Dane-se o Politicamente Correcto…

Rui Vitória, desde que chegou ao Vitória, sabia que não ia ter uma tarefa fácil! Sabia, também, que se afigurava perante o maior desafio da sua carreira profissional, que era orientar um clube com legítimas ambições ao topo! Porém, também, tinha conhecimento que ia encontrar um plantel que não fora escolhido por si, com jogadores aburguesados e a viver uma terrível fase de maus resultados, com dolorosas derrotas – como as da final da Taça, da final da Supertaça, da humilhação com o Atlético Madrid e a vergonha caseira frente ao Beira Mar – que urgia ressuscitar!

Além disso, aquela recepção no primeiro treino ajudou, ainda, mais a atemorizar um homem que chegava a Guimarães com adjectivos de pessoa ambiciosa, destemida e que colocou um quase inócuo Paços de Ferreira a alardear um perfume de futebol ofensivo, que lhe permitiu vencer em Alvalade, marcando três golos, ou empatando pelo mesmo número de golos frente ao Porto, que uma semana depois haveria de golear o Vitória por seis bolas a duas, naquela malograda final.

Mas, desde cedo, se vislumbrou que o homem que houvera deixado tão boas indicações em Paços de Ferreira, deveria ter ficado por lá… e nem a desculpa de se ter deparado com um plantel que não fora por si escolhido podia justificar algumas exibições confrangedoras aliadas a algumas vergonhosas goleadas que o Vitória já há muitos anos não sofria – cinco a zero no Sporting; quatro a zero no terreno do figadal inimigo – , ou resultados que demonstravam a incapacidade de motivar uma equipa, que só o foi no dia da vitória ao Benfica – a derrota em Leiria, que não ganhou a ninguém, ou a derrota em casa, na despedida perante a Académica, demonstraram isso -.

Na presente época, atendendo às contingências financeiras, o discurso do técnico adaptou-se à realidade da depuração de gorduras financeiras… o Vitória iria ter de apertar o cinto – e muito! -, e as referências de uma época cinzenta com goleadas humilhantes iriam abandonar o clube. Mas, independentemente disso, a oratória que passou nas primeiras semanas é que com a matéria prima disponível seria possível construir uma equipa ambiciosa, atrevida, pegando naqueles genes do clube onde o actual treinador se notabilizou, mas que também sempre fizeram escola em Guimarães: olhar o adversário olhos nos olhos e tentar (sempre!) ganhar.

E na pré época, tal desejo parecia confirmar-se… apesar da a equipa demonstrar carências… momentos em que denotava inúmeras incapacidades, demonstrava, também, uma vontade saudável de jogar bom futebol, de criar envolvimentos, de realizar transições ponderadas, de ser uma equipa de posse, de ter um meio campo subido e ofensivo… enfim, pressupostos possíveis para um plantel que fora esventrado, mas que, apesar disso, ainda, conseguia manter algumas das (boas!) referências do transacto ano e ser o quinto maior orçamento de entre todos os clubes de Portugal… e quantas vezes, essa rábula do orçamento foi citada por quem de direito, mas em sentido inverso para justificar insucessos inadmissíveis.

Porém, principiado o campeonato, tudo mudou… o Vitória, apesar de começar frente a dois candidatos ao título, foi uma equipa menor… uma equipa receosa, com medo da própria sombra… recuada no terreno e sem capacidade de progressão… e que voltou a sofrer outra humilhação no Dragão, saindo de lá goleada por quatro golos sem resposta e com, apenas, um remate no pecúlio, sendo massacrada como nem as equipas de divisões inferiores o são, quando lá se deslocam em jogos de competições que não o campeonato principal.

Seguiu-se o Estoril e um ponto arrancado a ferros… um aversário, em que nem o orçamento serviria de desculpa! Mas, o Vitória continuou a ser a mesma equipa amordaçada… sem ideias… e o treinador incapaz de realizar um discurso motivador, incapaz de dar o murro na mesa…incapaz de assumir que aquele caminho era impossível sequer para um clube que pretende, pelo menos, ficar a meio da tabela! E só, o politicamente correcto, de não querer desestabilizar uam equipa sem ponta de chama, impediu muitos escribas de apontarem o dedo a mais uma confrangedora demonstração de falta de liderança…de capacidade de motivação… quiçá, também, hipnotizados por um discurso palavroso, pastoso como a equipa a jogar em campo, mas que de concreto nada tem.

Após o Estoril, Moreira de Cónegos… noventa minutos a jogar contra dez elementos – obrigado, Augusto! -, e quarenta e cinco minutos a actuar com três médios defensivos. Perante um colosso que houvera subido este ano à Primeira Liga, a jogar, praticamente, em casa tal a deslocação massiva de adeptos a opção foi pelo trivote que Mourinho nos jogos mais difíceis gosta de usar… mas o problema é que nem Adoua, Olímpio e André são Khedira, Xabi Alonso e Essiem e, acima de tudo, Vitória – o Rui – não é Mourinho… nem nunca há-de lá chegar, tal que para se ter êxito não se pode ter medo… mas, o Vitória ganhou e essa falta de coragem ficou camuflada.

Chegado ao derby, manutenção na aposta nos três trincos… um servilsmo como nunca se viu frente ao eterno rival… a demosntração cabal que mais medo tem dentro do Vitória é o treinador… a incapacidade de apostar em Tiago Rodrigues, desde início, ele que tão boa conta de si dera desde o início da temporada… a manutenção de Soudani isolado com uma equipa trinta metros recuada e sem o argelino tocar na bola… as indecisões em alterar a equipa…a aposta tardia em Baldé, quando a equipa não conseguia realizar uma jogada com a bola à flor da relva… a certeza que, do modo a equipa foi congeminada, nem cócegas seria capaz de fazer.

Com tamanhos erros, é obvio que só mesmo a debilitada condição financeira, ainda, mantém um treinador que já demonstrou que é o elemento menos corajoso de uma estrutura. Um treinador que, como alguns jogadores, parece sentir a camisola e teme o fracasso, não pode ser um grande líder… que em vez de seguir a publicidade ao novo equipamento, tem medo de ser Conquistador e prefere, apenas, refugiar-se em lugares comuns dilatando o prazo em em que a equipa pode render, quase perorando tempo, para si, procurando evitar que se esgote a fé nas sias capacidades…entretanto, nós sócios vamos sofrendo com as constantes humilhações e a certeza que, independentemente do politicamente correcto, neste momento, Rui só é Vitória de nome… nem a procura, nem com tamanhos receios pode ser treinador para o Vitória… e se a direcção está amordaçada a um contrato, ao menos que faça o de bom tom, depois de tantas goleadas, depois de ser o segundo treinador a ser derrotado em casa pelo eterno rival em trinta anos, ponha o lugar à disposição e se sujeite ao escrutínio de quem manda..

E se até agora, o medo de abanar uma equipa que foi feito crer que é mais frágil do que realmente é impediu muita gente de dizer o que estava à vista de todos os olhos, a bem do Vitória tal não pode continuar… o abanão é necessário e há que apontar as inúmeras deficiências que a equipa vai padecendo…ou em Setúbal, Paços de Ferreira, Olhão e tantos outros há uma máquina de fazer notas? Pelo bem do Vitória, temos de começar a falar… e que se dane o politicamente correcto!