Alfredo Magalhães: O Fim Último das Coisas

 


Caros leitores, neste período morno, tenho ouvido e lido comentários de todas as cores – mais das cinzentas, confesso – acerca da prestação do nosso Vitória, nesta finda época de 2010/11. A mim parece-me certo que o estado de alma dos Vitorianos carrega o peso do desfecho do jogo da Final da Taça de Portugal.  Perdemos… 2-6! Por cada golo do Vitória, o nosso oponente marcou três… Eu não hesito em afirmar que tivemos quase tudo na mão mas que não fomos eficazes! E regressamos a casa muito tristes e frustrados.

O mesmo sentimento, com certeza, tiveram milhares de adeptos do Manchester United, no final do jogo no Wembley Stadium, contra o Barcelona. Tal como no Jamor, por cada golo do derrotado, três do vencedor…!

Não resisti a perscrutar alguma blogosfera e rapidamente confirmei a suspeita: como apenas alguns clubes ganham as competições e a maioria perde-as, abundam as criticas, diria Monsieur la Palisse. Com muita ou pouca tristeza ou desilusão, há uma maioria que sofre. Mas se a realidade é esta e não outra, por que raio sofremos nós pelo nosso Vitória? Porque não escolhemos, tal como muitos, o caminho mais fácil de optar por um clube que melhor se posicione nas tabelas estatísticas? Qual o fim útil desta escolha?

Meus caros leitores e amigos, a escolha é por nós próprios! É pela nossa identidade e pela nossa diferenciação! É pelo orgulho no nosso espírito de luta e perseverança… e, porque não somos masoquistas, é pela alegria da competição e do convívio. É isso que nos torna especiais, talvez únicos, e é por isso mesmo que sempre ouvi, por onde tenho passado, grandes elogios ao Vitória. E isto é o que não podemos perder de vista e que temos de preservar sempre.

É claro que é necessário haver ambição, muita ambição! Temos de jogar para ganhar, devemos desejar títulos e taças. Mas antes de tudo temos de ser responsáveis e dignos da sabedoria que nos foi legada.

Neste período difícil em que todos vivemos, empresas e famílias, ninguém está imune ao risco. As empresas, se não vendem, não investem em publicidade na TV ou nos clubes. As famílias, sem recursos, apertam os seus orçamentos. Os bancos, sem liquidez, já não financiam as empresas e, muito menos, o futebol. Enfim, há um circulo vicioso que aperta e que recomenda toda a prudência, porque é real, de facto, para muitos, a ameaça de deixarem de existir. Por isso, caros leitores, rejeito todo o tipo de comentários ou críticas do lado cinzento pardo, que mais não são que verdadeiras revelações de agendas pessoais ou frustração. Por isso, rejeito as perspectivas de curto prazo e críticas destrutivas e defendo a estabilidade governativa e aqueles que, democraticamente eleitos, abnegadamente, em minha opinião, zelam pelo interesse de todos nós, tantas vezes com prejuízo das suas vidas pessoais.

Sempre defendi que devemos perseguir a excelência como um primeiro objectivo e, por isso, novas visões e novos projectos deverão ser sempre acolhidos. Mas que se apresentem com sentido de responsabilidade e adequada credibilidade. Compreendo e aceito a energia e o inconformismo dos mais jovens nos momentos de frustração. Provei-o durante mais de trinta anos, enquanto professor. Não aceito, contudo, e acho mesmo perigoso, que essa mesma frustração seja determinante ou acabe por condicionar os destinos do nosso Vitória.  Recordemos sempre o chavão, caros leitores, ninguém é perfeito.

PS – Um último sinal e para que conste –  o Senhor Presidente da Câmara de Guimarães recusou-se a aprovar, em reunião de Câmara, um voto de felicidades para o Vitória no jogo da Final da Taça de Portugal, acusando o proponente de tal voto de oportunismo político. Todavia, como todo o País viu, o edil e seus “súbditos” não deixaram de marcar presença na Tribuna do Jamor. Oportunismo político…?!

Alfredo Magalhães
Sócio nº 1580

 

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