A opinião de…

A ASSEMBLEIA GERAL

Na sexta-feira o Vitória vai realizar mais uma assembleia geral de acordo com o previsto nos seus estatutos.

Nos últimos anos, com algumas excepções, as assembleias gerais tem sido a amostra clara da grandeza do clube, por um lado, mas também das suas debilidades internas a que urge dar uma resposta tão rápida quanto eficaz.

Da grandeza porque é invulgar, mesmo nos chamados grandes, uma afluência de sócios interessados na vida do seu clube como acontece normalmente em Guimarães. Com assistências que rondam, frequentemente, os mais de mil participantes.

Mas também amostra de debilidade porque muitas dessas assembleias, especialmente nos últimos dez anos, tem revelado níveis de exaltação e intolerância que não prestigiam o clube nem permitem que se faça o debate tão necessário relativamente ao seu estado. E aí, mesmo percebendo que o que está em causa é uma enorme paixão pelo clube, creio que é necessário fazer um esforço rumo á serenidade e á tolerância.

O Vitória só tem a ganhar com isso!

Sobra a assembleia da próxima sexta feira creio que não será especulativo afirmar que ela será dominada por quatro pontos essenciais:

  • As Contas
  • A proibição de entrada dos jornalistas
  • A retirada da camisola 12
  • O futebol

Sobre esses quatro importantes assuntos, uns mais que outros como é evidente, direi de forma sintética o seguinte:

Tenho alguma dificuldade em falar das contas por razões que são mais que óbvias. Em boa verdade, e sem fazer processos de intenção, é muito difícil perceber onde acaba a veracidade e começa a fantasia dos números apresentados.

Não sabemos as despesas reais, não conhecemos ao pormenor as receitas nomeadamente as referentes á transferência de jogadores (e relativamente á de Bébé mais, e de Assis e Moreno menos, só para o ano constarão do relatórios e contas) e por isso é muito difícil avaliar o rigor deste relatório e contas.

Dele se extraem contudo, e a fazer fé nos números, algumas conclusões:

  • O passivo aumentou em um milhão e meio de euros
  • O valor de quotas, lugares anuais e bilheteira desceu.
  • Os custos diminuíram cerca de meio milhão de euros
  • As receitas diminuíram quase dois milhões e meio de euros.
  • O número de funcionários continua a aumentar sendo quase o dobro do de há 5 anos.
  • As receitas televisivas, pese embora o esperado, não tiveram acréscimo significativo.

São números que traduzem alguma preocupação. Aguardemos, serenamente, as explicações da direcção.

Quanto á proibição da entrada de jornalistas, ao arrepio da boa tradição vitoriana, acho um erro escusadíssimo.

Porque não vai impedir os jornalistas / sócios de entrarem e noticiarem á sua vontade mas vai obrigar os outros a ficarem á porta.

O que acarretará duas consequências:

Má vontade contra o clube a e necessidade de escreverem conforma o que lhe forem soprando ao ouvido.

Abrindo um espaço desnecessário ao boato, a alguma intriga, ao desvirtuamento do que se passa dentro do pavilhão.

E impedindo os vitorianos que não puderem estar presentes de saberem com um mínimo de veracidade o que se passou na A.G. do seu clube.

É um erro.

Que começa logo no facto de a proibição ter sido decidida em plenário dos órgãos sociais! Quando apenas á mesa da assembleia geral compete decidir as regras do seu funcionamento.

Há coisas que, de facto, custam a compreender.

Quanto á retirada da camisola 12 como forma de homenagear os sócios peço desculpa, atendendo até ao papel da AVS na promoção da iniciativa, mas discordo.

Pela simples razão de que não gosto da ideia dos sócios andarem a promover homenagens a si próprios.

Somos bons? Somos!

Somos únicos? Somos!

Somos exemplares na forma como apoiamos o nosso clube? Somos!

Mas então vamos demonstrá-lo jogo a jogo no nosso estádio, no nosso pavilhão, nos recintos dos nossos adversários e não em gestos simbólicos dos quais não vem mal ao mundo, é certo, mas que me parecem desnecessários.

Até porque essa moda de retirar camisolas, importada da NBA, não tem tido grande sucesso no futebol.

Bastará atentar no facto de a Fifa não ter autorizado a Argentina a retira a camisola 10.

Ou de o Brasil continuar a usá-la.

E aí tratava-se de homenagear “apenas” Maradona ou Pélé.

Os melhores jogadores, e são eles que fazem a lenda do futebol, de todos os tempos.

Por isso repito: Não vem mal ao mundo se a camisola 12 for retirada.

Pessoalmente discordo.

Quanto ao futebol, e durante muitos anos era o tema central de todas as A.G, creio que a questão mais interessante terá a ver com as entradas e saídas de jogadores.

Nomeadamente os valores reais da transferência de Bébé, a ida de Custódio para o Braga, ou as relações de amizade com o Benfica que se tem revelado muito pouco interessantes para o Vitória.

Mas tal como os três mosqueteiros eram realmente quatro, também as questões que dominarão a A. G. pareciam ser quatro mas são na realidade cinco.

Porque as divergências entre clube e Câmara, que põe em causa o legítimo direito (e ambição) de expansão do clube, estarão inevitavelmente no centro das atenções.

Até porque, ao contrário do clube do lado de lá da Morreira, o Vitória tem uma História de independência do poder politico e de autonomia decisória dos seus órgãos sociais que não pode nunca ser posta em causa.

Não pode nem deve!

Estamos pois perante uma Assembleia Geral plena de interesse.

Da qual o Vitória deve sair mais forte.

Terão a palavra os sócios!

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