Balanço da época 2012/ 2013

560096_10151378579661186_312569991_nO Vitória Sport Club partiu para a época 2012/2013, com um significativo desinvestimento na equipa e com uma grande renovação no seu plantel, fruto da saída de jogadores históricos como Nilson, João Paulo, Bruno Teles, João Alves, Pedro Mendes e Nuno Assis, atletas que possuíam contratos que comprometiam a política financeira traçada pela Direcção presidida por Júlio Mendes.

De forma a compor o plantel, o Vitória traçou um rumo, que seria o de contratar bom e barato, de preferência no mercado nacional, e apostar progressivamente em jogadores da Equipa B, um projeto incrementado com a possibilidade de o Clube lançar jovens jogadores maioritariamente da cantera Vitoriana.

Neste contexto, chegaram à Cidade – Berço, jovens atletas que ainda eram pouco conhecidos no “mundo” do futebol, casos dos portugueses André e Amido Baldé, a que se juntaram David Addy( lateral ganês, que já havia conquistado um Mundial de Sub- 20, e que jogando pouco no Porto, já havia sido Campeão Nacional), e os regressados Siaka Bamba, João Ribeiro e Marco Matias, que haviam estado emprestados na época anterior.

Para o grosso da massa associativa (pode-se dizer que até era um sentimento natural), pairava uma certa insegurança (ainda que tivessem a consciência que o momento era delicado) no que ao plantel que iria fazer parte do elenco 2012/2013 dizia respeito, pois esta aposta era sem dúvida arriscada.

Rui Vitória, timoneiro da Equipa, tinha assim a tarefa árdua de conduzir o jovem plantel que tinha em mãos, pois a exigência de jogar no Vitória é sempre elevada, e a nível psicológico, alguns dos jovens jogadores podiam acusar a pressão.

Em meados de Agosto, começou a Liga, com o Vitória a arrancar com um empate positivo ante o Sporting, o que fazia prever que a jovem e renovada equipa, tinha condições para fazer uma campanha tranquila no escalão maior do futebol nacional.

Seguiram-se depois, resultados e exibições pouco conseguidas, diante do Porto e Estoril, o que inquietava um pouco a massa associativa, que já suspirava por um triunfo; triunfo esse que chegaria apenas na 4ª ronda, mais concretamente no derby concelhio com o Moreirense no Comendador Joaquim Almeida.

Na 5ª ronda surgia o derby minhoto, o jogo de todas as emoções no Minho, e que nunca ninguém gosta de perder, nem que seja jogado a “feijões”.

Nessa partida, o Vitória não conseguiu realizar uma boa exibição, e pior do que isso, averbava uma derrota difícil de digerir.

Naquele momento, pensa-se que o grupo vai abaixo psicologicamente, mas a resposta foi célere e muito positiva, com o Vitória a conseguir dois triunfos consecutivos diante da Académica em Coimbra, e com o homónimo de Setúbal em Guimarães.
O Vitória com estes 2 importantes triunfos, estava assim em lugares condizentes com os seus pergaminhos, e o apoio da massa adepta começava-se a se intensificar ainda mais, nunca regateando aplausos ao conjunto Branquinho.

Seguiram-se derrotas com o Lisboa e B e Nacional da Madeira, mas mesmo com esses desaires, o grupo mantêve-se coeso e na massa adepta continuava a reinar o sentimento de que a Equipa estava a lutar e a tentar o melhor para o Clube.

Até ao final da 1ª volta, e mesmo com inúmeras lesões de jogadores importantes ( Olímpio e Soudani por exemplo), o Vitória averbaria triunfos com o Olhanense e Rio Ave, e empates positivos e com boas exibições  diante do Beira-Mar, Marítimo e Gil Vicente, somando apenas uma derrota, injusta diga-se, frente ao Paços de Ferreira na capital do móvel.

Em todas estas partidas, a equipa começava a mostrar um futebol de melhor qualidade estética(um futebol mais apoiado e dinâmico), surgindo o aparecimento de vários jogadores, casos de Ricardo (começava a ser muito influente na manobra ofensiva da Equipa) e Amido Baldé ( havia agora uma referência no ataque, um avançado forte no jogo aéreo, e que temporizava bem o jogo da Equipa junto às áreas adversárias), uma dupla que se exibia em excelente plano.

À passagem da 15ª Jornada, o Vitória estava na 6ª Posição com 20 pontos, uma posição muito positiva para as dificuldades acrescidas que o grupo havia passado até então.

Porém, a juntar ao excelente 6º lugar, o Vitória mantinha-se ainda na prova rainha do futebol português, pois já havia eliminado da prova o Vilaverdense, o Vitória de Setúbal e o Marítimo (ambos os jogos fora de portas), o que fazia com que o sonho de regressar ao Jamor estivesse mais próximo.

Em Janeiro, e já perto do final da 1ª metade da época, Rui Vitória, sofre mais um duro revés, ao ver Rodrigo Defendi e Marcelo Toscano abandonarem o Plantel, e para além disso os “africanos” N´Diaye, El Adoua e Soudani partirem para a CAN, enfraquecendo ainda mais o grupo de trabalho, que já por si só não era extenso.

