Pedro Miguel Carvalho : VITÓRIA, PRESENTE e FUTURO

VITÓRIA: PRESENTE
VITÓRIA: FUTURO?

Acabada a época futebolística e após final da Taça de Portugal, é chegado o momento de fazer o balanço.

Quem tem lido as minhas crónicas sabe que eu, ao longo da época fui crítico, não só da qualidade do futebol praticado e da qualidade do plantel, mas também, e particularmente, da falta, por parte da Direcção, de um projecto ou pensamento estrutural. Direcção esta que tem apenas uma gestão de cabotagem, que se limita a tomar decisões conjunturais avulsas, sem traçar um rumo para o futuro, nem sequer traça uma meta desportiva e financeira para o presente. Aqui e ali, Emílio Macedo e a sua Direcção, procuraram resolver, com algum empenho reconheça-se, problemas de contabilidade e desportivos – e nalguns (poucos) casos foram bem sucedidos – mas sem colocarem em pratica um projecto estrutural que permita, a médio prazo, o saneamento financeiro e o sucesso desportivo sustentado do Vitória, particularmente no que diz respeito ao futebol profissional. Antes pelo contrário, o passivo aumenta e a qualidade do futebol e do seu plantel diminui de ano para ano.

Nem com o inesperado encaixe e sucesso financeiro da venda de Bebé, nem com a venda – errada na minha opinião – de outros jogadores nucleares, como foi o caso do Ricardo, e como se perspectiva vir a acontecer com outros jogadores, o Vitória foi capaz de equilibrar os seus problemas de tesouraria, sanear as contas, e ter capacidade de ir ao mercado comprar, com critério, jogadores de qualidade, essenciais, conjuntamente com maior investimento na formação, para o sucesso desportivo do Vitória.

Paradigmático, como o já o referi anteriormente, foi o início de época sem se saber quem iam ser os centrais e os jogadores nucleares do meio campo, bem como, fazer uma pré-época sem ter o plantel definido e com mais de uma dezena de caras novas e vários jogadores com continuidade incerta no plantel. História esta que se repetiu e aparentemente se vai repetir novamente.

A derrota humilhante no final da Taça de Portugal não aconteceu por acaso, nem foi reflexo de um dia menos inspirado, mas sim de uma época mal planeada, de um inexistente departamento de futebol profissional, e de um técnico e de uma Direcção sem ambição.

Ver o Vitória a jogar esta época – como pontuais excepções e erros de arbitragem à mistura – foi ver uma equipa sem liderança, apática, sem fio de jogo e alegria, com alguns pontuais bons pormenores, mas dependentes da inspiração do momento de um ou outro jogador, que defendia (mal) mais do que atacava, que jogava essencialmente em contra-ataque e sem colectivo, que se contentava com um golo, e em que eram claras as diferenças qualitativas do plantel.

Com esta Direcção e sem projecto, tanto poderemos fortuitamente ambicionar, num ano, ir à Liga dos Campeões ou no mínimo à Liga Europa, como, no ano seguinte, estaremos muito provavelmente a lutar para não descer.

Alcançamos a Europa mais por demérito dos nossos adversários, do que pelo nosso mérito. E mesmo, no que se refere à Taça de Portugal, é preciso não esquecer que os nossos adversários até à final foram o Malveira, o Portimonense, o Merelinense e a Académica. A realidade é esta, é incontornável, e o facto de o objectivo europeu ter sido alcançado, não pode toldar o mau desempenho da equipa de futebol profissional e o mau desempenho e incapacidade desta Direcção, que demonstrou, a saciedade, não ser capaz de fazer melhor do que fez no presente e no passado (haverá alguns que neste momento, para glorificar a Direcção, lembram as vitórias passadas na Taça de Portugal e no campeonato, respectivamente do basquete e do volei, esquecendo-se que os sócios sabem de quem foi o mérito dessas vitórias).

Poderão alguns dizer que essa é a nossa sina, esse o nosso passado e esse provavelmente o nosso único futuro. O passado é certo, que em maior ou menor grau, assim foi. Agora o futuro não pode ser esse, não nos podemos continuar a agarrar a esse fado, temos que ambicionar mais e trabalhar mais, com profissionalismo, rigor e determinação e com um projecto, em que se faça o diagnóstico da situação do Clube, se definam objectivos e prioridades, se determine os meios a utilizar e se faça a correcta planificação e execução de toda a gestão desportiva e financeira, que nos permita levar o Vitória ao título e ao sucesso desportivo sustentado.

Se assim não for, conforme também já disse e escrevi no passado, continuaremos dependentes da bola, se esta entra ou não, se somos felizes ou não com a escolha do treinador A ou B, do jogador A ou B, ou do árbitro A ou B. Tudo variáveis que interferem no resultado final, é certo, mas que não podem ser as principais condicionantes do nosso trajecto e desempenho, enquanto Clube e enquanto equipa, no caso de futebol profissional (não menosprezando todas as outras modalidades do Clube que têm que fazer parte do mesmo projecto)

Já é um lugar comum dizer que estes sócios merecem mais. Já é um lugar comum dizer que estes são os melhores adeptos de Portugal. Eu acrescento, com estes sócios, e com uma Direcção com a mesma qualidade dos ditos associados, o Vitória é Campeão.

Termino como comecei a minha anterior crónica:

SOMOS O NOSSO PASSADO. O NOSSO PASSADO REFAZ-SE CONSTANTEMENTE NO NOSSO PRESENTE.

ESTÁ NAS NOSSAS MÃOS DEFINIR QUE FUTURO QUEREMOS PARA O CLUBE.

 

  Categories: