO REFAZ-SE CONSTANTEMENTE NO NOSSO PRESENTE.

Se estas não são duas verdades absolutas, se é verdade que todos podemos mudar o curso da nossa história, se todos podemos aprender com o passado e mudar o futuro, também é certo que para que tal ocorra, é preciso vontade, capacidade e engenho. E isso é o que falta claramente a esta Direcção do Vitória.

Apesar de crítico do trabalho desta Direcção, sempre tive esperança que esta pudesse mudar, pudesse aprender, pudesse evoluir. Mas isso consta-se que não ocorreu.

Esta minha crítica, a desesperança e a constatação que efectivamente esta Direcção é redundantemente o seu passado, surge aqui – apesar de a génese não se prender apenas com este último episódio (que é só mais um episódio) – na sequência do último jogo com o Paços de Ferreira.

Mais uma vez fomos prejudicados pela equipa de arbitragem, com manifesto reflexo no resultado final, sem prescindir não poder deixar de apontar também o dedo aos jogadores e respectiva equipa técnica.

E o que esta Direcção fez? Nada, ficou praticamente impassível, presa num silêncio que já pesa como chumbo. Não defendo gritaria, mas defendo a necessidade de se tomar posição e criar pressão sobre todos os intervenientes do jogo. Veja-se o exemplo da Direcção do Sporting e do respectivo director desportivo Carlos Freitas. Apesar de não terem razão quando a grande maioria das queixas dirigidas ao árbitro do último Sporting-Portimonense, o certo é que tomaram posição, numa estratégia que já vem a ser seguida desde a tomada de posse da nova Direcção, criando pressão para que os árbitros não falhem nos seus jogos, mais a mais que se encontram numa fase decisiva do campeonato, discutindo o terceiro lugar com o Braga. Disputa esta da qual o Vitória, por culpa própria, se excluiu.

Não sejamos ingénuos. Esta pressão tem que ser feita, naturalmente com respeito e elevação, mas contundente, para que saibam, aqueles nos vão arbitrar, ou todos aqueles que tomem quaisquer decisões que a nós nos afectem, que não aceitamos, nem aceitaremos, de ânimo leve e sem reagir, qualquer decisão que nos prejudique.

Era preciso que esta Direcção entendesse isso, de uma vez por todas, e que não se limitasse ou excluísse em absoluto a sua intervenção pública, e não depositasse apenas, como o faz, a defesa dos nossos interesses, no técnico Manuel Machado. Era necessário, que o presidente da direcção, ou um seu porta voz, e ainda, o director desportivo, assumissem de forma activa – mas de forma concertada – a defesa dos interesses do Clube.

O passado diz-me que tal não vai acontecer. O passado diz-me que há naturalmente alguns dirigentes com boa vontade e empenhados para mudar o status quo, mas não há capacidade, engenho, projecto claro para o Clube – e não apenas medidas avulsas como tem acontecido. Nunca houve um projecto, um rumo definido com objectivos traçados, não há planeamento da época desportiva a médio prazo, não há capacidade para sanear o passivo – mesmo com receitas extraordinárias que resultaram nomeadamente da venda “milagrosa” do “Bebé” –, e há absoluta incapacidade de reagir, de saber actuar no momento certo, e de forma determinada e assertiva, na defesa dos interesse do Clube.

Espero que a Direcção venha demonstrar o contrário, que prove que eu estou errado, que encete a mudança e proporcione um novo rumo para o Clube, particularmente para o seu futebol profissional. Aqui, publicamente, se for o caso, reconhecerei com satisfação, que estava enganado, que afinal o passado não se repetiu imutavelmente no presente e futuro. Eu já não tenho esperança nesta Direcção, a chegada a final da Taça – que espero que seja conquistada apesar da qualidade do adversário – e o acesso por essa via à Liga Europa não alterou, nem sana os erros e mau desempenho de quem preside aos destinos do meu Clube.

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