A Orquestra Dos Trapalhões! Vitória 2-1 Midtjylland [FOTOS]

Foi uma verdadeira ode aos trapalhões, o que se presenciou esta noite no D.Afonso Henriques!

Na verdade, quer os atletas do Vitória, quer o seu treinador optaram por assumir uma postura trapalhona que quase comprometia o sucesso numa eliminatória que tudo tinha para ser tranquila…não foi e por culpa própria!

Optando por utilizar um 4-4-2 losango, com El-Adoua no vértice mais recuado, com o uruguaio Barrientos no mais avançado e com Renan a interior direito e Pedro Mendes a esquerdo, o meio campo branquinho na primeira metade compôs o hino da sinfonia da trapalhada! E com Faouzi, a segundo avançado, no apoio a Edgar, rapidamente se descobriu o maestro e o barítono de tão insigne orquestra!

Porém, o início fazia prever outro tipo de espectáculo…com a clarividência e capacidade técnica do uruguaio contratado ao Racing de Montevideo e a força física de El-Adoua a recuperar o esférico, tudo parecia encaminhar-se para uma sinfonia melodiosa… porém, tal seria Sol de pouca dura e lentamente a orquestra começaria a desafinar.

Com Pedro Mendes e Renan, por incapacidade física, impossibilitados de dar a amplitude necessária aos vértices laterais do losango e de ajudar El-Adoua na recuperação de bola e com Barrientos a fazer de semáforo, tanto acendendo-se como apagando-se, o Vitória começou a eclipsar-se do jogo…e com Faouzi a assumir o papel de joker na orquestra, tal a falta de clarividências nas opções a tomar, optando sempre pela errada, vislumbrava-se a dificuldade de encantar!

E quando, o Vitória só já conseguia fazer transições em contra-ataque, sendo que os maestros mostravam-se incapazes  de pegar na batuta, o concerto desta (pouco) melodiosa banda, ainda, sofreu um contratempo maior…na verdade, o golo dos dinamarqueses, na sequência de um canto com clamorosa falha de marcação da defensiva vitoriana, confirmou que os intérpretes tinham ensaiado mal a sua posição na orquestra!

Calava-se o público… o Afonso Henriques transformava-se no Scala de Milano, em dia de estreia, tal o silêncio que das bancadas provinha…e os (dois!) clamorosos falhanços do inenarrável Faouzi, serviriam apenas para apupar os artistas, sendo que, por estes momentos, a falta de rapidez de Pedro Mendes e Renan, totalmente encostados nas alas distendendo e deformando o losango, a pouca ortodoxia de N`Diaye, ajudavam a que o cenário ficasse assustador!

Porém, como às vezes sucede, o joker da banda assumiu o papel principal, demonstrando que sem ela a mesma não tem o mesmo encantamento… em Guimarães, hoje, sucedeu tal asserção, quando Barrientos centrou, milimetricamente, para a cabeça de Faouzi que, num segundo, passou de proscrito a ídolo… e os nove mil fiéis voltaram a acreditar num final feliz para a orquestra vitoriana…e o concerto dos trapalhões chegava ao intervalo, sem ter atingido a rendição dos fãs!

Na segunda metade, o homem da batuta, Manuel Machado decidiu intervir na desorganização… tirando Pedro Mendes, muito longe das condições físicas aceitáveis para a alta competição, e introduzindo na orquestra, a verdadeira estrela da companhia, Toscano! Mas, porém, mesmo com  o acerto dos nomes, errou na colocação dos intérpretes, já que apostando no brasileiro a extremo direito cerceava-lhe o génio criativo e demonstrava que não pretendia números de improviso… essa liberdade criativa só chegaria com a introdução de Targino na ala e a colocação do brasileiro no centro.

E o Vitória, apesar de mais dominador, não conseguia penetrar no último reduto dinamarquês… Edgar, incapaz de tocar melodiosamente o violino que tinha nas mãos demonstrava que uns meros ferrinhos se lhe ajustavam melhor, tal a falta de capacidade em rematar, em segurar um bola, em pressionar um defesa, em interagir com os colegas!

E aos poucos, o desespero ia tomando conta dos fãs…e piores ficariam quando Manuel  Machado resolveu tirar o seu melhor solista até aquele momentoBarrientos dava lugar a Targino, que apesar de incendiar os palcos e as tribunas com o seu arrebatamento, mostra-se sempre atrapalhado com o instrumento… Machado, o homem da batuta, era, estrondosamente, apupado e demonstrava que, apesar do falhanço, pretendia não arriscar tudo… faltavam, sensivelmente, quinze minutos para o fim do jogo!

Porém, num golpe de sorte, mas merecido, pois apesar da falta de esclarecimento os artistas demonstraram empenho surgiria o golo da Vitória… num lance, como não podia deixar de ser, atrapalhado, com bolas rematadas, desviadas para o poste, até ir ter com o pé de Targino que se limitou a empurrá-la para as redes desertas!

O Vitória entrava no caminho certo e em contra-ataque poderia ter mesmo ampliado a vantagem…sublime passe de Toscano e o joker da corte a querer enfeitar o lance, quando poderia fintar o guardião contrário e marcar o golo do modo que pretendesse…a  bola saíria por cima e os vitorianos haveriam de sofrer mais uns minutos!

Porém, como nas fábulas, tudo acabaria em bem… a orquestra saíria em ombros, apesar do desafinanço em muitas notas… porém, fica a certeza que para arrebatar outros palcos é necessária transformar a orquestra dos trapalhões numa de virtuosos…Assim seja!

[FOTOS AVS]