A opinião de…

ASSEMBLEIA GERAL: NECESSIDADE DE NOVO RUMO

Na passada sexta-feira realizou-se mais uma Assembleia Geral do Vitória. Naturalmente este é o tema incontornável desta crónica, sem esquecer a vitória sobre o Portimonense que nos recolocou em terceiro lugar da Liga Zon Sagres a três pontos do Benfica.

Não estive presente por motivos profissionais, pelo que tive que reunir, junto de terceiros – e face à decisão de os órgãos sociais impedirem o acesso à imprensa -, a informação necessária para poder emitir a minha opinião ou comentar qualquer dos pontos discutidos ou as deliberações da assembleia. Naturalmente que, quem ler esta crónica, terá que me perdoar qualquer imprecisão.

O primeiro facto a realçar é ter o Relatório e Contas sido aprovado. Se estivesse presente não teria votado contra, mas teria adoptado a mesma posição de 106 outros sócios que se abstiveram. Só votaria contra se considerasse que o relatório e contas não reflectia a realidade financeira e contabilística do Clube. Não tenho qualquer motivo sério, sem prescindir admitir poder existir alguma cosmética financeira, para considerar que os números não reflectem a realidade do Clube. Posso não concordar com as opções e políticas seguidas por esta Direcção que importaram um aumento do passivo – cerca de 11,5 milhões de euros nesta altura – e uma perda sensível de receita. Mas não é o relatório e contas que traça a estratégia e a política futura do Clube. Não é através deste instrumento que esta Direcção inverteria ou inverterá o rumo seguido já há quatro anos, incapaz de estancar o défice e o constante aumento das despesas e diminuição das receitas.

Contudo, sem prescindir, não deixaria de também de politizar o meu voto, e fazer sentir, com a minha abstenção [não impedindo a aprovação das contas], que o que foi feito pela Direcção até agora não tem o meu aval, e que esta tem de mudar, definir um projecto e traçar um rumo, porque se não o fizer, mesmo com o encaixe financeiro que resultou da venda de Bebé, Nuno Assis, Moreno, Sereno e da rescisão de Paulo Sérgio, não será capaz de equilibrar as contas, e pior que isso, não será capaz de projectar o Vitória no Futuro.

Esse mesmo sinal foi também inequivocamente transmitido – parece-me a única leitura possível apesar de, como sempre, admitir qualquer outra – pela maioria dos sócios presentes (252 dos 426 sócios que participaram na votação, tendo apenas 172 desses sócios votado favoravelmente o relatório e contas, sendo certo que, numa decisãoque aqui não aproveitarei para discutir a legalidade, os próprios órgãos sociais votaram e manifestaram-se favoravelmente em bloco sobre um documento por estes [Direcção] elaborado e apresentado…), que também quiseram demonstrar à Direcção o seu descontentamento pelo rumo (ou falta dele) e por isso politizaram o seu voto – as críticas feitas às contas prenderam-se maioritariamente com opções de gestão do Clube e não com o rigor das contas ou veracidade dos números.

Este sinal manifestado pela maioria dos sócios presentes é o segundo e principal facto a realçar da Assembleia Geral da pretérita sexta-feira, e que no meu entendimento deveria motivar uma reunião dos órgãos sociais para discutirem e analisarem o presente e as opções futuras do Clube. Esta Direcção, com o auxilio dos restantes órgãos sociais – e também de todos os sócios que devem, no meu entender, estar disponíveis para colaborar desde que solicitados para os efeito – tem de interpretar este sinal e aproveitar a oportunidade para, de uma vez por todas – já está há 4 anos à frente dos destinos do Clube –, traçar um rumo para o futuro, definir uma meta desportiva e financeira para o Vitória, planificando e definindo os meios para, de forma sustentada, alcançar esses objectivos a médio prazo.

O terceiro e último facto a realçar é a retirada da camisola 12 como homenagem aos adeptos vitorianos. Alguns criticaram esta proposta, mas eu, neste caso específico concordo com a proposta – e votaria favoravelmente a proposta da Associação Vitória Sempre – uma vez que, mais importante que qualquer jogador, neste ou qualquer outro Clube (mesmo se estivermos a falar dos Maradonas e Pelés), são os seus sócios. E, não sendo eu favorável aos auto-elogios ou as auto-homenagens, achei justa esta homenagem, que deverá ser motivo para lembrar, a todos que em qualquer momento passam pelos órgãos sociais do Clube (onde eu me incluo), que O VITÓRIA É DOS SÓCIOS, OS SÓCIOS SÃO O VITÓRIA!

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