De corpo, Alma e Coração

Todos temos uma vida nas mãos, todos erramos e sofremos, mas somos apenas nós que conseguimos dar sabor, cor e sentido à vida. Eu dei duas cores à minha vida: o preto e o branco e aposto que muitos de vocês que estão agora a ler este texto deram as mesmas cores às vossas vidas. E essas cores resumem-se a um nome: Vitoria Sport Clube.

O Vitoria é um amor sem planos e sem projectos, é um amor intenso e puro. Não é um amor frágil, é um amor forte e resistente (todos sabemos bem disso), um amor feito de sonhos e concretizações, de muita esperança e milhares de pessoas, espalhadas por esse mundo fora, que podemos afirmar serem a nossa família. Conhecem aquela sensação de ter o coração quente? Eu conheço, e essa sensação invade-me a cada jogo, a cada jornada, a cada época, a cada dia em que entro no D. Afonso Henriques, é nessas alturas em que compreendo o sentido da verdadeira felicidade, é nessas alturas que eu sei qual é realmente o meu objectivo na vida, o porquê de continuar aqui, a minha real ligação ao mundo.

Provavelmente já alguém vos perguntou se acham que vale a pena tudo isto pelo Vitoria, porque “eles não te dão nada”. Sinceramente odeio e fico extremamente irritada quando me dizem isso, porque o Vitoria a mim dá-me muita coisa. É no estádio que tenho memoria de muitos dos melhores momentos da minha vida. São recordações tão próprias, tão nítidas, que às vezes pergunto-me se certas recordações são realmente minhas, por serem tão boas, tão perfeitas. E a partir do momento em que entro no estádio, sinto-me tão livre e realizada, com o coração, o corpo e a mente preenchidos que não me importava de morrer pouco depois porque morreria feliz. Os outros falam, pensam, mas quem sente somos nós. Quando somos nos que choramos, que nos debruçamos sobre uma cama e procuramos uma solução, é que percebemos que até

esses momentos menos bons, são óptimos porque nos fazem reparar que fomos, com o tempo e com todos os momentos provocados pelo espírito vimaranense, aprendendo novas formas de viver, estar, amar e ser feliz. Pelo menos, eu falo por mim. Acredito que muitos de vocês sentem o mesmo que eu. O Vitoria é tanta coisa junta que não cabe em palavras, um amor indefinido mas perfeito. Um misto de sentimentos, e os sentimentos não se governam, não são coisas de se tirar e se por de acordo com as conveniências do momento.

É partilhar uma vida inteira sem saber se o próximo jogo trará um sorriso e imensa alegria de uma vitoria ou uma tristeza (nunca desilusão!) de uma derrota que corrói por dentro mas que não faz com que os sentimentos se tornem negativos (não somos o género de adeptos que só gosta do clube quando esta muito bem classificado), antes pelo contrario, o amor pelo Vitoria cresce e fica cada vez mais forte e resistente. E se me perguntarem se dou a vida pelo Vitoria, a minha resposta é sim, se for necessário sim. Porque a minha vida pouca ou nenhuma importância tem quando comparada com o Vitoria.E sinto que estou a ficar emocionalmente doente (no bom sentido, claro), presa ao Vitoria, presa a todas estas emoções e sentimentos. Não sei se conseguia orientar-me, saber o que fazer sem ter tudo isto na minha vida, acho que morreria em termos psicológicos, o meu cérebro deixaria de funcionar e o meu coração e alma andariam aqui apenas para enfeitar o meu corpo. E vivo atormentada só com a hipótese de um dia ficar sem estas emoções, estes momentos, tudo o que o Vitoria engloba e traz para a minha vida. Sei que posso viver mil e uma coisas, visitar todos os países do mundo, conhecer culturas, fazer coisas que nunca ninguém fez e chegar aos 150 anos que nunca se poderá comparar a tantos e tantos momentos vividos no D. Afonso Henriques e que guardo eternamente no meu coração e lá vão permanecer, com toda a certeza. Mas é desnecessário falar sobre este grande amor pelo Vitoria que nos une a nos, milhares de vitorianos e nos faz rumar ao nosso estádio e nos faz preencher e tornar bonitas muitas bancadas de muitos estádios por esse pais fora. É um orgulho ser do Vitoria, é um orgulho ser de Guimarães.

Raquel Ferreira
13 anos
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