A Pobreza do Futebol [FOTOS]

Manuel Machado referiu-se, no flash-interview, que a derrota, já, sobejamente conhecida desta noite, frente à Naval por duas bolas a uma deveu-se, principalmente, à riqueza do futebol.

Nada mais errado … tal deveu-se, essencialmente, ao inverso de tal asserção!

Com efeito, hoje o Vitória retratou na plenitude o que mais de paupérrimo pode ter uma equipa de futebol, já que a sua exibição assemelhou-se a uma apresentação trágico-cómica de um conjunto de bons rapazes e que nem encenador da peça foi merecedor de qualquer elogio.

Efectivamente, apesar do golo madrugador de João Alves que, enquanto teve capacidade física, foi dos melhores, o Vitória nunca assumiu o desafio com a vontade de vencer necessária a tal resolução.

Apresentando um sistema de 4*4*2 losango, com Toscano nas costas dos avançados Douglas e Edgar, as intenções pareciam ser as melhores… e mesmos os interiores – aqueles que o treinador declarou serem meras soluções de recurso atendendo às lacunas do plantel – assumiriam papel preponderante nessa declaração de propósitos com Alves a apontar o sobredito golo e Edson a dotar a equipa de equilíbrio.

Porém, não obstante isso já se anteviam algumas lacunas que haveriam de custar caro… Deste modo, desde o início do desafio, Cléber recuava em demasia, propiciando que Haw e Godméche ganhassem espaço para apoiarem o tridente ofensivo, o que causava, óbvios engulhos ao último reduto vitoriano; problema, esse, que jamais se haveria de resolver e, conjuntamente com uma série de decisões incompreensíveis do treinador, haveriam de ter papel decisivo no desenlace do desafio.

Porém, até ao minuto 41 tal questão, levantou-se com pouca acuidade… até que Edson lesionou-se com extrema gravidade. Se é verdade que o brasileiro nos últimos desafios se tem mostrado pouco resolutivo no ataque, pautando o seu movimento de transição por extrema lentidão, a verdade é que defensivamente, e mesmo quase sem se notar, tem dotado o onze de um equilíbrio que tem ajudado a disfarçar as múltiplas carências físicas e técnicas de Cléber. Com a lesão do brasileiro, Machado optou por apostar num homem de ala, Maranhão.

Além disso, simultaneamente, entraria em jogo, o marroquino Faouzi, substituindo Douglas. O Vitória entrava para a segunda metade a vencer e num sistema de 4*2*3*1, e dando a entender que no banco não existiam soluções para manter o meio campo sólido.

Efectivamente, qual a equipa que a vencer ao intervalo, se vê na contingência de mudar o sistema táctico, por um dos seus homens da zona medular se lesionar? Pois bem, essa equipa é o Vitória e é fruto dos desequilíbrios com que o seu plantel foi elaborado. Além da alteração táctica, a entrada de Faouzi voltou a demonstrar e a confirmar que o africano não é jogador para este nível…lento, inconsequente e individualista, arruinou inúmeras jogadas.

E desconhecem-se os motivos da não convocação de João Ribeiro e Targinos, ostracizados para a bancada e concomitantemente preteridos em detrimento da inexperiência e incapacidade futebolística do citado…

Porém, até estes erros de avaliação seriam irrelevantes, caso os onze elementos da equipa houvessem sabido segurar a vantagem da primeira metade. Contudo, revelar-se-iam primordiais no decurso da partida.

O Vitória até pareceu ter o jogo sob controlo, quando Carlitos foi expulso por impedir Edgar de ir para o golo quando já se encontrava isolado perante Salin… Porém, tal seria o canto do cisne dos branquinhos, que frente a dez expuseram-se ao ridículo…

Na verdade, a quem passaria pela cabeça que frente ao último classificado e com, apenas, dez homens tal escândalo acontecesse?

A equipa desuniu-se… partiu-se, recuando no terreno e deixando o quarteto ofensivo abandonado à sua sorte.Ademais, com João Alves esgotado fisicamente e Cléber a velocidade de cruzeiro, tudo se desmoronou… e a grande penalidade, alegadamente, cometida por Bruno Teles demonstrou que além de esgotamento físico e técnico, os vimaranenses entravam em esgotamento psicológico!

Uma grande penalidade, efectivamente, muito duvidosa, em mais uma decisão a prejudicar o Vitória e que deverá ter igual tratamento a outras situações ocorridas esta época: um silêncio ensurdecedor por parte de quem foi mandatado para defender os superiores interesses do clube… até aqui, o clube é pobre, não tendo um elemento que o defenda, que erga a voz, que reivindique…

Com o jogo, incrivelmente, empatado a um, Machado no banco, toma mais uma decisão no mínimo inusitada… retira do jogo Bruno Teles, muitos furos abaixo do que já fez este ano, e introduz em liça o avançado William. Quando já tinha quatro homens de declarada tracção dianteira, resolve tirar um lateral e introduzir mais um dianteiro. Faouzi passou a fazer todo o flanco esquerdo e a equipa ficou, definitivamente partida, com Cléber em palpos de aranha para fazer frente à maior compleição física dos figueirenses.

Inacreditável, quando no banco ficou um homem como Rui Miguel, capaz de ligar o jogo e fazer girar a bola, abrindo brechas no último reduto. Assim com esta aposta, a única solução passou a ser o pontapé pela frente, já que como é consabido, desde a saída de Nuno Assis, o único playmaker do plantel é o beirão e Toscano um terrível e dispendioso erro de casting, mas que tem merecido, injustificadamente, todas as oportunidades.

Por ironia, num lance em que o brasileiro sofreu falta não apitada, em mais uma decisão errada de Bruno Esteves que prejudicou, sempre, o Vitória quando disso teve oportunidade, a bola acabou no flanco esquerdo. Com a ausência de Bruno Teles e a ineptidão declarada de Faouzi em desempenhar a posição, o extremo figueirense pôde colocar o esférico na área.

Ricardo, ainda, cortaria o lance, mas para a entrada da área, onde Marinho livre de qualquer marcação, fuzilaria Nilson. Mostrava-se do modo mais doloroso possível que a retirada do lateral fora uma acção kamikaze. Mostrava-se que Faouzi não tem estofo, nem capacidade para integrar os quadros de uma equipa com as ambições do Vitória. Mostrava-se que a negligência em deixar os dois médios, Cléber e João Alves, em campo fora um tremendo erro, atendendo à situação física de ambos. Mostrava-se que, para além da supra referida saída de Teles, a substituição ao intervalo fora um acto de má gestão e a concomitante alteração táctica um erro impróprio de um treinador de IV Nível.

E com tantas constatações, a Naval estava em vantagem e o Vitória sem ninguém capaz de pensar e organizar o jogo, limitar-se-ia a bombear bolas para a área, à espera do milagre que não aconteceria!

O jogo chegava ao fim com o Vitória demonstrando uma gritante incapacidade em criar oportunidades de golo perante o último classificado, denotando lacunas inaceitáveis neste estado da competição.

Ademais, mais uma vez prejudicado pela equipa de arbitragem, que já se sabe sairá impune por tamanha demonstração de incompetência, já que NINGUÉM se queixará de ter sido novamente espoliado, demonstrando uma absoluta resignação pelo fado da equipa!

Assim, como já dissemos no início desta linhas, é a pobreza do futebol no seu máximo esplendor…e lamenta-se que assim seja!

FOTOS AVS