Análise Do Defeso…Um Mero Retrato da Realidade!

Em Guimarães, os efeitos da recessão que vão cerceando os desígnios do mundo fizeram-se sentir, de modo visível, na política aquisitiva do Vitória SC.

Com efeito, a equipa base da temporada 2011/12 sofreu uma verdadeira sangria, tendente à diminuição de custos com a mesma, de modo, segundo as palavras dos actuais dirigentes, estancarem a política suicida encetada por Emílio Macedo da Silva e que fez perigar seriamente o futuro de um clube prestes a tornar-se nonagenário.

Na verdade, no seguimento dessa política de contenção, os dignitários do clube assumiram uma nova ideologia: libertação dos pesos pesados demasiado onerosos para os depauperados cofres do clube e aposta em atletas que poderão no futuro ser rentabilizados, permitindo encaixes financeiros que paguem dívidas, que consolidem orçamentos, que garantam a independência e solvência financeira.

Atendendo a isso, não foi de estranhar a partida dos atletas mais carismáticos do clube, verdadeiros embaixadores da mística vitoriana e dilectos representantes de uma filosofia em que qualquer adepto se via representado. Falamos do guardião Nilson – sete épocas ao serviço do clube -,  do central João Paulo – o baluarte do último reduto vitoriano -, de João Alves – capitão de equipa – ,dos emblemáticos Pedro Mendes e Nuno Assis – verdadeiros ídolos de todos os vitorianos – , do goleador Edgar que partiu rumo aos petrodólares sem nada em troco para o clube e dos enigmáticos Paulo Sérgio e Molina que nunca demonstraram a razão para terem sido escolhidos para envergar a camisola do Rei.

Além de todas estas pedras basilares no esquema de Rui Vitória, o esqueleto do plantel foi, ainda, abalado pela não renovação de Anderson Santana que se encontrava em conflito com Rui Vitória e da confirmação que Tiago Targino, bem como Faouzi, eram proscritos no plantel .

Com tamanha sangria e sem dinheiro para colmatar tais baixas, Júlio Mendes e seus pares optaram por apostar nos jovens que, de um modo ou de outro, haveriam de integrar os quadros vitorianos, nem que fosse na equipa B.  Assim, o início do defeso haveria de ficar marcado pelo regresso de homens como Paulo Oliveira, Vítor Bastos, Kaká, Josué, Bruno Alves, Diogo Lamelas, Marco Matias, Tiago Rodrigues, entre outros que para além de integrarem o projecto da nova equipa, desde cedo tiveram a certeza que a qualquer momento poderiam ser pedras basilares na equipa principal. Além destes, o Vitória SC resolver repescar os repescados João Ribeiro e Siaka Bamba no intuito de, após o empréstimo que foram objecto, regressassem mais jogadores.

Porém, tal não sendo suficiente, a aposta para colmatar as pechas do plantel haveria de recair em jovens com algumas provas dadas nos escalões jovens e com potencialidades para virem a ser transaccionados num futuro que se anseia próximo. Assim, o primeiro a chegar seria o poveiro André André, desejoso de seguir as pisadas do pai.

Após a chegada deste, Rui Vitória pôde começar a ensaiar o onze com que começou a atacar o campeonato e que tem sido o seguinte:

Douglas; João Amorim (que seria substituído por Alex); Defendi, N´Diaye e Bruno Teles; El Adoua, André, Barrientos; Ricardo; Soudani e Toscano.

Porém, com o decorrer do período de transferências, haveria de chegar uma das surpresas deste período. O presidente do clube anunciava um acordo com o Chelsea e por empréstimo haveriam de chegar os promissores – que até agora, não confirmaram tal estatuto -Matej Delac e Milan Lalkovic. O primeiro, um espadaúdo guardião croata tido como grande esperança no seu país e o segundo um atacante eslovaco internacional em todos os escalões jovens do seu país. Porém, desde a sua chegada, que Rui Vitoria demonstrou que não seriam as suas primeiras escolhas.

Mas, não obstante isso, detectavam-se claras lacunas no plantel. O lateral esquerdo, Bruno Teles, não tinha concorrência à altura e o goleador Soudani não tinha ninguém para lhe cobiçar o lugar, ou pelo menos substitui-lo, ainda para mais em ano de CAN. Desse modo, a pugna para arranjar quem garantisse alguma tranquilidade em caso de malogro dos indiscutíveis titulares ocupou todo o período de transferências, sendo só resolvido hoje definitivamente.

Assim, se Amido Baldé, um jovem guineense proveniente do Sporting, foi recrutado com o intuito de ser a garantia de golos quando Soudano estiver impedido, hoje foi o ganês Addy que foi apresentado, ambicionando demonstrar em Guimarães. o que não conseguiu mostrar no Porto ou em Coimbra.

Entretanto, com a lesão de João Amorim, com paragem estimada por longo período, o Vitória haveria de garantir o promissor lateral direito ao Sporting, João Gonçalves, que será o concorrente de Alex ao lugar.

Com tais escolhas, o plantel entrou no rumo do realismo… o Vitória voltou a ser um clube que pretende funcionar como plataforma de lançamento de jogadores. Acabaram-se os desmandos de estrelas decadentes pagas a peso de ouro para nenhuma rentabilidade, quer financeira quer desportiva, acabaram-se as transferências milionárias para um clube à dimensão do Vitória SC e acabou-se a mentalidade tacanha de querer ser igual ao vizinho sem ter como e acabou-se a utopia.

O Vitória, deste ano, vai querer ser realista, procurando garantir um futuro tranquilo, mas sempre ambicioso… mas, no fundo, a vida, também não é assim?