Luís Cirilo – Tempo de afirmação

Esta semana, teremos Luís Cirilo para mais uma opinião.

Cirilo

TEMPO DE AFIRMAÇÃO

Quis o destino, que me coubesse escrever a minha crónica para o site da Associação VitóriaSempre precisamente na semana que intermedeia os jogos do nosso clube com Benfica e Porto.

Os dois grandes “cancros” do nosso desporto em geral e do futebol em particular.

Porque na sua luta pelo poder absoluto, na sua ânsia desenfreada de ganhar a qualquer preço, esses “cancros” (como os outros) estendem as suas “metásteses”a todos os órgãos que podem dos disciplinares à arbitragem passando pelos de comunicação social de molde a que tudo seja distorcido a seu favor.

Mas enquanto os outros clubes não quiserem apostar numa vacina eficaz para combater esses “cancros” vamos vivendo num futebol cada vez mais corroído por eles e pelos que ao seu serviço se põe de bom grado.

SLB e FCP são também ,no caso vitoriano, dois bons exemplos do perigo que é cair numa das maiores artimanhas do nosso futebol (de há muitos anos a esta parte) que é aceitar jogadores emprestados por esses clubes.

Bastará citar Urreta e Abdoulaye para toda a gente perceber do que estou a falar.

E á boleia disso, deixando o Vitória para a conclusão do texto, importa reflectir um pouco sobre o que é a realidade de hoje do nosso futebol e o papel que o clube vitoriano nele poderá desempenhar no futuro.

Hoje o que nos diz a realidade?

Começando pelos crónicos candidatos ao título.

O Benfica é o maior candidato ao titulo deste ano não só face ao avanço de que já disfruta mas também da valia global do plantel que neste momento é o melhor do campeonato.

Mas é um clube cada vez mais na mão dos “Fundos”, a quem vende (Rodrigo e André Gomes são exemplos recentes) para pagar dividas, com um passivo gigantesco e sem jogadores portugueses pese embora a distinta “lata” de dizerem que tem a melhor formação.

Ainda ontem enquanto o Vitória terminava o jogo com sete portugueses em campo no SLB apenas estavam dois. O que para a média deles era bem bom!

O Porto, nosso próximo adversário, depois de muitos anos em que se assemelhava a uma fortaleza quase inexpugnável dá agora claros sinais de erosão e fragilidade.

“Casos” com jogadores (Ismailov,Fucile,Otamendi,Iturbe,Fernando), empresários de jogadores que falam todos os dias sobre a realidade do clube o que noutros tempos seria impensável, uma surda mas desgastante luta pelo poder interno na cada vez mais próxima sucessão de Pinto da Costa.

Enquanto o Benfica tende a estagnar o Porto corre o sério risco de decair para níveis impensáveis pouco tempo atrás.

Resta o Sporting.

Que ao contrário dos dois clubes anteriores parece estar a fazer o caminho correcto de retorno a uma grandeza que já foi sua mas perdeu nos últimos trinta anos.

Estancou a derrapagem financeira, redimensionou os custos do futebol, contratou um excelente treinador e continua a apostar na formação.

O “leão” não vai subir ao trono tão cedo mas está no caminho correcto para lá chegar se entretanto não cair em tentações.

E nos que não são, ou ainda não são como prefiro pensar num caso, candidatos ao título?

Comecemos pelo Sporting CB.

Cujo declínio começou na época passada, e se vai acentuar nesta, depois de alguns anos de sucesso que o levaram a um vice campeonato, uma final europeia e uma taça da “carica”.

Só que hoje desses tempos áureos restam Alan (com 34 anos) e Custódio que só lá está por falta de alternativa que lhe agradasse.

O resto foi-se.

Hugo Viana, Mossoró, Quim, Baiano, Sílvio, Artur, Paulão, Rodriguez, Leandro Salino, Vandinho, Vinícius, Lima, Hélder Barbosa, Meyong, Paulo César, Moisés, Andrés Madrid, Matheus, Luís Aguiar entre outros já são apenas saudades para os lados do clube dos dois estádios municipais.

E por isso se pode afirmar que este é o Sporting CB mais fraco da última década e que não me parece que tenha possibilidades reais de voltar a atingir os patamares porque andou anos atrás.

Aliás a recente contratação de Jorge Paixão para substituir Jesualdo Ferreira indicia que chegou também lá o tempo de apertar o cinto.

O Estoril, grande sensação do presente campeonato, é a aliança feliz entre um clube sem adeptos, um treinador que parece ser de grande qualidade e uma agência de jogadores (Traffic) que lá vai colocando (e vendendo quando dá jeito como aconteceu com Luís Leal, Carlos Eduardo, Licá e Jefferson) jogadores a que normalmente o clube não teria acesso.

Durará o tempo que a Traffic quiser que dure este alto voo dos canarinhos.

Não é sustentado na história nem na envolvência de uma massa adepta significativa.

Marítimo e Nacional são duas realidades idênticas e não apenas em termos geográficos.

Acabados os milhões do governo regional, sem muitos adeptos nem onde ir busca-los, serão no futuro dois clubes cuja principal aspiração passará por fazerem campeonatos tranquilos e irem à Europa quando os outros se distraírem.

Se considerarmos que os clássicos Académica, Setúbal e Belenenses alinham pelo mesmo diapasão, ou nem isso, perceber-se-á que o Vitória tem um imenso potencial de se consolidar como o quarto clube português e preparar um “assalto” bem estruturado a patamares mais altos ainda.

Tudo isto que aqui está escrito, com algumas actualizações, foi devidamente ponderado aquando da elaboração do projecto desportivo que deveria (deverá) sustentar a próxima década do futebol vitoriano.

Aposta na formação, aposta no futebolista português, prospecção ágil e eficaz dos mercados futebolísticos, contratação cirúrgica de estrangeiros que sejam realmente mais-valias para a equipa, estabelecimento de uma parceria estratégica com um grande da Europa (o Chelsea como estarão recordados), recusa absoluta de empréstimos de clubes portugueses, reposicionamento nos órgãos dirigentes do nosso futebol, equidistância de SLB/FCP/SCP.

E uma grande aposta na equipa B, a jogar na II liga, para ser a grande base de reforço da equipa A.

A par disso, e da recuperação financeira indispensável à sobrevivência, a procura nos mercados financeiros de investidores que possam dar alento á nossa ambição de sermos grandes entre os maiores do nosso futebol.

Tudo isso é passível de ser feito.

Com atitude, com ambição, com o espirito “Conquistador” que caracteriza cada vitoriano e que tem de ser a imagem de marca do nosso clube porque é assim que os seus adeptos são.

Olhar em frente.

Com ambição e motivação para novas conquistas.

Porque um clube conquistador não olha para trás para se regozijar “ ad eternum” com o que já conquistou.

Olha em frente na busca continua daquilo que quer conquistar.

É assim que entendo o Vitória Sport Clube.

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