Coragem Precisa-se!

Nos tempos austeros que vivemos, o apodo caracterizador de firmeza de carácter e abnegação, denominado de coragem,  anda muito em voga e é utilizado para incentivar os demais a encararem este nefasto período com determinação, audácia e presença de espírito.

Pedem-nos coragem para encarar as dificuldades…pedem-nos coragem para assumir responsabilidades que não são nossas…pedem-nos coragem para viver como nunca pensamos viver!

No Vitória, tal característica de carácter nunca fez parte da anterior direcção… desde a subserviência a um determinado clube da capital, a inúmeras afrontas que foram cometidas contra o bom nome desta instituição já nonagenária, a falta de firmeza de espírito sempre foi um apanágio de quem durante cinco anos geriu (?) os destinos do clube, a seu bel-prazer, sendo incapaz de mantê-lo, pelo menos, ao nível que o encontrou.

Sabe-se, hoje, porém, que essas pessoas que faziam parte da direcção do clube resolveram dar ao clube a machadada final, ao demarcarem-se, à má fé, das dívidas contraídas no seu consulado, procurando, ao invés, que seja o património amealhado ao longo destas nove décadas que se responsabilize pelas mesmas.

Tal, apenas, só demonstra o que todos nós já desconfiávamos: a falta de essência vitoriana que vai naqueles corações e que o Vitória para eles foi um mero negócio e se o clube acabar insolvente e em liquidação de activos, eles dormirão do mesmo modo, sem qualquer peso na suas consciências e nenhum remorso pelos actos cometidos.

Na verdade, o acto de virar as costas ao clube que comandaram bem como a um anterior colega de direcção – Júlio Mendes, recorde-se, fez parte da direcção, por algum tempo –  demonstra uma desfaçatez de carácter que em nada condiz com os atributos que fizeram das gentes de Guimarães das mais conceituadas do país: honradez, sentido de missão e respeito pela palavra assumida e que fazia das gentes desta cidade das mais respeitadas de Portugal.

E nem seria pedir muito… pedir, apenas, que assumissem os múltiplos erros de gestão e com um gesto de verdadeiros dirigentes associativos assumam as suas responsabilidades. É que, apesar de desde o dia das eleições nunca mais terem querido saber dos destinos do Vitória – nem votar, foram -, a verdade é que a dignidade humana obriga a assumir os fracassos, as desventuras, os inêxitos… e nada disto, nas palavras do actual presidente, se vai vislumbrando nos tempos que correm, em que a evasão e a lavagem de mãos em pia benta e a procura de sacrifício do património do clube para libertar o pessoal dos responsáveis parece uma anedota… mas de muito mau gosto atendendo à gravidade da situação!

A Júlio Mendes pede-se a dita coragem… coragem para continuar a assumir um barco que, pelos vistos, continua a navegar em revoltos mares…coragem para não desistir quando o caminho é tudo menos fácil… mas, acima de tudo, coragem para denunciar quem tanto mal fez ao Vitória SC, deixando-se de pruridos e temores e denunciando o que tiver a denunciar, a quem de direito. Com efeito, está visto que mesmo com elevação e educação – inclusivamente, calorosas saudações na tomada de posse- esta gente foi capaz de o trair, pelo que nada, já,  tem a perder… Avance que tem o apoio dos sócios e verá se as contrapartidas não serão bem maiores!

P.S. Confesso que continuo sem entender o porquê  desta entrevista a dois dias de um dos jogos mais escaldantes da temporada.. Atendendo à importância histórica do desafio, não teria sido mais vantajoso falar na próxima semana e deste modo evitar abrir brechas num castelo que se pretende inexpugnável? É que tal entrevista já permite a um jornaleiro de nome Eugénio Queiroz tentar ferir o Vitória na página 12 do jornal onde escreve, na parte dedicada ao inimigo!