Ainda assim, mesmo com todas estas contrariedades Rui Vitória e o seu Staff, conseguem “segurar” o grupo, e nunca deixam de olhar em frente sem queixas, mostrando que este Vitória fazia das suas fraquezas forças.

No início da 2ª volta, surge portanto um Vitória ainda mais renovado, e composto por jogadores da Equipa B ( Paulo Oliveira, Kanú, Luís Rocha Tiago Rodrigues e até Josué e Índio,  a que se juntavam Ricardo, Marco Matias e Baldé).

É então que estes jovens começam a ganhar o seu espaço, e a mostrarem um “futebol adulto”, o que aliado a uma enorme vontade de singrarem na alta – roda do futebol, colocam o Vitória como um exemplo a seguir no futebol nacional.

Nesta altura, o Vitória começava a ganhar crédito por parte de todo o país desportivo, e em Guimarães respirava-se confiança para o que ainda faltava da época.

No dobrar da Liga, o Vitória arranca um empate em Alvalade (que só não foi um triunfo, porque os Xistremas do costume espoliam o Vitória), e volta às derrotas com o Porto e Estoril, duas das melhores formações da Liga.

Só que é no intervalo destes jogos, que os Conquistadores conseguem mais um grande feito (foi um dos muitos momentos altos da temporada), o de derrotar no Estádio do Rei o eterno rival S.C.B após prolongamento, o que tornava o sonho do Jamor ainda mais perto.

A jovem e humilde equipa, estava a tornar-se um caso sério e o orgulho dos Vitorianos era imenso, pois viam um grupo trabalhador e abnegado, que jamais virava a cara à luta.

Seguiram-se triunfos em casa com o Moreirense, Académica, e fora de portas em Setúbal, o que colocava o Vitória bem perto dos lugares europeus.

Em meados de Março,surge mais um jogo muito importante na afirmação da Equipa, pois jogava-se a 1ª mão das meias – finais da Taça de Portugal no Restelo frente ao Belenenses líder isolado da Liga de Honra.

A ansiedade nos adeptos era grande, já o grupo apesar de ser maioritariamente de tenra idade mostra em Belém uma grande personalidade no relvado, e “despacha” o Belenenses por 0-2, com toda a Equipa no final do jogo a saudar efusivamente os mais de 1.500 adeptos do Vitória que se deslocaram a uma 5ª feira a Bélem.

Era mais um exemplo da “comunhão” que existia entre o grupo de trabalho e a família Vitoriana, uma família que ao longo da época esteva sempre em perfeita sintonia.

Seguiram-se na Liga novos desafios, e apesar dos desaires com o Lisboa e B e na Choupana com o Nacional, o Vitória consegue manter-se nos lugares cimeiros da Liga.

A segunda mão da Taça de Portugal, essa estava perto, e antes da partida decisiva com os azuis do Restelo, o Vitória ganhava no Estádio do Rei ao Beira-Mar por 2-1, o que colocava os índices motivacionais em alta para essa importante partida.

A 17 de Março, chegava então o dia do Vitória “carimbar” a passagem à final do Jamor, de forma em que à sexta tentativa seria de vez que a Taça viesse para Guimarães.Nessa noite, o Vitória conseguiu levar novamente de vencida o Belenenses por 1-0, e nas Bancadas os Vitorianos gritavam bem alto o nome Vitória, e aplaudiam o feito que a jovem Equipa acabará de fazer.

A praticamente 2 meses da época chegar ao fim, o Vitória já tinha assegurada a presença na Liga Europa, e estava com todo o mérito no Estádio Nacional de forma a disputar o troféu com o Lisboa e B.

Mas como o Jamor ainda estava “longe”, o Vitória centralizava atenções novamente na Liga, e consegue triunfar em Olhão e em casa com o Gil Vicente, e pelo meio empata num jogo à porta fechada ante o Paços de Ferreira a 2 golos.

A duas jornadas do fecho da Liga, os Conquistadores estavam no 5º lugar da tabela classificativa, um lugar que assentava muito bem no crescimento que a Equipa vinha a fazer ao longo da época.

Porém nas duas últimas jornadas, e já com o pensamento no jogo importantíssimo do Jamor, o Vitória é derrotado pela margem mínima na Madeira frente ao Marítimo, e em casa com o Rio Ave, o que leva a Equipa a descer alguns lugares na tabela classificativa, uma situação completamente injusta para o grupo de trabalho.

Mas não foi com essa descida até ao 9º posto, que a época deixou de ser positiva, pois ao longo da temporada a campanha foi sem dúvida excepcional, e motivo de contentamento e orgulho por parte da Nação Vitoriana.

A 26 de Maio, chega o jogo da época, o jogo que pode marcar uma vida de um atleta profissional. Joga-se neste dia a Final da Taça de Portugal, um Troféu já à muito desejado na Cidade-Berço, é que em 5 finais que o Vitória já havia disputado, os Branquinhos haviam sido sempre derrotados.

Nesse dia viajam vem cedo de Guimarães mais de 14 mil Vitorianos ao Estádio Nacional de Oeiras, com a forte esperança e crença, que à 6ª tentativa seria mesmo de vez.

