A opinião de …

UM HOMEM SÓ NÃO VALE NADA… A UNIÃO FAZ A FORÇA”

Caros leitores e amigos, sirvo-me deste título, cuja simbologia está plasmada na grande obra realista “Seara de vento”, de Manuel da Fonseca, para estabelecer uma analogia com o nosso Vitória.

Estamos a um passo de conseguir o tão almejado 5º lugar na Liga Zon Sagres. De repente, e apesar da perversa actuação do árbitro em Paços de Ferreira, vemo-nos forçados a reflectir naquela máxima de Manuel Machado: “os resultados só contam no final do campeonato”… E a quatro dias do jogo com a Naval admito, convictamente, que o desfecho será favorável. Bem sei que esta é uma declaração pouco confortável, considerando as vicissitudes do futebol português mas, sinceramente, sempre preferi ver o copo meio cheio, contrariamente àqueles que o querem ver sempre meio vazio.

Muitos, em momentos menos felizes, apressam-se a fazer comparações e criticas, esquecendo aquilo que torna este clube especial. Obviamente, não me poderia referir ao seu palmarés, decorridos 88 anos de vida. Nem me poderia referir às infra-estruturas ou aos orçamentos anuais. Todos sabemos que nem sempre as “regras do jogo” são ou foram claras. Sabemos, também, que outros gozam de condições e privilégios especiais por parte de alguns poderes e que nos números pouco nos revemos. Aquilo que realmente torna o Vitória um clube único são os seus sócios e adeptos. É claro que não falo do seu número, género ou escalão etário. Refiro-me ao amor e à paixão que estes, incondicionalmente, dedicam ao seu Vitória. Reparem, caros leitores, numa crónica de Andreia Peixoto publicada aqui, neste mesmo site, notável, digna de uma grande vitoriana.

Assobiar aos jogadores, vejo-o fazer em muitos clubes. Fazer esperas ao treinador, acontece em quase todos. Não é, portanto, isto que nos torna especiais, nem é isto demonstrador de especial amor e dedicação. Ao contrário, isto vulgariza-nos. Se, verdadeiramente, somos especiais devemos agir como tal. Encontremos formas de expressar o nosso agrado ou descontentamento de forma madura e responsável ou estaremos a ir contra os nossos próprios interesses.

Sejamos realistas! Sempre defendi que devemos ter sempre a ambição de ser o quarto grande clube nacional mas não sejamos ingénuos ao ponto de crer que todas as épocas nos correram de feição. Não é assim para ninguém! Não é assim em lado nenhum!

Uma grande obra constrói-se com paciência e perseverança e a nossa história confirma-o. Hoje, somos cerca de 25.000 sócios mas ainda há cerca de doze anos não chegávamos a 12.000.

Já vivemos momentos muito difíceis mas temos um percurso de que nos devemos orgulhar. A recordação do tormento da descida de divisão na época 2005-2006 ainda me faz calafrios mas isso já lá vai. Entretanto, na liderança de Emílio Macedo da Silva regressamos à primeira liga em 2006-2007, alcançamos o 3º lugar (3ª eliminatória da Champions) em 2007-2008, nesta mesma época conquistamos a taça de Portugal em Basquetebol e fomos Campeões Nacionais em Voleibol e em 2008-2009 vencemos a taça de Portugal em Voleibol.

Nesta época, temos já a participação nas competições europeias garantida, disputaremos a final da Taça de Portugal no Jamor e, quero crer, acabaremos o campeonato em 5º lugar. Por isso, caros leitores, tenhamos a sabedoria de perspectivar a nossa acção no tempo devido, rejeitando aquilo que em linguagem técnica da medicina se designa por ejaculação precoce, seja no nosso seio, seja nos clubes rivais…

O confronto de ideias é legítimo e permite encontrar novos caminhos e outras arquitecturas mas o momento é de união e de cerrar fileiras em torno deste nosso Vitória. De resto, como dizia Manuel da Fonseca, “um homem só não vale nada”!

  Categories: