Alfredo Magalhães – “O VITÓRIA SOMOS NÓS “

“O VITÓRIA SOMOS NÓS “

Antes de mais quero agradecer à Associação VitóriaSempre a oportunidade de poder continuar a escrever para os caros leitores que, como nós, mantêm a paixão pelo nosso VITÓRIA, apesar das vicissitudes que todos conhecemos.

Quero também estender uma palavra amiga a todos aqueles que, das mais variadas formas, me fizeram chegar carinhosas felicitações pelo sucesso das Conferências Vitorianas e dizer-lhes que o trabalho desenvolvido foi colectivo, fruto de um grupo coeso que, de modo desinteressado, dedicou muitas horas para aglutinar um conjunto de pessoas, desde conferencistas a moderadores que proporcionaram aos participantes um debate que, discorde-se ou não da temática, marcará de forma indelével a história do nosso VITÓRIA. Não ficaria de bem com a minha consciência se não mencionasse o Director Geral do Vitória Sport Clube, João Martins, o Vice-Presidente do Conselho Fiscal, Raúl Rocha, o Vogal do Conselho de Jurisdição, Artur Bastardo, e a Vogal da Assembleia Geral, Teresa Fontes, todos membros, comigo, da Comissão Executiva das Conferências Vitorianas. Por fim, e os últimos são os primeiros, é imperioso realçar o excelente trabalho do Conselho Vitoriano que, desde o início das suas funções, construiu e desenvolveu esta ideia para que este desiderato fosse alcançado.

Mas tudo terá sido em vão se não tivermos sido capazes de deixar uma nota embrionária que faça despertar as consciências para a realidade – o VITÓRIA, caros leitores e amigos, não poderá, jamais, continuar a ser gerido segundo os princípios do voluntarismo que agita a bandeira do “amor eterno ao clube” ou do homem abastado ou providencial. O amadorismo, eivado de algum aventureirismo, tolhido pela ânsia da visão de curto prazo, é avesso à construção de uma perspectiva estratégica, essencial ao sucesso de qualquer actividade moderna e competitiva.

Hoje, o futebol é considerado um sector estratégico por diversas instâncias europeias e é percepcionado como uma importante e complexa actividade de relevo para as economias das cidades e dos países. Manter-se a ilusão de que um clube moderno, ambicioso e responsável pode ser gerido sem uma liderança preparada e competente, suportada numa estrutura de governação estável e organizada, é caminhar para o suicídio.

Tal como o país, também nós estamos a viver uma crise que nos pode fazer mergulhar na indignação e na raiva sem nos questionarmos se a fúria, ainda que legítima, será a atitude razoável, aconselhável, útil. Como a história nos mostra, as crises existem e são recorrentes. Mas são, também, um sinal inequívoco de que é chegado o momento de questionar o paradigma e de mudar de vida.

Convém não cair na tentação de simplificar a análise, correndo a apontar o dedo a alguém, na ilusão de que, expurgando ou substituindo o responsável, está resolvido o problema que desencadeou a crise. Porque uma coisa é conhecermos o protagonista de determinado momento da história e uma outra, bem diferente, é conhecermos as engrenagens que o levaram a agir como agiu. E é aqui que devemos centrar as nossas atenções, caros leitores. A manterem-se as ditas engrenagens, as próximas lideranças continuarão a perder-se na miopia do curto prazo.

Não o afirmo para defender a absolvição de ninguém. Digo-o porque sei que só mudando os mecanismos actuais garantiremos o nosso futuro. Repito-o porque sobre esses mecanismos que compõem o nosso modelo só nós podemos agir, porque, enfim, as engrenagens somos todos nós, os sócios do VITÓRIA.

Como disse atrás, caros leitores, não é meu propósito absolver ninguém, mas é justo que tenhamos memória e que saibamos distinguir o essencial do acessório – o actual Presidente do Vitória mostrou sensatez e sentido de responsabilidade ao afirmar, categoricamente, que, até finais deste mês, resolverá grande parte do passivo do clube. E disse mais – depois desta operação, os sócios escolherão, livremente, o rumo a seguir.

E o rumo é cumprirmos o nosso papel de vitorianos. É promovermos um REFERENDO, para exprimirmos com verdade o que pretendemos. Isto, independentemente das últimas notícias vindas a público referirem a possibilidade do Governo vir a legislar sobre a eventual obrigatoriedade dos clubes profissionais se tornarem SAD´s ou SDUQ`s..

A partir daqui, caros leitores e amigos, tudo será mais fácil. Os projectos, a visão estratégica, a verdadeira liderança e a capacidade de gestão surgirão, porque o VITÓRIA é muito grande e, consequentemente, muito apetecível, não tenham dúvidas!

Um excelente Ano para todos.

VIVA O VITÓRIA!

Alfredo Magalhães
Sócio nº 1580

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