Luís Cirilo – Cozinhados Federativos

Esta semana o futebol português, o complexo futebol português, tem um momento importante e decisivo para o seu futuro.

A eleição do novo presidente da Federação Portuguesa de Futebol.

Depois de um longo reinado de 15 anos protagonizado por Gilberto Madail, com coisas positivas mas muitas negativas de que já nem importa falar, é tempo de encontrar o seu sucessor.

Na altura em que este texto é escrito ainda não se sabe se o vencedor é Fernando Gomes ou Carlos Marta os dois candidatos que ficaram.

É a escolha entre um homem do futebol de “gabinete” e um homem do futebol “tout court” que foi jogador, treinador, dirigente, deputado ligado ao desporto e é hoje presidente de Câmara em Tondela.

Pessoalmente, e não por ser amigo dele há uma dúzia de anos, se fosse eleitor votaria em Carlos Marta.

Porque garante um futebol do “futebol” pese embora ter na sua lista algumas pessoas (como F.Gomes também tem) que pouco acrescentam á “causa” e que dão uma imagem que remete para um passado pouco glorioso.

Creio que para os clubes como o Vitória seria (será?) bem melhor o triunfo de alguém que conhece o futebol por dentro, que não está sugestionado pela mania dos chamados “grandes” que sabe olhar e perceber as várias realidade que coexistem numa modalidade tão apaixonante quanto complexa fora dos relvados.

O intrincado universo eleitoral da FPF, sujeito a mil pressões e arranjos de bastidores, decidirá.
Creio que a posição do Vitória, nesta disputa eleitoral, se inclina como a da generalidade dos clubes da Liga para o apoio a Fernando Gomes.

O que se percebe por um lado mas estranha por outro.

Percebe-se porque sendo o Vitória da direcção da LPFP e sendo Gomes candidato dificilmente o clube poderia deixar de ter uma posição solidária com ele.

Estranha por duas razões:

Em primeiro lugar porque se Fernando Gomes foi eleito para um mandato na Liga devia cumpri-lo até ao fim e não a meio tentar (conseguir?) “migrar” para a FPF.

Especialmente quando essa “migração” coincide com outra “migração “ legal para o mesmo organismo e que representa uma transferência importante de poder dentro do futebol.

A da arbitragem e disciplina.

E sabe-se que essas duas áreas, especialmente a da arbitragem, nunca foram isentas connosco e estiveram na origem de alguns valentes desgostos dos vitorianos nestes anos mais próximos, pelo que não vejo que tem o clube a ganhar em continuar a apoiar quem nos demonstrou continua falta de respeito.

Como Vítor Pereira por exemplo.
Por outro lado a anunciada intenção de Fernando Gomes em alterar o regulamento da Taça de Portugal, caso ganhe as eleições, é motivo para fazer soar todas as campainhas de alarme em clubes que não os chamados “grandes.

Porque não é por acaso que essa intenção é anunciada num tempo em que Porto e Benfica já foram eliminados da Taça e aparecem papagaios como um tal Joel Neto a defender no órgão oficial do FCP (jornal O Jogo) que uma final de Taça sem os três estarolas não é a mesma coisa.

Fernando Gomes já tem sobre si o escândalo de patrocinar na LPFP o sorteio condicionado do campeonato, em que três clubes merecem tratamento VIP e os outros tem de aceitar o que lhes calha, perante a vergonhosa passividade de todos os outros.

E bem sabemos o que o nosso Vitória “penou” este inicio de época também por causa disso.

Se ganhar a FPF então, como dois e dois serem quatro, vai tentar alterar os regulamentos da Taça de maneira a proteger os interesses dos três estarolas de molde a que estes possam chegar sempre á fase final da prova.

Seja instituindo grupos condicionados, como naquela palhaçada a que se chama taça da liga, seja aumentado o número de eliminatórias a duas mãos na esperança que a dois jogos as surpresas se tornem muito mais difíceis.

Respeito muito as decisões tomadas por quem legitimado para tal.

Mas entendo que o Vitória não devia apoiar Fernando Gomes.

Porque o que ele defende, e essencialmente o que ele praticou na LPFP, não serve os interesses do Vitória.
E são esses, sempre, que devem estar em primeiro lugar para qualquer vitoriano.

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