Luís Cirilo – O Fácil e o Dificíl

CiriloO FÁCIL E O DIFÍCIL

Ninguém escolhe ser adepto do Vitória por ser fácil.

Fácil é ser adepto de Benfica, Porto ou Sporting.

Porque ganham mais vezes, porque tem mais títulos e troféus, porque permitem aos seus adeptos ostentarem uma “superioridade” que não está ao alcance dos que defendem outros clubes que ganham muito menos vezes como é o nosso caso.

O benfiquista e o portista, mais do que o sportinguista nos tempos que correm, são ao fim de semana os “reis do café” onde se juntam com os amigos porque como os seus clubes ganham mais vezes é-lhes fácil e agradável estarem mais vezes do lado vencedor.

Claro que muitas dessas vitórias assentam em factores extra desportivos e que do desporto deviam estar erradicados.

As arbitragens que semanalmente os favorecem com decisões erradas dos penaltis que inventam a seu favor aos penaltis que perdoam contra eles.

Dos poderes existentes na LPFP que continuam a permitir-lhes privilégios inaceitáveis como é o caso dos sorteios condicionados dos campeonatos.

Da imprensa escrita, e não só, que diariamente os incensa, louva, divulga e valoriza enquanto aos outros apenas dá as migalhas que caem da mesa do poder.

Dos vergonhosos programas televisivos em que todas as semanas esses três clubes têm tempo de antena gratuito para a sua divulgação, para a defesa dos seus interesses e para a pressão sobre aqueles que tentem afronta-los.

E sobre os árbitros, convém não o esquecer, que queiram arbitrar os jogos com isenção!

Dos conselhos de disciplina que para uns é o rigor máximo (de que o Vitória é de longe o maior alvo da sanha persecutória) e para outros uma tolerância sem fim como no caso do castigo a Jorge Jesus.

Dos conselhos de justiça que para infracções semelhantes nuns casos interditam estádios e noutros apenas aplicam multas!

Dos sumaríssimos em tempo recorde, como a Douglas, como os sumaríssimos que se esquecem de instaurar como a André Martins no ultimo Gil Vicente-Sporting.

De um mercado publicitário, nomeadamente empresas estatais onde é completamente inaceitável o favorecimento a uns em detrimento de outros (CGD por exemplo que até um centro de estágio patrocinou ao Benfica), que se concentra esmagadoramente nesses três clubes á boleia da sua dimensão, é certo, mas também do escandaloso tempo de antena televisivo de que beneficiam.

Dos direitos televisivos que negociados em separado, em vez de em pacote como em campeonatos com outro grau de seriedade, constituem chorudos negócios para três e uns “trocos” para todos os outros.

Benfica, Porto e Sporting ganham mais vezes, tem mais títulos e troféus, mas é preciso que se diga que alguns desses triunfos e parte da dimensão que tem assentam numa gigantesca e desonesta máquina de promoção desses emblemas.

Máquina quase tão velha como o desporto em Portugal.

Máquina que os favorece escandalosamente no futebol mas também não deixa os seus créditos por mãos alheias nas restantes modalidades como voleibol, basquetebol ou andebol.

Não é pois pela facilidade de ganhar que se é adepto do Vitória.

É por outras razões.

Pelo ADN que passa de pais para filhos, como um legado de honra, e que leva a que cada vez mais os pais façam os filhos sócios do clube no dia em que nascem.

Pelo orgulho único de se dizer “sou de Guimarães, sou da Vitória…!

Pela genial ligação feita entre os fundadores do clube entre Vitória-Guimarães e História de Portugal simbolizada na imagem do nosso Rei D. Afonso Henriques.

Ser vitoriano tem um único.

O de sabermos que vivemos poucas grandes alegrias mas que as sabemos viver como ninguém transformando os triunfos do Vitória em momentos para a posteridade que nunca um vitoriano esquecerá.

Jamor e Toural, em momentos vários, são o maior exemplo disso.

Mas o de sabermos também que ser vitoriano significa conviver muitas vezes com a frustração, o desespero, o estranho “fatalismo” que tantas vezes nos atinge quando a glória parece estar ao alcance das nossas mãos e nos escapa por entre os dedos.

Os campeonatos que podíamos ter ganho mas não ganhamos, as taças que deviam ser nossas (Antas 1976) mas não foram, as épocas frustrantes que se sucedem a épocas de grande brilho e entusiasmo.

Sabemos que é esse o nosso destino.

Mas destino esse que nos tem dado repetidas vezes a prova de que sabemos enfrentar a adversidade, sabemos combater o fatalismo, sabemos reerguer-nos depois de cada queda mais fortes, mais determinados, mais leais e fieis ao nosso Vitória.

Ainda hoje acho que uma das frases que melhor nos define é aquela que diz “Somos pelo Vitória e não pelas vitórias”!

Porque o que temos…conquistamos.

Ninguém nos deu nunca…nada.

Quando conquistamos…merecemos.

Porque sai do nosso esforço, do nosso empenho, quantas vezes do nosso sacrifício.

Quando merecemos…festejamos!

Porque cada vitória do Vitória é um momento único, inigualável mas não irrepetível sejamos claros!

Nós vitorianos temos um dom de que nos podemos orgulhar.

Sabemos o que é a paixão por um clube independentemente dos triunfos, dos troféus, dos títulos ou do alarido da imprensa.

E também sabemos que o nosso clube vale pelo que é e não pelo que ganha.

É fácil ser vitoriano?

Não. Não é.

Nem nós gostaríamos que fosse.

Porque nos tornaria iguais aos outros, aqueles com quem não nos identificamos, de quem queremos fazer diferente.

Preferimos ser únicos na forma de sentir o clube, melhores na forma de o defender, distintos na relação extraordinária entre clube e comunidade.

Somos Vitória.

E por isso somos assim.

Desde 1922 e sem que alguma vez tenhamos encontrado motivo para sermos de outra forma.

E assim vamos continuar a ser.

Sempre!

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