Esser Jorge – Vitória: Nunca desistir!

Iremos abrir hoje um espaço de opinião de várias pessoas que de certa forma estão ligadas ao Vitória. Para começar iremos ter hoje o investigador universitário Esser Jorge.

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Vitória: Nunca desistir!

Numa época de crise geral em que o Vitória emerge de uma viagem às profundezas, surgem amiúde alguns traços icónicos para reforçar a sua identidade. Aqui e além vamos vendo a criação de símbolos e hábitos que, para além de se colarem ao já longo historial do Vitória, pretendem reforçar a relação do clube com a sua massa adepta. Os vitorianos gostam e declaram-no com a altivez dos orgulhosos: “somos únicos”. Quem descortinou o lema e o tornou uma espécie de chave, não a usou para abrir a porta dos valores do Vitória. Se o tivesse feito, enunciaria de seguida que “ser único” é também estar na posse de uma solução-tipo que só aos vitorianos diz respeito. É sentir com a intensidade dos apaixonados eternos, executar como mais ninguém imagina, agir segundo atos da mais florentina nobreza, pensar entre a profundidade e a superfície e ter a imaginação alerta nas decisões.

Estes valores são, seguramente, comungados pela generalidade dos vitorianos e fazem parte tanto do jogo jogado (seja ele qual for: andebol, basquetebol, futebol, voleibol, etc.) como da governação organizacional passando ainda pelas manifestações dos associados. Por vezes, algures nos estádios, são observados algumas situações de importação das divisas de outros clubes: You’ll Never Walk Alone (Nunca andarás só) é lema do Liverpool e faz parte do seu hino. “Més que un club” cabe ao Barcelona. “Somos uno equipo” é desejo do Real Madrid. “Victoria Concordia Crescit” (A Vitória vem da harmonia) é sentença do Arsenal. Há vários, como o do Tottenham Hotspur FC, Audere est facere (ter audácia é fazer), “Superbia in proelio” (Orgulho em batalha) do Manchester City e o sempre abnegado “Arte et labore” (Por arte e trabalho) do Blackburn Rovers.

Um lema é uma missão permanente. Convoca a comunhão e reforça a identidade. Inspira as partes, produz adesão, enobrece o espírito e engrandece a totalidade. Reforça os valores do Vitória enquanto organização e transmite uma mensagem de força. Configura uma divisa virtuosa, abnegada e esforçada. O Vitória devia pensar seriamente num lema que englobasse não só os seus significados históricos, mas também a sua posição perante o futuro, a fortuna, a adversidade, os desejos e vontade geral. Pessoalmente tenho um certo gosto pelas afirmações relacionadas com a coragem. Aquele Never surrender proferido por Winston Churchill em 1940, registo mais tarde aposto no disco ao vivo dos Supertramp, Paris, entusiasma-me. Traduzido daria qualquer coisa como “não nos rendemos”. Aqui todavia eu apostaria em “Nunca desistir”. E o fato de se inspirar em Churcill, um inglês, faz todo o sentido: foi de lá que um comerciante vimaranense trouxe o futebol para estas terras.

“Nunca desistir” é a expressão temporal da vitória, logo, do Vitória. Nenhuma vitória (Vitória) se faz sem o uso correto do tempo. Nenhuma vitória (Vitória) acontece sem querer, sem estratégia do grupo. “Nunca desistir” apela à resiliência e ao carácter. Parte da humildade e aspira o impossível. Por outro lado está colado nos arquétipos do imaginário vimaranense que têm na conquista um fim e no engrandecimento um objetivo. Creio mesmo que esse é o espírito mais apreciado pelos associados. Por exemplo, isso explica porque, a perder por quatro a um contra o Setúbal, as claques do Vitória Sport Club continuassem no seu apoio. Como se o fim fosse na vitória (no Vitória). Isso mesmo: Nunca desistir! E, como a língua imperialista comanda: Never Give Up! Quem apoia?

PS – Esta pequena aventura de escrever sobre o Vitória é um desafio saído da crença do Vasco Rodrigues: diz ele que resultará. Eu tenho dúvidas. Mas adiante e Nunca desistir!

Esser Jorge Silva sócio VSC nº 7342

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