Corpo ausente, Coração sempre presente…

Escrevo estas palavras, com um misto de alegria e de tristeza. Uma tristeza que devo ter em comum com centenas ou milhares de Vitorianos espalhados por esse mundo fora, longe de Guimarães, longe do nosso Vitória.

Quando decidi embarcar nesta aventura de vir estudar para o estrangeiro, mais propriamente Liberec, Republica Checa, sabia que, além da família e amigos, ia deixar para trás outra família, a família Vitoriana…

Só Deus sabes, e aqueles Vitorianos espalhados no mundo como eu, o que se sofre por estar longe do nosso clube.

É acordar e ir à internet ler os jornais diários em busca de noticias do Vitória, escrever no fórum e em blogs vitorianos para me sentir em casa. Quando leio ou escrevo qualquer coisa sobre o Vitória sinto-me em Guimarães, ao lado do meu clube…

Dia de jogo é sempre um problema para mim, o que faço eu aqui nesta cidade gelada, quando devia estar no D. Afonso Henriques?

No primeiro fim de semana que cá estive, apanhei a primeira desilusão, jogamos em Coimbra com a Académica, primeira derrota da época… Não começava nada bem a minha estadia cá.

Semana seguinte, Vitória-Porto, dia do meu aniversário, a única prenda que pedi foi a vitória do Vitória… Não foi possível mas o empate naquelas condições soube bem, mas mesmo assim senti a falta da Bancada Nascente, dos amigos de futebol e daquele ambiente fantástico do D. Afonso Henriques.

Mas também nem tudo é mau, sinto um certo regozijo em poder dizer que ando a espalhar a palavra Vitória por pessoas deste país e do resto do Mundo! Ver portugueses a deixar de dizer Guimarães e passar a chamar correctamente Vitória, ver turcos a cantar musicas do Vitória alegremente ou até mesmo benfiquistas e portistas, também residentes aqui, a torcerem pelo Vitória e chamarem marroquinos aos outros que moram para lá da Morreira, e vê-los distraídos a cantarem “Guimarães, Cidade-Berço, Património Mundial, Terras de grandes conquistas, Onde nasceu Portugal!” ou então aquele insulto “Marroquinos P….”, dá sempre aquele sentimento de dever cumprido…

E por falar em jogo com os Marroquinos, esse que não se joga, ganha-se, fiz de tudo para estar presente mas por inexistência de viagens directas, tornou-se impossível. Mas senti que pude ajudar na realização (teórica) do cordão humano, que andei super nervoso ao longo do dia à espera do jogo. E ver o(s) jogo(s) por aquele quadradinho minúsculo pela internet, em que volta e meia trava a imagem, com toda aquela revolta com aquele primeiro golo, tal como no jogo do Sporting, mas sempre confiantes numa nova reviravolta à “Targino”. O Golo do Maranhão e do Miguel Garcia (justo para compensar a não expulsão dele) fizeram-se ouvir por toda a montanha de Liberec, os vizinhos a virem à porta ver o que se passava, novamente como no jogo com o Sporting, mas que se habituem que o Vitória está aí para as curvas.E após esse jogo, procurar tudo o que se passou no estádio, quer o que o Speaker disse como aquela música marroquina e o apita o comboio, quer os vídeos do cordão humano e tudo o resto que envolveu o jogo.

Conclusão que tirei deste texto, o que me poderia fazer afastar do Vitória (a distância de Guimarães), faz-me cada vez mais ser Vimaranense e Vitoriano dos 7 costados, quanto mais a distância mais eu sinto o clube…

Corpo ausente, mas Coração sempre presente…

Joel Ferreira Sócio 7830

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