Luís Cirilo – CENTENÁRIO

Daqui a dez anos o Vitória completa o seu primeiro centenário.
Fundado em Setembro de 1922, por um punhado de vimaranenses bairristas e desejosos de verem a sua Terra ombrear com outras também no futebol, o clube tem percorrido um longo caminho de afirmação desportiva mas também social e de representação da comunidade que o acolhe.
Tempo, pois, a dez anos de distância de começarmos a perspectivar que clube queremos quando atingida uma idade com tanto significado para uma instituição ou uma pessoa.
É de pensar o vitória no médio prazo que se trata.
Definir objectivos, escolher caminhos, implementar estratégias que permitam cumprir um plano ambicioso e que projecte o clube para um futuro que tem tudo para ser glorioso se devidamente pensado e estruturado.
Dividiria esta reflexão em três planos:
O associativo, o desportivo e o comunitário.
Em termos associativos não tenho qualquer dúvida que o Vitória sendo um clube de matriz genuinamente popular deve continuar a fazer jus a esse legado dos que o fundaram e daqueles que ao longo dos anos participaram na sua vida enquanto dirigentes ou associados.
Equivale isto a dizer que o grande objectivo deve ser aumentar a “família” vitoriana com uma contínua captação de sócios (com especial atenção ás faixas etárias mais baixas) tendo como objectivo uma realidade associativa que em 2022 deve rondar os 40.000 associados efectivos.
Para isso torna-se necessário elaborar um conjunto de propostas atraentes para reforçar a captação de adeptos que poderão perfeitamente passar pelo estudo de pacotes “família” para aquisição de lugares anuais no estádio, pelo reforço das mais-valias de ser sócio do clube (o cartão Vitória/Caixa foi um bom passo mas é preciso dar muitos mais) nomeadamente na ligação ao comércio local, pela atractividade do clube em áreas não desportivas como as ligadas à educação, à cultura e aos tempos livres.
A par disto, e de muitas outras possibilidades que poderão resultar até de um debate aberto aos sócios, o Vitória terá que fazer opções de profissionalização que são inadiáveis.
Ou através da criação de SAD’S para as modalidades de alta competição (futebol/voleibol/basquetebol) ou enveredando pela outra possibilidade existente que são as chamadas SDUQ e que apontam para a profissionalização da gestão sem alterar a matriz social do clube.
A exemplo do Barcelona o que se pretende é que também o Vitória seja mais que um clube.
Na realidade desportiva, nomeadamente o futebol como mola real de toda a actividade do clube, é também necessária uma reflexão e a criação de objectivos.
Desde logo reflectir quantas modalidades o Vitória deve ter.
E qual o seu modelo de gestão.
Face ao panorama actual de dez modalidades (futebol, voleibol. basquetebol, pólo aquático, natação, judo, atletismo. ciclismo, ténis de mesa e kickboxing) a questão essencial é saber se o clube comporta mais modalidades, deve manter as que tem ou até reduzir ao seu número.
Não tenho opinião final sobre o assunto.
Embora me pareça que dentro das suas possibilidades, nomeadamente espaço físico disponível, o clube devia encarar a possibilidade de criar a modalidade de Ginástica.
Nas vertentes manutenção e competição.
É uma modalidade económica, com grande popularidade, e um enorme potencial de captação de praticantes/associados para o clube.
Nas restantes fará sentido manter as existentes mas direccionando as suas prioridades para a constituição de equipas baseadas na formação de molde a racionalizar os seus custos de actividade.
Sendo certo que em qualquer dos casos elas só poderão subsistir num cenário de serem responsáveis por 90% dos seus orçamentos.
Quanto ao futebol creio que o desafio será imenso.
Porque o Vitória em 2022, a exemplo de um Atlético de Bilbau “à portuguesa”, deverá como consequência de uma forte aposta na formação ter o plantel principal composto maioritariamente por jogadores portugueses e formados no clube.
Diria que numa percentagem de 80%.
O que implica uma formação extremamente organizada e eficiente, um “scouting” muito eficaz, uma politica desportiva orientada para esse objectivo sem cedências nem transigências a “campeonites” de ocasião.
Mas em 2022 o Vitória terá também de ser um clube de regular participação europeia, consolidado como um dos quatro grande de Portugal, capaz de discutir títulos nacionais com os tradicionais candidatos á sua conquista.
E isso se implica essencialmente trabalho interno não dispensa igualmente uma afirmação externa com base na presença dos órgãos dirigentes do nosso futebol e numa estratégia mediática que nos traga visibilidade, prestigio e patrocinadores.
Finalmente o plano comunitário.
Que terá de ser assumido com enorme perspicácia, sensibilidade e inteligência.
Porque somos um clube de Guimarães, umbilicalmente ligados a este concelho e à sua rica História, mas temos de ter a consciência de que Guimarães já não chega para sustentar a nossa ambição de crescimento.
Temos de saber reforçar as nossas ligações a esta Terra e em simultâneo sermos capazes de crescer para fora dela e captarmos adeptos na região e no país.
Um pouco a exemplo do que fez D. Afonso Henriques que conquistou Portugal a partir de Guimarães!
E isso faz-se com marketing, com mediatismo correctamente orientado, com a captação de simpatias face à nossa posição de clube antigo e tradicional com uma ligação à História de Portugal que mais nenhum tem, com a força tremenda que o nosso símbolo ostenta.
Mas faz-se também com sucessos desportivos.
Que fidelizam adeptos, atraem jovens, consolidam a apetência para patrocinadores de prestígio apostarem na marca Vitória.
E esse é um desafio essencial.
Com ou sem SAD o Vitória tem de ser capaz de atrair para os seus equipamentos (desportivos e patrimoniais) marcas de prestigio que dignifiquem o clube e lhe dêem uma aura de grandeza apetecível para todos aqueles que a nós se queiram ligar.
No passado, não muito distante e apenas para dar três exemplos, já vestimos Adidas e tivemos nas camisolas a Bayer.
No estádio durante longos anos (ao ponto de ainda hoje ser conhecida por esse nome) tivemos a bancada topo norte patrocinada pela Benetton.
É a essas realidades que temos de voltar.
Porque é assim que poderemos competir com os que vão á nossa frente, encurtar distâncias para eles, disputar-lhes títulos que há quem considere que já tem destinatários certos.
2022 tem de nos trazer um Vitória maior.
Mais forte associativamente, mais competitivo desportivamente, mais consistente enquanto instituição.
Um grande clube.
De Guimarães para Portugal e para o mundo.
Depende de nós vitorianos tornarmo-lo possível.
Eu acredito que sim.

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