Midtjylland… O Perigo Nórdico Habitual [ANTEVISÃO]!

Diz a tradição que as equipas portuguesas  sempre se deram mal com o futebol nórdico, independentemente de na teoria serem consideradas de nível superior.

E esta asserção inicial poderá ser um dos principais temores que o Vitória irá sentir quando entrar em campo, amanhã… Com efeito, os dinamarqueses, independentemente dos nigerianos, são uns fiéis intérpretes do kick and rush britânico e que fez escola pelos países nórdicos… sendo que na Dinamarca o perfume dos manos Laudrup, de Soren Lerby ou de Morten Olsen constituiu excepção a essa mentalidade de excelência física e de jogo direct0.

E essa verticalidade no jogo é o que o Vitória poderá (e deverá!) esperar no desafio com 0s homens de Herning, já que deverá encontrar uma equipa com nove homens a lutar desesperadamente pela posse de bola, para a lançar rapidamente para os dois nigerianos que actuam na frente, Nworuh e Igboun.

Desse facto resultará a necessidade do meio campo defensivo vitoriano – que deverá ser constituído pelo marroquino El Adoua e os internacionais portugueses João Alves e Pedro Mendes, como interiores – pressionar o mais possível os organizadores de jogo dos touros: o internacional da Dannish Dynamite, Jakob Poulsen, e o, também, internacional sub 21, Albaeck, um dos melhores no desafio da primeira mão.

Além disso, haverá que ter atenção ao pivot defensivo, Uzochukwu, dono de técnica rudimentar mas com um inesgotável pulmão capaz de aguentar noventa minutos ao mesmo ritmo. Um motor diesel pouco rotativo mas incrivelmente durável e com a missão de após recuperar a bola,  lançar a mesma em passes diagonais para os extremos, sendo este princípio de jogo encarnado no modelo de 4-4-2 uma das principais armas da equipa.

Mas, defensivamente os dinamarqueses poderão estar mais fortes, para mal dos pecados de um ataque, incrivelmente, improdutivo desde o jogo com o Rio Ave. Na verdade, o regresso do experimentadíssimo central, Martin Albrechtsen, que fez carreira na Premier League ao serviço do West Bromwich Albion, promete estabilizar um sector que irá obrigar a utilização da rapidez para ser surpreendida.

E assim, o Vitória terá de apostar na sua superior capacidade técnica para poder levar de vencida uma equipa perigosa no contra ataque, mas previsível.

Deste modo, a  hipotética inclusão do uruguaio Jean-Pierre Barrientos poderá ter um papel importante no abrir do ferrolho, já que a sua entrada nas costas dos pontas de lança ( Edgar e Toscano ou Maranhão como elemento mais móvel) dotará a equipa de maior imprevisibilidade e capacidade de criar espaços que de outro modo seriam insondáveis.

No seu apoio, pelas últimas indicações, a aposta deverá recair na utilização de João Alves e Pedro Mendes como interiores, de modo a fazerem uso das suas capacidades de posicionamento e colocação do esférico nos colegas mais avançados, de modo ao meio campo tornar-se um sector estável e capaz, enquanto a condição física assim o permitir, de gerir os ritmos de jogo, acelerando-o ou travando-o ao invés do sucedido em Herning, em que fruto da táctica de 4-3-3 com três trincos e da gritante desinspiração dos extremos Faouzi e Targino o Vitória foi pouquíssimo mais do que inofensivo.

Com um meio campo com pouca capacidade para correr atrás da bola e predispondo-se mais a conservá-la e com ela criar desequilíbrios, o pivot defensivo El-Adoua deverá ter um trabalho importantíssimo na capacidade de pressão aos médios dinamarqueses, principalmente aos citados Albaeck e Poulsen. Da sua capacidade de trabalho e de recuperação poderá estar a chave para aterrorizar o último reduto dinamarquês, já que partindo do pressuposto da utilização do 4-4-2 losango, o marroquino com dois médios de transição um pouco mais à frente poderá tornear um dos poucos problemas patenteados, até à data: a capacidade de sair a jogar rápido, atendendo a que não é médio defensivo de origem e as opções de passe, fruto do sistema de jogo em que as opções de passe se encontram demasiado distendidas. Deste modo, após a recuperação deverá, exclusivamente, preocupar-se em colocar a bola num dos interiores e colocar-se na sua posição à frente dos centrais (João Paulo e N’Diaye).

Porém, estes pressupostos para se entender o jogo de amanhã, como se de um guião para a visualização de um filme se tratasse, é meramente teórico…um jogo de futebol cambia de variantes consoante o que vai sucedendo…e quantas vezes um plano de jogo saiu gorado e alterado ao primeiro minuto? Todavia, e não obstante isso, o Vitória, acima de tudo, terá de assumir o seu favoritismo por jogar em casa, por ter maior capacidade técnica e porque o sonho tem de continuar…para a felicidade de todos os Vitorianos!