A opinião de…

Da última vez coube-me comentar uma derrota, desta vez, tenho a redobrada oportunidade de comentar uma vitória. Esta vitória.

O jogo revelou pouco, para além do que já venho dizendo.

Um ataque forte, com uma clara referência na área como é o Edgar, com muitas alternativas no banco em qualquer das extremas, em suma, que nos dá garantias. Uma defesa fraca e titubeante, com poucos rins e de muito pontapé para a frente, e um meio-campo defensivo uns furos abaixo daquilo a que estamos habituados. No entanto, uma disposição táctica brilhante, que mesmo sem ovos faz muitas omoletas (defensivamente, entenda-se) porque a verdade é que o Vitória ainda que não tendo um futebol atractivo e de encher o olho, consegue atar os adversários e montar esquemas tácticos que quase impossibilitam que tenhamos jogadas de perigo na nossa área.

E esse mérito tem que ser dado ao Prof. Manuel Machado. De ser o principal responsável pelo percurso da equipa e pela classificação que ainda ostentamos.

Mas mais do que as questões tácticas ou as exibições dos jogadores, pretendia comentar o que houve de adjacente ao jogo. As “outras” questões. As incidências que tornam este jogo uma memória a reter.

Primeira questão: antes do jogo

Retive com particular agrado uma entrevista feita a duas antigas glórias do Vitória e do clube que se nos opunha. Quim Berto do lado do Vitória e Zé Nuno Azevedo do outro lado.

Perguntados sobre as memórias que tinham destes jogos nos seus tempos, respondeu o Quim Berto com um chorrilho de boas recordações, e respondeu o Zé Nuno Azevedo, na sua sincera genuinidade, que “Não tenho grandes recordações destes jogos. Que me recorde, em 12 anos que aqui joguei, nunca me recordo de ter vencido em Guimarães”.

Da nossa parte, agradecemos a sinceridade, que é aliás uma reposição histórica.

Segunda questão: o final imediato do jogo.

Talvez não devesse mas tenho que admitir que aquele medley que foi dispensado aos adversários no final do jogo, aquele autêntico sortido musical que começa com música beduína, passa pelo famoso “apita ao comboio” numa feliz reminiscência do meio de locomoção adoptado pelos adeptos adversários, e termina com um especialmente direccionado hino do Vitoria, versão José Alberto Reis, eu diria que é uma daquelas iniciativas em que até os adversários terão que reconhecer a piada… em que até os adversários, com desportivismo, devem reconhecer a oportunidade e pertinência de uma feliz selecção musical, que muito contribuiu para alegrar (ainda mais!) aquele final de jogo.

Terceira questão: o jogo fora do jogo

Aqui já que me queria debruçar mais um pouco. Até porque, a infelicidade e desonestidade intelectual do treinador e presidente do clube adversário, são de uma dimensão que não podem ser ignoradas. E mais do que isso, o Vitória não pode deixar de condenar e verberar. Até porque uma mentira mil vezes repetida às vezes torna-se verdade, o que não podemos permitir que suceda.

A verdade é que o Vitória foi notoriamente prejudicado pela arbitragem. Uma arbitragem fraca, mas que não se revelou tendenciosa.

1º Há um lance do Lima, um remate perigoso à rede lateral, em claríssimo fora-de-jogo;

2º O golo marcado ao Vitória é em escandalosa posição de fora-de-jogo (sucede que não sofremos nenhum golo nas últimas duas jornadas, embora nos tivessem sido assinalados 3)

3º O Bruno Teles é claramente agredido num lance que não resultou em admoestação ao jogador da agremiação desportiva adversária, que deveria ter sido expulso.

Contra nós reclamam que o nosso golo beneficia de um fora-de-jogo do Ricardo (que não toca na bola, quando as leis são claras em mandar não assinalar fora-de-jogo quando não há interferência no lance) e, pasme-se, que o Alan apenas tocou no peito do João Alves pelo que foi uma expulsão forçada, o que, felizmente, as imagens da televisão tratam de desmentir e até ridicularizar as declarações do treinador do que clube que esta semana derrotamos.

Depois, de entre as poucas palavras cujo nexo consegui perceber das declarações do presidente do clube adversário, parece que também se queixava de falta de coragem do árbitro, porque no início teria dito que interromperia o jogo imediatamente “se houvesse atiragem (sic) de bolas de golfe para o relvado

As declarações do treinador nem merecem comentários, pela dimensão ridícula extravasar qualquer capacidade argumentativa.

Mas as do presidente do clube que, mais uma vez, derrotamos, já têm outra dimensão. Percebo realmente que ele se queixe da falta de coragem do árbitro em “acabar com o jogo” como, pelos vistos, ele tinha prometido que faria. E mais percebo a vontade do presidente Salvador em que o árbitro cumprisse essa promessa, até porque quem viu o jogo percebeu que essa seria a única forma de que o clube que contra nós jogou não sair derrotado. E o seu presidente, visionário, também o viu. E por o ter visto tanto desejou que o árbitro tivesse cumprido a sua promessa e acabasse com o jogo à primeira “atiragem”, e consequente aterragem, de bolas de golfe no relvado; foi tudo, como ele disse, uma questão de falta de coragem.

Não fora isto em prosa e dava para fazer bons versos em torno desta temática da “atiragem”. Um poeta este Salvador.

Claro está que nenhum destes oradores se recorda do jogo do ano passado.

Em que assinalaram um penalti a nosso favor na 1ª parte, que depois de assinalado, nos é retirado por artes mágicas.

Em que se inventa um penalti contra o Vitória, por uma bola que bate na barreira num livre (o árbitro viu mão do Andrezinho, com o braço à frente do peito).

Em que se inventa um segundo penalti num lance que é falta do Valdomiro, mas que começa mais de 5 metros fora da área.

E em que, já nos descontos, quando o Renteria escorrega dentro da área sem nenhum jogador do Vitória num raio de 3 metros dele, nos assinalam um terceiro penalti, com o qual, finalmente, nos conseguiram derrotar.

Houvera um milímetro de vergonha – não seria preciso mais – ou de sentido de ridículo nas pessoas que proferiram estas declarações no final do jogo e ter-se-iam coibido de se prestarem à triste figura que aqui desempenharam. Realmente, depois de um jogo como este que tem apenas meses, em que os protagonistas (presidente e treinador) da parte deste adversário eram os mesmos, que foi um dos maiores “roubos” (permitam-me a expressão) de que há memória no futebol moderno (onde se inclui todo o século XX), terem a coragem para se virem queixar de uma arbitragem que, por fraca, ainda prejudicou mais o Vitória que o derrotado deste fim-de-semana, é preciso não haver um mínimo de sentido de responsabilidade e equilíbrio nas declarações públicas. Vale tudo!

Agora o Vitória, e por aqui termino, não pode é permitir de forma nenhuma que comece a perpassar a ideia que já vai passando a quem não analisa estas questões com a devida profundidade, de que estamos em 2º lugar porque temos sido “levados ao colo”, de que as arbitragens nos têm beneficiado generalizadamente, porque isso, para além de extremamente injusto por não poder estar mais longe da realidade, nos pode tornar num alvo a abater neste particular.

E isso, não podemos permitir. Os nossos dirigentes não o podem permitir.

Pelo que, para além da brincadeira e boa disposição que resulta deste resultado e toda a sua envolvência, interessa estar atento a este efeito, que temos que impedir. Por injusto e por nos poder ser prejudicial.

André Coelho Lima
Sócio nº 3181

  Categories: