Atlético Madrid 2-0 Vitória…Dolorosamente Previsível!

O Vitória foi esta noite derrotado em Madrid, pelo Atlético local, por dois golos sem resposta, obtidos pelo substituto Elias, que houvera começado o desafio no banco de suplentes.

E quer se queira, quer não, desde o fim da pretérita época se antevia que o Vitória iria ter dificuldades em atingir a fase de grupos da Liga Europa… e só o sentido acrítico que, actualmente, vai tolhendo muitos vitorianos, permite a que todos vão caminhando e rindo, maquilhando as derrotas, com uns toques mais ou menos bonitos e apontando o dedo a quem procura denunciar – o muito! – que vai mal no Vitória, como desestabilizadores ou, então, meramente, jovens exuberantes!

Mas, a verdade é que perante um Atlético Madrid de nível lilliputiano, este Vitória demonstrou-se incapaz de fazer reviver os corajosos homens que empreenderam a epopeia de 87, silenciando o Caldéron… estes, foram, – talvez a imagem de todos os que estão acima deles na pirâmide hierárquica – uma equipa  encolhida, demasiado servil e incapaz de demonstrar uma centelha de coragem para afrontar um clube que no campo – e se fosse defrontado de igual para igual – se revelou da igualha do Vitória, mas que, para mal dos pecados dos homens que dizem descendentes do Conquistador, têm um orçamento incomensuravelmente superior aos homens de Guimarães e esse tem sido um dos argumentos mais recorrentes por estas bandas para justificar derrotas… mas se assim é, como vitorianos, exigimos vinte e quatro vitórias no campeonato que se avizinha… onze perante os ainda mais tesos do que nós e vitórias sobre o eterno rival, que apesar de mais endinheirado, é rival…

E esse azar, pode ter explicado, tamanho medo, excessivo receio, pois mesmo quando Targino podia ter dado um rumo diametralmente distinto à eliminatória, abrindo o activo, a bola, caprichosamente, esbarrou no poste, gorando-se a melhor oportunidade, até então, de toda a partida… diabruras de um poste de uma equipa de muitos milhões que devem ter telecomando…

Minutos antes, já João Paulo, até aí o verdadeiro esteio da defesa branquinha, houvera sido expulso por entrada violenta a meio do meio campo colchonero! De uma jogada, aparentemente, inofensiva, surgiria a chave do jogo, ainda que Targino tenha falhado a oportunidade supra mencionada. El Adoua recuou para central ao lado de N’ Diaye, e foi a tormenta em forma de jogo, tornando-se a defesa do Vitória um autêntico passador. Na direita, Alex avinha-se com o recém entrado, Elias, e demonstrava que não se encontra com ritmo com estas andanças, permitindo ao brasileiro liberdade total de movimentos para facturar ambos os golos que sentenciaria o resultado final da contenda.

E, após tais momentos, quase de rajada, o Atlético saciado e seguro pelos factos descansou e terá respirado de alívio…jamais terá pensado que esta equipa que hoje entrou no Caldéron era  a descendente de uma que, vinte e cinco anos atrás, despoletou uma crise directiva através da sua eliminação, permitindo o inolvidável Gil y Gil atingir o poder.

Hoje e nos últimos tempos, doa a quem doer, o Vitória é uma caricatura dessa equipa orgulhosa, de espírito combativo e que se agigantava perante qualquer adversário… passou, e isso viu-se hoje e nos embates contra o Porto, a equipa receosa, subserviente, mas também, sem soluções… Como é possível começar a preparar uma época a 23 de Maio de 2011 e, hoje a 18 de Agosto, passados, quase, três meses, ainda, não ter garantido o ponta de lança desejado? Como é possível, passados esses três meses, ter de recorrer a um médio ofensivo para desempenhar a posição? Como é possível não ter um pivot defensivo no plantel, tendo que adaptar um central? Como é possível, e se Tony não conta para Manuel Machado, não ter um lateral que supra as carências físicas de Alex? Como é possível, apresentar o maior orçamento da história e ter o principal goleador da época passada – quer se goste dele, quer não – a treinar sem poder jogar à espera que uma alma caridosa ofereça alguns tostões por ele para rapidamente o vender? Como foi possível vender Rui Miguel sem sequer garantir um jogador que pudesse compensar os hiatos de Barrientos? Como é possível ter sido dada a desculpa que Meira não viria por excesso de centrais, quando no fundo para Manuel Machado só contam , exclusivamente, dois, já que El Adoua é para jogar a trinco, Freire não entra nas contas e Defendi nem uma oportunidade merece? Foi esse o excesso que permitiu ao “vitoriano” assinar pelo Zaragoza?

Com tantas questões o desaire de hoje era previsível…doloroso, mas previsível…doa a quem doer!