Dada a sua estatura e compleição física, tinha como predicado principal o jogo aéreo, o que implicava que raramente perdesse um lance disputado nas alturas. Na marcação era implacável e demonstrava sempre um sentido posicional primoroso que o permitia antecipar-se com regularidade aos adversários. Apesar de ser por natureza um defesa central de marcação, sabia desempenhar com mestria as funções de libero, pois era rápido o suficiente para responder nas dobras aos colegas de equipa.
O seu estilo era vertical, sempre de cabeça bem erguida analisando o desenrolar do jogo. Com uma passada larga na sua forma característica de correr e com as meias do equipamento sempre descidas ao máximo permitido por lei, apenas tapando as suas pequenas caneleiras, eram também a sua imagem de marca.
Era tido unanimemente como um profissional exemplar, respeitado no clube por colegas de equipa e pelos seus adeptos, por isso a ninguém surpreendeu quando assumiu a função de capitão de equipa do Vitória na época de 2000/01 depois de Fernando Meira ter deixado o clube da cidade berço.
Márcio Paraíso Theodoro, de seu nome completo, nasceu na cidade do Rio Janeiro no dia 19 de Fevereiro de 1968. No Brasil representou os cariocas do Madureira EC, conhecido tricolor suburbano, mas ficou mais conhecido no seu país natal quando representou o Botafogo FR onde se sagrou campeão brasileiro em 1995 conquistando o famoso Brasileirão.
Em 1994 representou o Botafogo FR do Rio Janeiro onde disputou 18 jogos oficias. Em 1995, sob o comando do técnico Paulo Autuori, o Botafogo FR sagrou-se campeão brasileiro vencendo a final do Brasileirão contra o Santos FC, numa equipa onde pontificavam o avançado Túlio Maravilha, Jamir e Donizete, que mais tarde se transferiram para o SL Benfica. Márcio Theodoro participou apenas em 3 encontros penando sobretudo por um clamoroso falhanço seu na final da Taça Guanabara de 1995 disputada no primeiro semestre desse ano.
Estávamos no jogo decisivo daquela competição carioca em que se defrontavam no famoso Estádio do Maracanã o Flamengo e o Botafogo FR, eternos rivais no Rio de Janeiro. O resultado estava empatado a 2-2 quando Márcio Theodoro cometeu um erro fatal. No momento em que efectuava um atraso da bola de cabeça para o seu guarda-redes, viu Romário, avançado do Flamengo, intrometer-se no lance, recebendo a bola de presente e facturando o 3-2 para o Flamengo que assim conquistou o título.
Os fiéis adeptos do “fogão” nunca mais perdoaram Márcio Theodoro daquele erro fatal que custou o troféu. Por isso, Márcio Theodoro perdeu a titularidade na equipa do Botafogo FR e passou de pedra basilar na equipa, onde já era sub-capitão, para suplente raramente utilizado.
Na temporada de 1996/97, quando Márcio Theodoro tinha já 28 anos de idade, surgiu a oportunidade de vir jogar para Portugal, concretamente para o CS Marítimo, por indicação do técnico Marinho Peres que tão bem o conhecia do futebol brasileiro.
E de facto estava certo Marinho Peres quando indicou a sua contratação ao Presidente do CS Marítimo Rui Fontes. É que, efectivamente, Márcio Theodoro revelou-se fundamental na equipa madeirense na época de 1996/97 afirmando-se, desde logo, como titular absoluto, quer com Marinho Peres como técnico principal, quer com Manuel José e mais tarde Augusto Inácio que se sucederam naquele cargo.
Márcio Theodoro fez a sua estreia pelo CS Marítimo e obviamente no futebol português no dia 1 de Setembro de 1996, no Estádio dos Barreiros no Funchal, no jogo a contar para o Campeonato Nacional da 1ª Divisão entre os verde rubros e o Desportivo de Chaves. O jogo assistido por cerca de 7.000 espectadores com a arbitragem do sempre polémico Martins dos Santos da A.F. Porto, terminou empatado a 3-3. Márcio Theodoro fez a sua estreia e logo nesse jogo apontou o seu primeiro golo em Portugal e único concretizado nessa época. Aconteceu aos 30 minutos de jogo representando na altura o golo do empate a 1-1.
Nessa temporada, o CS Marítimo, apesar da época conturbada, acabou classificado no 8º lugar geral, tendo Márcio Theodoro actuado em 28 jogos, apontando apenas 1 golo, concretamente aquele que foi acima mencionado.
(CS Maritimo 1996/97)
CS Marítimo tentou a continuação do defesa central brasileiro, propondo-lhe a renovação do contrato, todavia, os seus desempenhos já haviam despertado o interesse de outros clubes nacionais que foram no seu encalço. Acabou por ganhar a corrida à sua contratação o Vitória de Guimarães que assim encontrava um substituto à altura de Vítor Silva que acabava de se transferir para o futebol espanhol.
