Bloqueio Psicológico Ou Algo Mais?

Rui Vitória, no final da partida, contra o Sporting, e após a pesada goleada sofrida, referia que a instabilidade vivida no seio do clube poderia afectar os atletas no momento de tentarem recuperar no resultado.

E verdade seja dita, nos dois últimos desafios extramuros, Braga e Alvalade, a equipa após sofrer um golo madrugador, desabou completamente, sendo goleada por números inauditos, atendendo à sempre propalada qualidade do plantel.

Porém, a verdade é que tal problema não é novo… vem desde o início da época, pois desde então, jamais a equipa conseguiu ganhar um jogo de virada, como dizem os brasileiros.

Assim, nas dez derrotas sofridas na presente época, os branquinhos sofreram sempre golo primeiro. A acrescer a tal facto, realce, para apenas frente ao Marítimo, na Madeira, terem conseguido igualar a contenda através de um golo do defesa central Leandro Freire, ainda que tenham vindo a perder, posteriormente o desafio.

Aliás, tal realidade além de suceder fora, sucedeu, também, no Afonso Henriques nos desafios perante o Porto (0-1), Beira Mar (0-3), Sporting (0-1), onde a equipa jamais conseguiu ir em busca do resultado.

Deixamos, então, aqui a lista desses jogos para documentar tais asserções:

Vitória – Porto 0-1 ; golo sofrido aos 45 minutos, portanto com meia parte para recuperar.

Vitória – Beira Mar 0-3; primeiro golo aos 23 minutos, incapacidade em recuperar e descalabro nos minutos finais.

Benfica – Vitória 2-1; primeiro golo aos 34 minutos, e tentativa de recuperação com êxito graças a golo de Edgar, mas, como todos se devem lembrar, foi o jogo das três grandes penalidades.

Marítimo- Vitória 2-1; golo inicial sofrido aos 3 minutos. Porém, tratou-se do único jogo em que o Vitória recuperou empatando aos setenta e um minutos. Não obstante sofreria o segundo golo, três minutos depois e jamais se reergueria. Por, ter conseguido, porém, igualar a partida destacamos o mesmo.

Vitória- Sporting 0-1; golo sofrido aos 7 minutos e vantagem numérica de 68 minutos e mesmo assim inêxito na recuperação.

Olhanense- Vitória 1-0; golo sofrido aos 48 minutos e impossibilidade de recuperação durante toda a segunda parte.

Leiria- Vitória 1-0; frente ao último classificado do campeonato, o Vitória sofreu um golo aos 38 minutos e não conseguiu sequer empatar o desafio.

Porto – Vitória 3-1 ; O Vitória sofreu o primeiro golo aos 18 minutos, no início da segunda metade sofreu o segundo, ainda pareceu querer recuperar com o golo de Faouzi, mas haveria de perder por três bolas a uma.

Braga e Alvalade – Após o primeiro golo, respectivamente, sofrido aos 4 e aos 21 minutos, foi o descalabro em ambas as partidas perdendo, respectivamente por 4-0 e 5-0.

Apetece perguntar, o que se passa no Vitória? Que estranha inibição impede a equipa de reagir às adversidades? Não queremos fazer fé das palavras de Rui Vitória que para justificar o desaire frente ao Sporting referiu a influência dos salários em atraso…Ou de Nuno Assis que há meia dúzia de semanas dizia que tal facto não afectava o desempenho da equipa e que, hoje, diz precisamente o inverso.

Mas que, algo vai mal no seio vitoriano, vai!

Como atenuante, poderemos, porém, referir que quando o Vitória se colocou em vantagem, apenas Braga e Gil Vicente, e no Afonso Henriques, conseguiram levar pontos desses jogos, empatando a um. E como especial atenuação, realce para os empates terem sido conseguidos em circunstâncias anormais. Com os rivais através de um livre a punir falta inxeistente e com os barcelenses graças a um autogolo de N’Diaye.

Porém, a verdade é que os jogos do Vitória, infelizmente, tendem a ser previsíveis, pois um golo sofrido com o jogo a zero, indiciará, automaticamente, o desafio da contenda… sendo que, ainda bem, que tal, também sucede, quando Edgar, Toscano e seus pares abrem a contagem…