O dia estava bonito, um sol radioso, propício a um grande momento de confraternização antes da partida.

Já depois do almoço, começa-se a sentir o “friozinho” de a hora do jogo estar cada vez mais próxima, o grande jogo estava perto de ter o seu início.

A faltar mais de hora e meia para o início do desafio, a Bancada Topo Sul do Estádio Nacional, já estava praticamente pintada de branco, com os milhares de Vitorianos a dar mais uma grande lição de paixão e fervor clubístico.

Finalmente chega as 17h.15m, e o duelo entre o Vitória e o Lisboa e B, começa a ser jogado (aquela círculo de união momentos antes de se dar início ao jogo, dava a sensação que ia levar o Vitória ao varandim do Jamor) e o sonho de levantar a Taça podia estar a 90 minutos de se concretizar.

O Vitória entra um pouco receoso na partida ( o que era perfeitamente natural), mas consegue defender de forma organizada e segura, faltando-lhe apenas conseguir ser mais objetivo a sair na transição ofensiva.

Numa das poucas vezes que conseguiu sair em contra – ataque e “esticar” o seu jogo, tem uma grande oportunidade, mas Addy isolado não consegue bater o guardião adversário.

Nesse lance o bruáá do Estádio lamenta a oportunidade perdida, mas pior que isso foi ver alguns segundos depois, o adversário marcar um golo absolutamente fortuito.

Há desalento pelo facto de o Vitória estar em desvantagem, mas há  a fé que o resultado pode ser alterado pelos Conquistadores!

Chegava o intervalo, era hora de no balneário, os “super-putos” ouvirem o que o líder Rui Vitória (um enorme condutor de Homens) tinha para lhes dizer ( coragem foi o que nunca faltou a todo o grupo), seguramente palavras de incentivo, pois ainda faltavam jogar pelo menos 45 minutos.

Volvidos alguns minutos, começa a 2ª parte, o Vitória entra acutilante, entra com a forte determinação de dar a volta ao resultado. Mas o tempo ia passando, e a bola parecia não querer entrar na baliza encarnada.

Até que chega o minuto 78, e os “super-putos” conseguem restabelecer a igualdade por intermédio do argelino Soudani, após um passe “açucarado” de Crivellaro.

Era a “explosão” de alegria por parte do “Inferno Branco” que viajou do Berço da Nação ao Jamor.

Mas os putos queriam mais, queriam dar a estocada final na águia, e não é que volvidos apenas 60 segundos do golo do empate ainda a Bancada Topo Sul festejava efusivamente o golo do empate), Ricardo após uma grande jogada individual, consegue colocar novamente a bola no fundo das malhas encarnadas, e  assim por o Vitória na frente do marcador.

A alegria era enorme, as vozes Vimaranenses (fosse de Homens, Mulheres, jovens, crianças) estavam roucas, era o nosso Vitória que estava muito perto de chegar ao céu.

Faltavam 10 minutos para o sonho ser real, os “putos” estavam quase a fazer história, estavam praticamente a escrever a página mais dourada dos 91 anos de existência do grande Vitória Sport Club.

Aguenta Vitória pedia-se na Bancada!

Acaba o jogo pedia-se também na Bancada!

Não aguento esta emoção dos últimos momentos dizia-se na Bancada!

Até que finalmente chega o momento em que termina o desafio, e o Vitória vence finalmente o “caneco” da Taça de Portugal!

A enorme festa era justa (o choro de alegria), a conquista era mais que merecida, o grito do Vitória no Jamor fazia todo o sentido, o levantar da Taça era o coroar de uma Equipa que se bateu ao longo da época com todas as forças!

A festa como sabemos durou até altas horas,  daquele célebre Domingo de 26 de Maio de 2013, um dia que será eterno para todos os Vitorianos, e que fará com que : Douglas, Delac, Kanú, Alex, Paulo Oliveira, Defendi, El Adoua, Freire, N´Diaye, Luís Rocha, Addy, Olímpio, Siaka Bamba, André, Barrientos, Tiago Rodrigues, Crivellaro, João Ribeiro, Marco Matias, Ricardo, Toscano, Baldé, Soudani, Machís e Lalkovic, assim como Rui Vitória, Arnaldo Teixeira, Sérgio Botelho, Luís Esteves e Nélson Oliveira, fiquem na história de terem feito parte do grupo que trouxe a primeira Taça de Portugal para a Sala Edmur.

Todos estes jogadores, e todos os outros que fizeram parte dos grupos de trabalhos ( Equipa Principal e Equipa B), estão de Parabéns pela grande época que efetuaram, foram verdadeiramente uns profissionais de mão cheia!

A época foi muito desgastante, mas no final a recompensa chegou (seja para jogadores, equipa técnica, direcção, e os melhores adeptos do mundo), e na história ficará para sempre a Equipa dos ” Super – Putos da Cidade – Berço”, que no ano de 2013 se sagraram Campeões da Taça de Portugal!

Obrigado Vitória, Obrigado Guimarães!

Vitória Sempre!

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