É pois, desta forma, que Márcio Theodoro chega a cidade de Guimarães para representar o Vitória treinado por Jaime Pacheco na época de 1997/98. Nesta temporada o Vitória tem como claro objectivo novamente o acesso à Taça Uefa que, contudo, com o decorrer da competição nacional e os brilhantes desempenhos da equipa foi legitimamente ambicionando mais, lutando taco a taco com a formação do SL Benfica pelo apuramento para a Liga dos Campeões.
(Vitória SC 1997/98)
(Vitória Sport Clube 1997/98)
O Vitória, mesmo depois de ter substituído Jaime Pacheco no cargo de treinador por Quinito, quando se encontrava na 2ª posição da tabela, esteve sempre na disputa dos primeiros lugares na tabela. Contribuiu essencialmente nesta temporada a coesão defensiva demonstrada pela equipa, assente primordialmente em Márcio Theodoro, o verdadeiro patrão na defesa, mas naturalmente coadjuvado por outro dois defesas centrais de grande qualidade, que alternavam entre si, como Alexandre e Arley, e os laterais José Carlos e Tito, sem deixar de lado os categorizados méritos do guardião Pedro Espinha.
A equipa do Vitória foi no Campeonato Nacional da 1ª Divisão da temporada de 1997/98 a defesa menos batida da prova o que atesta sobremaneira a qualidade daquele sector.
Os vimaranenses terminaram a prova na 3ª posição da tabela classificativa, à frente do Sporting CP, tradicional candidato ao título nacional. Márcio Theodoro alinhou em 28 partidas do Campeonato Nacional, não tendo todavia apontado qualquer golo no decorrer da prova.
(Vitória SC-Sporting CP no E. D. Afonso Henriques em 1997/98)
(Vitória de Guimarães 1997/98)
Fez nesta época, ao serviço do Vitória, a sua estreia nas competições internacionais. Fê-lo contra uma conceituada equipa europeia, a italiana Lázio de Roma, sendo certo, todavia que o resultado não será daqueles que melhores recordações trará a Márcio Theodoro.
Aconteceu no dia 16 de Setembro de 1997 no Estádio D. Afonso Henriques em Guimarães, em jogo a contar para a 1ª mão, da 1ª eliminatória da Taça Uefa, frente aos transalpinos da Lázio de Roma, treinados pelo famoso técnico sueco Sven-Goran Eriksson. O Vitória acabou goleado em casa por 0-4, não resistindo de nenhum forma ao ímpeto e qualidade dos jogadores italianos.
No jogo da 2ª mão em Itália, no Olímpico de Roma, o Vitória com Márcio Theodoro novamente a titular, conseguiu um resultado bem mais condizente, perdendo tão só por 2-1.
Na época seguinte, de 1998/99, o Vitória viu chegar um novo treinador. Zoran Filipovic tomava conta das rédeas da equipa vimaranense que estava esperançada na repetição, pelo menos, dos sucessos alcançados na temporada transacta.
(Vitória de Guimarães 1998/99)
(Vitória Sport Clube 1998/99)
(Vitória SC 1998/99)
Em 1998/99, Márcio Theodoro alinhou em 27 partidas oficiais do Campeonato e apontou 3 golos no decorrer da prova.
(Vitória Sport Clube 1999/00)
(Sporting CP-Vitória SC no Estadio de Alvalade em 1999/00)
Felizmente Márcio Theodoro acabou por recuperar bem e ainda foi a tempo de dar o seu contributo à equipa do Vitória.
(Vitória de Guimarães 1999/00)
(Vitória Sport Clube 2000/01)
(Vitória de Guimarães 2000/01)
Foi muito surpreendente a inclusão do nome de Márcio Theodoro na lista de dispensas do Vitória, dado que este, desde que chegou ao clube, tinha sido praticamente sempre um titular indiscutível.
O próprio jogador mostrou-se na altura muito triste com o sucedido acabando por abandonar Guimarães, rumando à cidade de Felgueiras, onde prosseguiu a sua carreira ao serviço do FC Felgueiras naquela época a militar na 2ª Divisão de Honra.
O capitão do Vitória, um verdadeiro profissional, reconhecido por todos os integrantes do grupo como um elemento preponderante no balneário, alem de um jogador, que na sua posição, seria dos melhores a actuar em Portugal foi dispensado e emprestado a clube da 2ª Liga, contratando o Vitória para o seu lugar Marco Couto ao Desportivo de Chaves.
Incompreensíveis decisões estas que por certo explicarão o insucesso evidente da época de 2000/01 onde o clube vimaranense correu sérios riscos de descer de Divisão, salvando-se apenas a poucas jornadas do fim, já com Augusto Inácio no comando técnico da equipa.
No Vitória em 2000/01 ainda participou em 13 jogos no Campeonato Nacional da 1ª Divisão, já pelo Felgueiras FC alinhou em 16 partidas na 2ª Divisão de Honra.
(Vitória SC 2000/01)
(Apresentação dos equipamentos do Vitória SC para a época de 2000/01)
(Portimonense SC 2003/04)