Artigo de Opinião – Leis de circunstância!

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@ zerozero.pt

Bastões erigidos, balas disparadas pela facilidade das leis de circunstância, leis escritas pela opinião de quem fala, sem saber falar, de quem viu, sem alguma coisa ver, de quem sorri para a câmara com o hálito putrefacto da mentira, o bafo de quem escreve com tinta azul, mas que poderia ser vermelha ou verde, a tinta de quem liberta um bafejo de terror, ou melhor, de “caganço”, por aqueles que crescem, e continuam a crescer com passos próprios, sem muletas ou bengalas, sem favores ou padrinhos. São vozes podres que nada sabem, nada sentem, nada entendem do real amor timbrado a ferro e fogo. E como se explica alguma coisa, a quem não sabe nada, a quem nada sente?

De cachecol do Rei no pescoço, símbolo tatuado no interior da pele, os pulmões gastos, as gargantas em dor, as vozes que gritam, que sangram e que cospem as entranhas até que o grito seja sopro vazio, seja corpo sem réstia de força escondida. Sem nada. Nada de nada. Seja, apenas, invólucro vazio, âmago arrancado pela vontade, pela ânsia do querer, da força que nos ocupa e que nos acelera o sangue. É o esforço do amor, da revolta, dos muitos anos calcados e recalcados, dos roubos surdos de quem assobia para ar e finge não ver, do ódio indisciplinado e medíocre da mais podre, e da mais maldita condição humana, a inveja. E como se explica alguma coisa, a quem não sabe nada, a quem nada sente?

Circo montado nesta alta-roda de palhaços chorões que têm a plateia à espera. Os jornais contam os patacos, os comentadores omnipresentes, que tudo sabem, tudo vêm, acrescentam palavras novas ao léxico, a brilhantina no cabelo gosmento, os sorrisos amarelos de quem chora para a câmara, de quem anda com cu empinado, à espera de alguma coisa, habituados a falarem sozinhos, sem contradições, fabricando moinhos de vento, novos mártires, aos quais podem bater à vontade sem que ninguém levante a voz. E choram, ao primeiro impacto, choram, choram perante a única e real força fora do sistema tripartido. E como choram. E como gosto de os ver chorar.

Artigo de Opinião: Fernando André Gonçalves

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